Fazemos Bem

09/10/2017

Empresa portuguesa chega a 27 países com um pé firme na era digital

Digidelta. Encontra-se ligada ao campo das comunicações visual e digital desde a sua fundação, em 1986. Esta seria a forma mais direta e resumida possível de definir a Digidelta, um grupo empresarial português com sede na cidade de Torres Novas. Porém, dentro deste âmbito, a empresa tem levado a cabo múltiplas tarefas e conta com uma rede de clientes vasta, proveniente em grande parte do estrangeiro e que foi fundamental para que, no ano passado, tivessem entrado nos seus cofres receitas na ordem dos 35 milhões de euros.

A Digidelta caracteriza-se por ser uma fabricante para os mercados da etiquetagem, exibição digital, impressão digital e comunicação visual. Em concreto, são produzidos equipamentos e tintas de impressão; substratos adesivos; rótulos e soluções de etiquetagem e equipamento assente na tecnologia LED. “Em termos básicos, trabalhamos na área da comunicação visual porque temos aquilo que é usado para publicidade estática em tudo o que sejam outdoors ou lonas e fabricamos também painéis LED para a publicidade dinâmica, onde o conceito é todo ele digital”, resume Armando Mota da Silva, o business development da empresa.

Há 31 anos em atividade – muito graças à liderança de Rui Leitão, atual CEO -, o início do grupo coincidiu com os primeiros passos dos computadores pessoais em Portugal. A partir daí, registou-se uma rápida evolução para a indústria gráfica, o que por sua vez permitiu à Digidelta adaptar-se com prontidão aos sistemas de impressão digital de grande formato que vigoram nos dias de hoje. Segundo Mota da Silva, “hoje em dia, a impressão digital está a revolucionar a indústria porque possibilita a personalização de várias coisas e é isso que o mercado exige”.

O sucesso alcançado explica-se, no entender do business development da empresa, por uma capacidade de resposta versátil e imediata, o que contrasta com a concorrência que, frequentemente, está mais condicionada por ter uma dimensão ampla e pesada. “Neste setor, há grandes multinacionais a atuar, mas têm dificuldade em reagir rapidamente. Já nós conseguimos agir mais rápido sem com isso deixarmos de tomar decisões estruturadas”. A juntar a isto, a Digidelta desenvolveu um conjunto de materiais autoadesivos que se constituíram como uma inovação. Para tal, muito contribuiu a marca própria Decal, que se encontra ligada a esta especialidade e que foi lançada em fevereiro de 2010.

Nos mercados externos reside uma grande fonte de rendimentos do grupo, sobretudo a partir de 2008. No ano passado, foram arrecadados 16,5 milhões de euros vindos só dos negócios no estrangeiro e, para 2020, as previsões apontam aos 41 milhões – um aumento vertiginoso que está fundamentado num plano estratégico de crescimento estabelecido há muito. Ao todo, contam-se 27 países diferentes para onde a empresa tem exportado os seus produtos, com especial realce para Espanha, Inglaterra, França, Turquia, Arábia Saudita e Brasil. Neste momento, há planos para uma penetração nos Estados Unidos, algo que, acreditam os responsáveis da Digidelta, poderá ser fundamental para o seu desenvolvimento.

A unidade industrial de Torres Novas funciona como uma espécie de centro de operações que, refira-se, poderá ser aumentado em breve. Atualmente, contam-se 10 mil metros quadrados de área total que representam um investimento avultado de 8,5 milhões de euros. Além destas instalações, há ainda dois espaços em Lisboa, um em Famalicão e outro novo em Madrid, que ocupa 1600 metros quadrados e que foi inaugurado recentemente, em maio deste ano.

Ao serviço da Digidelta estão 68 trabalhadores. Contabilizando também os colaboradores do grupo, poder-se-á falar em cerca de 100 funcionários. Armando Mota da Silva garante que, para o futuro, existirá aqui um aumento. “Temos uma previsão de integração. Ainda há dias colocámos mais três pessoas, dois engenheiros e uma outra para o departamento comercial”.

Sobre os dados de faturação totais, a empresa averbou um volume de negócios que atingiu os 35 milhões em 2016. Até agora, no ano em vigência, registou-se um crescimento de 21% relativamente ao que sucedeu no ano transato, em igual período. Por resultados como este é que a Digidelta foi premiada com o título de uma das mil PME mais inspiradoras para a Bolsa de Londres. Já no que se refere às verbas injetadas com vista à modernização do grupo, foram aplicados mais de 8 milhões de euros nos últimos cinco anos.

Finalmente, perspetivando o curto e o médio prazo, o business development do grupo assume uma visão clara do que espera. “Ambicionamos chegar a 2020 com uma presença em 38 países. Há um mercado de referência, que é o alemão, no qual estamos a estudar a melhor estratégia de entrada”.

Como exportou?

A exportação é um dos pontos que a Digidelta tem vindo a fomentar e que pretende continuar a desenvolver no futuro. Mas o crescimento que se foi dando neste âmbito ficou a dever-se muito ao facto do grupo se ter tornado no distribuidor para a Península Ibérica da marca japonesa Mimaki – uma das principais fabricantes de impressoras a jato de tinta de grande formato -, o que lhe abriu portas em outros países. Outro passo importante, para Armando Mota da Silva, foi a presença da empresa em eventos no estrangeiro: “Investimos muito em presenças nas feiras internacionais. Além disso, tivemos algumas missões em diferentes mercados, onde fizemos visitas a empresas possivelmente interessadas, agendámos reuniões e enviámos amostras do que produzimos. Foi um processo longo”. Também a inauguração das instalações em Madrid se revelou fulcral. “Representou um momento de viragem e um grande motor de arranque neste processo exportador”.

Duarte Pernes

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