Fazemos Bem

23/10/2017

Empresas nacionais conseguem crescer e dão o exemplo

As empresas portuguesas têm crescido tanto ao nível da produção como da rentabilidade, dependendo cada vez menos do financiamento bancário para dar saltos em frente ao nível da qualidade e quantidade. No entanto, há duas limitações que impedem uma aceleração superior do tecido empresarial. “As empresas nacionais têm baixa autonomia financeira e fraca qualidade de gestão”, afirma Américo Azevedo, professor da Faculdade de Engenharia do Porto e especialista em questões ligadas ao desenvolvimento da indústria.

Os Prémios Fazemos Bem tentam mostrar que, apesar dos obstáculos, há muitas empresas que crescem e servem de exemplo. A iniciativa já retratou doze empresas que se destacaram pelo seu contributo para a Inovação, o primeiro ciclo da iniciativa do Jornal de Notícias (JN), e também pela Exportação. A partir do dia 30 de outubro, as seis reportagens apresentadas ao leitor, sempre à segunda-feira, irão incidir sobre as empresas que dão um contributo significativo para o Crescimento da economia.

“Há setores tradicionais, como o calçado e outros, que são exemplos de sucesso, uma vez que aí existe uma concertação entre a investigação científica das universidades e a formação profissional dos quadros. No entanto, há empresas familiares carentes dessa profissionalização que permite produzir mais e melhor, criando emprego”, acrescenta Américo Azevedo.


A procura da excelência é o primeiro objetivo dos Prémios Fazemos Bem, que estão agora na sua quinta edição, contando com o patrocínio da Exponor e ainda com os apoios da Associação Comercial do Porto e da Associação dos Industriais de Construção Civil e Obras Públicas. A Carmo & Cerqueira é parceira da iniciativa ao nível da auditoria.

Os indicadores mais recentes relativos ao universo empresarial são animadores. No segundo trimestre de 2017, a rentabilidade bruta do ativo (EBITDA/total do ativo) das empresas não financeiras situou-se em 7,2%, valor superior aos 6,9% do trimestre homólogo, referiu o Banco de Portugal na sua Nota de Informação Estatística publicada no dia 18 deste mês. Mais impressionante é o facto de rentabilidade dos capitais próprios ter sido de 7% em 2015, enquanto a média europeia era de 4,9%.

A estrutura do financiamento empresarial também está a mudar de forma paulatina. O capital próprio representava 32,7% do total do ativo desse mesmo financiamento em 2014 e subiu para 36% no segundo trimestre deste ano. O financiamento bancário caiu, naquele mesmo período, de 38,9% para 36,2% do ativo. Ou seja, as empresas estão a depender cada vez menos dos bancos para manter e desenvolver a sua atividade.

A edição deste ano dos Prémios conta com algumas novidades relativamente ao modelo que foi sendo seguido até aqui. Desta feita, serão apresentadas aos leitores as histórias de um total de dezoito empresas, distribuídas segundo três critérios de seleção essenciais e já definidos: Inovação, Exportação e Crescimento. Por cada um dos tópicos, foram eleitas seis unidades empresariais. As doze primeiras  já foram retratadas, tendo sido desvendados alguns dos segredos da Inovação inerente à Livraria Lello, ERT, Dacsa Atlantic, Itec, Outsystems e Arsopi.

Seguidamente, o JN publicou seis histórias de sucesso no capítulo da Exportação: Impetus, Aveleda, Hoti, BBG, Mazoni e Digidelta. As reportagens, que incluem vídeo, podem ser consultadas no site “fazemosbem.jn.pt”. No dia 14 de dezembro próximo, irão ser premiadas três empresas deste lote – uma por cada tópico.


Inovação

Exportação


A iniciativa conta com um júri composto por António Fontainhas Fernandes, reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Paulo Nunes de Almeida, presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP), Ricardo Luz, gestor, Carlos Melo Brito, pró-reitor da Universidade do Porto, Pedro Araújo, editor do Dinheiro Vivo, Fernando Alexandre, pró-reitor da Universidade do Minho e, na qualidade de auditor, José Carmo, partner da sociedade Carmo & Cerqueira.

Exponor

Expansão dos negócios é a solução

Tal como ocorreu até aqui, a Exponor associou o seu nome ao terceiro segmento temático dos Prémios Fazemos Bem. Paulo Nunes de Almeida, presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP), realça a importância que os negócios realizados além-fronteiras pelas empresas portuguesas têm no seu desenvolvimento. “Dada a limitada dimensão do mercado nacional, qualquer plano ambicioso de expansão passa por equacionar um cenário de internacionalização da atividade empresarial, seja pela via do comércio internacional seja pela do investimento direto”.

Questionado sobre se há entraves ao crescimento das empresas lusas, Nunes de Almeida tem uma visão clara: “Existem obstáculos, desde os intrinsecamente ligados ao tecido empresarial – onde é incontornável a questão da dimensão em termos de massa crítica, num contexto de internacionalização crescente – aos fatores que têm a ver com a envolvente onde ele atua. Muitos dos entraves (como a carga fiscal, a burocracia ou o financiamento) são evidenciados nos rankings internacionais de competitividade”.

Associação Comercial do Porto

Aeroporto e Leixões são pilares

Também a Associação Comercial do Porto (ACP) figura entre os parceiros deste último ciclo, ligado ao crescimento. Segundo Nuno Botelho, o seu presidente, a única via para a evolução do universo empresarial português consiste em “continuar a apostar no turismo e aumentar e diversificar as exportações, com o fortalecimento da base produtiva, dando internamente preferência aos produtos portugueses competitivos”. No entender do líder da ACP “a economia portuguesa tem crescido não pelo consumo, mas antes pelas exportações nacionais”.

Nuno Botelho alerta igualmente para “a necessidade de se efetuarem investimentos em infraestruturas que são vitais para as exportações nacionais, como a expansão do aeroporto do Porto e do porto de Leixões, que é o maior porto nacional de exportação e que já atingiu o limite da sua capacidade”. O presidente da ACP considera ainda que deve haver uma menor interferência estatal em questões de índole económica: “Temos que reduzir o peso do Estado na economia para ser possível aliviarmos a carga fiscal”.

Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas

Foco na entrada em diferentes mercados

A Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN) manifestou, de novo, o seu apoio à iniciativa Prémios Fazemos Bem do JN. Manuel Reis Campos, responsável máximo desta instituição, aproveitou para fazer um breve retrato da situação vivida no setor da construção: “A dinâmica de internacionalização da construção portuguesa é uma realidade evidente e objeto de um amplo reconhecimento à escala global que, paradoxalmente, nem sempre encontra o adequado reflexo à escala nacional”.

Na opinião de Reis Campos, é imprescindível que os projetos empreendedores alarguem, cada vez mais, os seus horizontes e não fiquem restringidos somente às latitudes nas quais têm uma posição cimentada: “A AICCOPN tem desenvolvido contactos institucionais em países de elevado potencial, que permitem um conhecimento mais aprofundado da realidade desses mercados. As empresas nacionais têm uma presença já consolidada na Europa e nos PALOP, mas precisamos de abrir caminhos e concretizar novas oportunidades nas demais geografias”.

Duarte Pernes