Fazemos Bem

06/11/2017

Os líderes mundiais do metal são portugueses e estão em 40 países

AMOB. António Martins de Oliveira Barros, apresentado de uma forma isolada e sem nenhum outro pormenor que ajude a identificá-lo, até poderia parecer mais um nome corrente e tipicamente português. Acontece que a pessoa em causa foi a principal responsável pela fundação, em 1960, de um grupo empresarial que se especializou em fabricar apetrechos para o setor da curvatura de tubos e perfis e que, nos dias de hoje, é mesmo líder a nível mundial no fabrico de equipamentos para a indústria metalomecânica. Entretanto falecido, este empresário deixou um vínculo bem patente na empresa ao batizá-la de AMOB – as iniciais do seu nome. Luís e Manuel, os filhos, são quem a administra atualmente.

De facto, as máquinas de curvar marcaram o início de atividade da AMOB. No entanto, o passar do tempo significou alguma derivação no tipo de trabalhos efetuados. Valter Xavier, o diretor financeiro (CFO), explica em traços gerais por que trilhos se começou a caminhar e como tudo se foi desenvolvendo. “A empresa nasceu, por via daquele que a fundou, com uma matriz ligada à curvatura e é por isso que, ainda hoje, é mundialmente conhecida. Porém, além disso, fazemos o fato à medida. Por outras palavras, quando um cliente vem cá é porque tem uma necessidade e nós procuramos dar resposta a essa necessidade, o que nos dá uma vantagem competitiva. Isto acontece porque temos todas as capacidades internas necessárias para entregar as coisas dentro do que nos é proposto e do que propomos”. Portanto, desde prensas até perfilhadoras, tudo é desenvolvido segundo os padrões determinados por aqueles que requisitam os serviços desta empresa.

Dentro daquilo que Valter Xavier refere como fazendo parte das condições internas indispensáveis à consecução dos objetivos traçados, está a sede de 18 mil metros quadrados, situada em Famalicão. Para lá deste espaço, existem ainda instalações comerciais na Rússia, Brasil, Espanha, França e Benelux – algo revelador de um processo de internacionalização forte e que tem sido muito privilegiado. A partir destes lugares, são produzidos equipamentos para uma média aproximada de 40 países, com os quais a AMOB estabelece negócios anualmente.

Dentre eles, destaque para Estados Unidos, Rússia e outras nações do Leste europeu. Em relação a este ponto, a estratégia adotada passa por uma deliberada diversificação dos mercados, de modo a não criar uma dependência excessiva em relação a determinadas áreas geográficas. A exportação, de resto, é vital para a saúde económica da empresa, representando 65% da sua fatia de transações.

Sobre de onde provêm os principais compradores dos engenhos criados, mais uma vez poder-se-á afirmar que o grupo apresenta um cariz multifacetado. A carteira de clientes, como indica o seu CFO, é grande e variada por vontade e mérito próprios. “Colaboramos com as indústrias automóvel, naval, aeronáutica, química, petroquímica, construção, entre outras. Temos uma gama de máquinas que nos permite variar e abranger todos estes setores. É uma política que tem dado frutos”.

Nos últimos cinco anos, o investimento aplicado ronda os 20 milhões de euros. De momento, garante Valter Xavier, o foco encontra-se direcionado “para a criação de conhecimento e adaptação às novas tendências mundiais neste ramo”. Aliás, estar constantemente na vanguarda tecnológica é uma das principais bandeiras da AMOB. Os frutos desta filosofia são visíveis por, entre outros fatores, esta contar agora com mais de 12 mil máquinas instaladas por todo o globo e uma rede de agentes superior a 90.

Em termos de postos de trabalho, a empresa está a empregar mais de 140 trabalhadores. O seu diretor financeiro garante que, mantendo-se a linha de crescimento registada até aqui, “a AMOB vai continuar a contratar, em especial pessoas altamente qualificadas. A prioridade é criar valor porque se isso suceder, a empregabilidade vem atrás. É uma lógica que talvez seja muito matemática, mas é preciso tê-la e os números estão à vista porque, graças a isso, quase que se duplicou o número de colaboradores no espaço de sete anos”.

Já no que respeita aos dados de faturação, o grupo arrecadou mais de 16 milhões de euros no ano passado e, em 2017, tudo aponta para um aumento destes valores, podendo chegar aos 18 milhões. Estas verbas são consentâneas com o desenvolvimento e o progresso mencionados e também por elas é que a empresa foi agraciada, em 2015, pelo Novo Banco e pelo Jornal de Negócios, com um prémio que exalta a feliz conciliação entre as taxas de emprego e exportação.

Valter Xavier assume que manter a aposta em tecnologia de ponta é a maior prioridade e o garante de um futuro com os êxitos verificados no presente: “Pretendemos crescer e, para tal, temos de nos apoiar na tecnologia e vender equipamentos com maior capacidade tecnológica”.

Como cresceu?

O grande crescimento que a AMOB teve desde o seu começo e, em particular, nos tempos recentes, justifica-se por fatores tão claros e entendíveis ao cidadão comum como a persistência para encarar obstáculos, a lisura nos procedimentos adotados e a força de trabalho. “O caminho faz-se caminhando e, no mundo das máquinas, a fiabilidade, a confiança e a qualidade são parâmetros fundamentais para convencer os clientes”, afirma Valter Xavier. Esta foi a base para que, em seguida, fosse possível construir uma tão grande rede de parceiros comerciais, algo que na opinião deste CFO também ficou a dever-se ao já mencionado investimento em infraestruturas e modernização técnica. “A empresa tem investido em instalações que nos permitem trabalhar mais e melhor. Assim, aumentamos as nossas competências internas para dar resposta aos mercados. Ao mesmo tempo, apostamos em projetos de investigação e desenvolvimento. Hoje estamos num patamar completamente diferente”.

Duarte Pernes