Fazemos Bem

20/11/2017

Os senhores dos têxteis técnicos com um pé na hotelaria e no imobiliário

Endutex. Vilarinho é uma pequena localidade inserida no concelho de Santo Tirso, que conta com menos de quatro mil habitantes e de que poucos terão ouvido falar. É lá, no entanto, que se situa a sede de uma empresa cuja dimensão se estende a um vasto território, assim como a múltiplas áreas de atuação. Endutex SGPS é o nome desta sociedade holding. No mercado há quase 50 anos, o grupo a que deu nome tem nos têxteis técnicos o principal músculo negocial, mas a capacidade empreendedora dos seus responsáveis fez com que enveredasse, em simultâneo, por especialidades bem distintas.

Foi no início da década de 70 que a Endutex foi fundada. Na altura, possuía apenas uma máquina, o que a obrigou a dedicar-se somente à impermeabilização dos tecidos fornecidos pelos seus clientes. Porém, como sucede com muitos projetos empresariais que lograram o êxito, o passar do tempo levou a que o grupo registasse uma evolução tão acentuada que se tornou numa referência mundial no campo da plastificação. Vítor Abreu, atual presidente do conselho de administração da sociedade, ajuda a fazer uma síntese cronológica do caminho percorrido. “Começámos em 1970, integrados num grupo têxtil familiar. Em 1988, alcançámos a autonomia em termos de gestão e iniciámos, a partir daí, um processo de internacionalização que chegou a vários países. Ainda na década de 80, criámos uma unidade de tinturaria e acabamentos porque detetámos que existia essa necessidade geral”.

A empresa teve, e continua a ter, os têxteis técnicos como atividade predileta e é de lá que, de resto, surgem as maiores fontes de receita. “Especializámo-nos no revestimento de têxteis em PVC, poliuretano, acrílico e silicone A nossa génese foi a área industrial que continua a ser o nosso core business”, afirma Vítor Abreu. Tecelagem, tricotagem, tinturaria e cogeração de energia são outras das ramificações industriais em que atua. Entre os setores de onde são provenientes os grandes clientes do grupo estão o automóvel, impressão digital, vestuário de proteção ou arquitetura têxtil.

Pese embora a maturidade adquirida na indústria, a Endutex não deixou de olhar para outros ramos, designadamente os da hotelaria e do imobiliário. “Somos orgulhosamente industriais, o que não significa que não estejamos atentos a outras oportunidades. Faz parte da nossa maneira de ser”, comenta o presidente. No caso dos hotéis Moov, existem já três unidades erguidas (duas no Porto e uma em Évora) e há planos para que sejam construídas mais três em Portugal e outra no Brasil. Em termos imobiliários, a sociedade detém espaços para fins industriais, comerciais e de serviços, dispondo no presente de um total de 47 mil metros quadrados sob sua gestão.

Outro dos pontos fulcrais, no qual se baseou muito do progresso ocorrido, foi, conforme referido, a criação de uma política de internacionalização que fez com que a Endutex conseguisse estabelecer-se em pontos variados do globo. No Brasil, desde logo, estão localizadas instalações que servem enquanto centro de produção. Além disso, o grupo dispõe igualmente de departamentos comerciais nos EUA e espalhados pela Europa.

Não admira, deste modo, que seja no estrangeiro que estão colocados os principais polos de atração negocial para as transações da empresa. Vítor Abreu revela que mais de 85% da produção está destinada à exportação, com os destinos a serem cada vez mais dispersos. “O nosso mercado número um é Espanha, mas o continente europeu em geral é nitidamente uma área privilegiada. Estamos também no Canadá, na Índia, em África ou na Austrália”.

Este alcance global implica que a capacidade produtiva esteja em conformidade e seja também ela ampla. Por isso mesmo, a Endutex produz, em média, 1,5 milhões de metros quadrados em artigos revestidos por mês e isto só na sua sede, em Vilarinho. Um número que é assegurado por tecnologia capaz e por boa parte das cerca de 570 pessoas que se encontram a trabalhar no grupo inteiro.

O corolário de todo o investimento realizado é mensurável pelos dados de faturação que, no último ano, chegaram aos 112 milhões de euros – dos quais 6 milhões se referem aos negócios imobiliário e hoteleiro, sendo tudo o resto oriundo dos têxteis. A filial no Brasil é, curiosamente, a responsável pela maior fatia individual no que diz respeito a estas verbas. Em 2017, o presidente da sociedade estima um crescimento de 10% em relação a 2016.

Por diante, segundo Vítor Abreu, estão uma série de desafios que passam, sobretudo, por continuar em evidência no plano industrial e dar mais solidez às demais vertentes. “Há âmbitos em que estamos só a tocar a superfície e queremos canalizar recursos para aí, mas não somos megalómanos. Na área industrial estaremos atentos e atuaremos no sentido de trazer algo de vantajoso”.

Como cresceu?
Há inúmeras razões que justificam o crescimento verificado na Endutex, especialmente nos últimos tempos. Vítor Abreu elenca alguns desses motivos, salientando em particular o trabalho levado a cabo por aqueles que fazem parte do grupo. “Temos gente muito boa aqui na empresa. As pessoas são extremamente dedicadas, competentes e sacrificadas. Acima de tudo, todas elas são solidárias e identificam-se com os nossos objetivos e estratégias”. O presidente do conselho de administração explica também que, na sociedade, “o núcleo duro de decisão é muito curto e são meia dúzia os que traçam o caminho a seguir”. E para que o percurso traçado seja, continuamente, o mais acertado não é despicienda a experiência conferida por décadas de trabalho. “Conseguimos fazer face às necessidades dos que nos procuram porque temos um grande know-how, devido aos mais de 40 anos de atividade. Isso dá-nos uma vantagem importante nas relações com os clientes”.

Duarte Pernes

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