Fazemos Bem

30/10/2017

O calçado nacional preparado para todas as missões arriscadas

Lavoro. Nem todo o tipo de calçado é dirigido aos públicos comuns e para os fins tidos como usuais. Existem profissões e atividades que requerem um equipamento específico, de forma a garantir não só o conforto e a comodidade dos pés, como também a segurança plena àqueles que precisarem de o utilizar. A Lavoro, grupo empresarial com sede no concelho de Guimarães, trata precisamente de produzir um calçado adequado às situações mais insólitas e arriscadas. Teófilo Leite é o atual CEO e foi, igualmente, quem deu início a esta aventura empresarial que conta já 31 anos de trabalho e um crescimento tal que obrigará, até ao próximo ano, a uma mudança de instalações.

É nas áreas relacionadas com a saúde, construção, indústria eletrónica, proteção civil, assuntos militares, extração de minérios, entre outras que a Lavoro mantém o seu foco produtivo. No fundo, esta empresa contribui para um exercício profissional de maior rendimento e, sobretudo, dentro das normativas de proteção exigidas a nível europeu. “Sempre quisemos dirigir-nos para um nicho de mercado que obrigasse ao uso de alguma tecnologia. Em tudo o que tenha uma norma que regule o tipo de calçado, nós estamos presentes. Ou seja, procuramos abranger todas as atividades que possam comportar algum tipo de risco pelo corte ou pelo escorregamento, por exemplo.

Entendemos que o pé precisava de ser mais bem protegido e acarinhado porque, a partir daí, a produtividade das pessoas melhora”, explica Teófilo Leite. Recentemente, e devido aos acidentes ocorridos em 2013 por causa dos incêndios, foi desenvolvida uma bota direcionada para os bombeiros que resiste a temperaturas até 500 graus centígrados.

A fundação do grupo remonta a 1986. Dois anos mais tarde, é lançada uma marca própria, com o nome de Lavoro, que perdura até hoje e cujos artigos envolvem um grande exercício de engenharia por se destinarem a áreas delicadas de ação. Também em 1988, dá-se o primeiro grande passo para a internacionalização da empresa, com a presença numa feira relacionada com este setor, em Paris, a que se seguiu outra do género, em Dusseldorf, no ano seguinte. Estavam, assim, lançadas as bases para um trajeto ascendente e prometedor que o passar do tempo haveria de confirmar.

Para lá da já mencionada marca Lavoro, a empresa detém outras três insígnias fundamentais: a No Risk, a Portcal e a Go Safe. No caso da No Risk, ela distingue-se por um estilo onde a vertente estética assume um cariz de maior importância e é destinado a um público jovem. Já a Portcal encontra-se virada, essencialmente, para o campo da logística e a Go Safe funciona como alternativa e apoio a todas as chancelas referidas, sendo uma marca instrumental com vista aos mercados internacionais.

De 1986 até ao presente, as instalações mantiveram-se as mesmas. Porém, o desenvolvimento registado e o consequente avolumar de trabalho obrigaram a que se fizessem planos de mudança. Uma mudança que, segundo afirma o CEO da empresa, deverá acontecer no próximo ano, mas que continuará a ter o município de Guimarães como berço. “Precisamos de quase duplicar o nosso espaço. Temos cerca de seis mil metros quadrados e pretendemos evoluir para os dez mil. Tivemos ofertas de outros conselhos e até de Espanha, mas contamos com o apoio da Câmara Municipal de Guimarães e é aí que vamos ficar”. Refira-se que o grupo detém ainda com um escritório a funcionar na Alemanha.

Muito do que é aqui confecionado é, posteriormente, transacionado para mais de 50 países diferentes. A exportação assume, por isso, um peso fulcral na balança comercial da empresa, embora as vendas no espaço nacional não deixem de ter uma expressão relevante (15% do volume de negócios). Os mercados alemão e espanhol são os que têm reunido maior atenção, mas há que destacar, neste aspeto, também o Reino Unido, a Ásia Central ou o Médio Oriente.

Em termos de capacidade produtiva, a Lavoro deverá, este ano, pôr a circular um número acima dos 500 mil pares de sapatos. Até 2020, a intenção é chegar ao milhão. Tudo isto é garantido pelas mais de 200 pessoas que se encontram a colaborar com o grupo. No que respeita aos índices de faturação, Teófilo Leite mostra regozijo pelos resultados já alcançados, assim como por aqueles que se perspetivam. “Em 2016, faturámos à volta de 13 milhões. Este ano, chegaremos aos 15 milhões e estamos a progredir mais de 10% anualmente”.

Por fim, bem se poderá afirmar que não obstante o sucesso obtido nestas três décadas, a vontade de crescer irá continua a nortear a ação dos profissionais desta empresa, como confirma o seu CEO: “Vamos prosseguir com uma distribuição global. Estamos com uma atividade comercial intensa e queremos chegar aos 100 países”.

Como cresceu?

O principal motivo que, numa primeira fase, alavancou o crescimento na Lavoro está ligado ao caráter inovador do seu produto em termos nacionais, que resultou essencialmente da experiência e formação adquiridas por Teófilo Leite, como o próprio confessa. “Fomos pioneiros, em Portugal, neste tipo de calçado. Antes de começarmos, eu trabalhava noutra empresa e desenvolvi uma parceria com o líder europeu do calçado de segurança. Por via desse contacto, houve condições para atacar este nicho de mercado”. Contudo, segundo acrescenta o CEO da empresa, existiram mais fatores que lhe permitiram chegar ao topo e que se relacionam muito com o posicionamento no estrangeiro que, desde cedo, adquiriu. “O nosso grande objetivo sempre foi termos a conceção própria do produto e possuirmos marcas e uma estratégia de distribuição internacional que nos permitisse estar nos principais mercados consumidores, mas sem estarmos dependentes de um cliente em particular”.

Duarte Pernes