Fazemos Bem

13/11/2017

Os criadores da comida mediamente rápida com qualidade garantida

H3. Durante muitos anos, a definição de “fast-food” era, claramente, a que imperava no imaginário do público quando os hambúrgueres eram o tema. Em Portugal, pelo menos, isso mudou de maneira radical a partir de 2007. A grande responsável foi a h3, uma cadeia de restaurantes especializados em trazer à mesa um tipo de refeições servidas com rapidez e a um preço acessível à maioria, sem que com isso seja posta em causa a alta qualidade e a salubridade dos alimentos usados. Hoje em dia, a empresa é um nome reconhecido pelas pessoas em geral e, após uma primeira penetração em centros comerciais espalhados um pouco por todo o país, a aposta dos seus responsáveis vira-se, de momento, para a criação de locais próprios.

Para ajudar a perceber melhor o real conceito da h3, assim como toda a história que a envolve, o JN esteve à conversa com Albano Homem de Melo, um dos seus três administradores e, igualmente, sócio fundador. “Somos um grupo com várias marcas, mas a principal é a h3. Trata-se de uma maneira diferente de olhar para os hambúrgueres e para o mercado”, começa por explicar. Porém, aquilo que marcou uma fronteira com a concorrência existente aquando da fundação da empresa foi, de facto, a máxima “Not so fast-food”, sintetizada por Homem de Melo da seguinte forma: “É uma interceção entre a comida feita por um chefe e o fast-food. No fundo, a ideia é oferecer comida de qualidade, a um preço competitivo e entregue de modo rápido. Foi este o posicionamento que encontramos”.

Todo este império da restauração teve a sua génese há dez anos, em Lisboa, num espaço situado no shopping Tivoli Fórum. A partir daí, iniciou-se uma expansão que inclusive extravasou as fronteiras nacionais. No presente, a h3 conta com um total de 56 estabelecimentos: 48 em Portugal, 7 no Brasil e 1 em Angola. Acerca do tema da internacionalização, o administrador mostra-se satisfeito com os resultados conseguidos até aqui, mas não descarta uma maior penetração além-fronteiras, tendo até em conta o assédio de que a empresa tem sido alvo lá fora. “Podemos reforçar, numa segunda fase, a presença nos mesmos destinos ou ir para outros diferentes. Temos praticamente um convite por semana vindo do estrangeiro, mas para isso importa ter os parceiros certos, que tenham o conhecimento local dos mercados”.

Na maioria dos casos, os restaurantes inserem-se em centros comerciais, mas nos últimos tempos a empresa enveredou por um caminho diferente e que pretende ver reforçado doravante. “Achámos que tínhamos de formatar e mudar a nossa marca para poder dar um salto, daí termos aberto também lojas de rua. É um formato que consideramos que será bem aceite lá fora e já temos na calha a possibilidade de abrir mais quatro restaurantes deste género por cá”, comenta Albano Homem de Melo. Em pleno Cais do Sodré, no coração da capital, está localizado um dos exemplos desta nova política e foi, aliás, aí que se desenrolou o diálogo que serviu de base à presente reportagem.

Uma das interrogações sacramentais, que se coloca sempre em casos de sucesso como este, é a de saber ao certo como foi possível atingir tamanho êxito, especialmente num espaço temporal tão curto. Também para isto, o sócio fundador deste negócio tem uma resposta assertiva. “Não adormecemos à sombra dos louros conquistados. Estudámos o que havia no Mundo, mas isso não nos chegou. Tivemos de inventar ferramentas”. E uma dessas ferramentas foi uma aplicação ao dispor de qualquer cliente, que permite reunir informação do grupo, obter descontos nas refeições, entre outras particularidades. A sua popularidade foi tal que já conseguiu reunir mais de 300 mil utilizadores.

O número de postos de trabalho garantidos pela h3 ascende, só em Portugal, quase às nove centenas. Somando aqueles que trabalham em Angola e no Brasil, contam-se 1134 colaboradores. Para o futuro, Albano Homem de Melo opta por não estabelecer metas rígidas sobre este assunto, preferindo enaltecer como prioridade um crescimento sustentado que possa alavancar o resto, como vem sucedendo até agora.

No que respeita à faturação, foram arrecadados mais de 22 milhões de euros em 2016 e as previsões para este ano apontam para uma subida bem acima dos 24 milhões. Em média, são vendidos cerca de 4 milhões de hambúrgueres e mais de 2 milhões de limonadas por ano, o que ajuda a entender o volume de negócios atingido. O investimento para 2017 atingirá um valor próximo dos 2 milhões de euros.

Sobre o que está para vir a longo prazo, Albano Homem de Melo pauta o seu discurso pela ambição, mas sem deixar de mostrar um realismo que, refira-se, fez questão de patentear em toda a entrevista. “Estudaremos, sem pressa, as oportunidades que forem surgindo”.

Como cresceu?

Na h3, o crescimento explica-se por uma linha de atuação que, desde o início, foi meticulosamente delineada tendo em vista um desenvolvimento expressivo e que, sobretudo, pudesse conduzir o grupo a altos voos. “Tínhamos preparado um plano para crescer. Essa ambição existiu desde o princípio. Quando abrimos o primeiro restaurante, a ideia passava logo por criar uma rede. Depois os números apareceram e percebemos que caímos bem junto das pessoas. O trabalho preparatório foi, por isso mesmo, importante. Graças a ele, correu tudo como o previsto no plano de negócios. A única coisa em que fomos surpreendidos foi nas vendas, que felizmente foram muito acima do que estávamos à espera”, salientou Albano Homem de Melo. Este administrador acrescenta ainda que o caráter ímpar do conceito associado à empresa foi outro dos fatores que justificaram o seu progresso. “O que tínhamos era uma ideia nova e muito objetiva. Não se tratava de mais um restaurante”.

Duarte Pernes