Fazemos Bem

27/11/2017

A marca nacional que veio do frio vai a passos largos pelo Mundo fora

Tensai. Eletrodomésticos como os congeladores ou os frigoríficos são parte integrante e indispensável dos utensílios de qualquer casa. De tal forma que, hoje, não haverá quem imagine algumas das atividades do dia a dia serem executadas sem o auxílio destes apetrechos que, basicamente, fazem do arrefecimento a sua grande utilidade. Quem, por outro lado, não tem deixado esfriar os negócios e continua a marcar pontos neste ramo é a Tensai Indústria S.A., uma empresa com centro de operações em Estarreja, que fabrica e comercializa equipamentos de frio, destinados quer ao âmbito pessoal e familiar quer a setores de cariz profissional. Trata-se, em suma, de um dos principais fabricantes de frio horizontal da Europa e isso reflete-se na dimensão das importantes cifras atingidas pela faturação.

João Martins é administrador-delegado da Tensai e ao JN começou por explicar, de modo mais exato, como funciona a empresa e para que vertentes dirige o seu trabalho. “Para a área doméstica produzimos congeladores, frigoríficos e combinados ‘side by side’. Depois, temos igualmente uma vasta gama de produtos para a área comercial/profissional, que vai desde armários de refrigeração e congelação, a arcas de gelado, vitrinas ou murais de exposição. Ou seja, possuímos um leque alargado de artigos”.

A produção em si encontra-se direcionada para fornecer a marca própria (que tem o nome da empresa) e sobretudo outras insígnias, associadas a terceiros. Os maiores clientes, esses, provêm do retalho. “A nossa clientela está, quase exclusivamente, inserida no retalho em situações de maior ou menor quantidade. Por outras palavras, não passa pelos clientes finais de forma direta. Estamos nas grandes cadeias a nível nacional, europeu e até mesmo noutros continentes”, esclarece João Martins.

Mas até chegar a este visível estado de graça, a Tensai percorreu uma caminhada que teve o seu introito em 1989, na cidade de Aveiro. O crescimento foi-se dando de maneira gradual, com aquisições de espaços na Trofa e em Setúbal. Em 2009, foram inauguradas as instalações de Estarreja, que vieram servir enquanto elemento aglutinador daquilo que as outras três áreas ofereciam e que tiveram um custo de 20 milhões de euros.

Atualmente, o polo fabril de Estarreja concentra toda uma capacidade produtiva que chega às 800 mil unidades por ano. Refira-se que nas primeiras instalações erguidas, este item chegava apenas às 5 mil unidades, em igual período. Para lá disto, existem ainda escritórios em Leça da Palmeira, que funcionam como uma espécie de base administrativa, e o já mencionado espaço de Setúbal, que se mantém, sendo utilizado essencialmente com vista a serviços de logística.

Do ponto de vista negocial, o mercado interno não é descurado por esta empresa. No entanto, foi a estratégia por ela desenvolvida fora de portas a registar um protagonismo elevado, ocupando cerca de 90% do bolo respeitante às vendas. Ao todo, são mais de 70 países, distribuídos por cinco continentes, a receber os engenhos criados e transacionados pela Tensai. Europa principalmente, mas também África, Médio Oriente e América Latina constituem-se como os destinos preferenciais. Sobre este assunto, o administrador-delegado salienta que “o grande motor passou sempre pela exportação”, tendo isto sido algo que “aconteceu naturalmente”. O segredo, na sua ótica, esteve na “escolha certa dos parceiros”, o que permitiu uma penetração bem sucedida em inúmeros pontos internacionais.

De momento, o grupo conta com 226 trabalhadores fixos. A estes, porém, há que juntar mais algumas pessoas, cujos contratos laborais têm um cariz temporário e que são recrutadas com o intuito de fazer face às épocas em que os pedidos são elevados e as cargas de trabalho são, por conseguinte, maiores. Para o futuro, João Martins acredita que a tendência irá passar por uma manutenção dos quadros existentes.

No que respeita aos resultados financeiros averbados, o volume de negócios fixou-se nos 34 milhões de euros, naquilo que representou uma subida de 11% em relação aos anos anteriores. Em 2017, as estimativas apontam para que este índice cresça até aos 35 milhões. O investimento realizado nos últimos tempos assume, também ele, números avultados, somando-se 2,4 milhões de euros dirigidos para a inovação, qualificação e internacionalização.

Crescer no setor profissional do frio, a ponto de conquistar a liderança europeia, é a grande meta que, conforme revela João Martins, a Tensai tem no horizonte. “Vamos focar-nos nos canais comerciais e técnicos do frio. Concretamente, a restauração, a hotelaria ou até o campo farmacêutico. É por aí que queremos crescer”. O título de PME líder ou o prémio de “Melhor Exportadora de Bens Transacionáveis”, conferido pelo Novo Banco, fazem crer que estes desígnios serão realmente atingidos.

Como cresceu?

A Tensai goza, atualmente, de uma situação confortável e que lhe permite sonhar alto. Para isso, segundo João Martins, contribuíram alguns fatores intrínsecos ao funcionamento do grupo, tais como a relação duradoura que é estabelecida com os clientes ou a competência nos serviços a eles prestados: “Procuramos relações de longo termo com os nossos compradores e fazemos mais do que a simples venda do produto. Prestamos um serviço, por via de assistência técnica, conseguindo garantir-lhes um acompanhamento que pode ocorrer em diversos lugares, seja em África ou no Médio Oriente. Estes são pontos importantes”. Ao mesmo tempo, o administrador-delegado realça uma conjugação que considera feliz entre o custo e a valia dos artigos transacionados: “Somos conhecidos no mercado também por termos uma relação de qualidade/preço muito interessante. Não somos propriamente os mais baratos, nem pretendemos ser, mas os nossos produtos são de uma grande fiabilidade”.

Duarte Pernes

Tags: