Fazemos Bem

02/10/2017

Sapatos feitos em Portugal dão passos firmes em todo Mundo

Mazoni. Felgueiras é um município que se tornou conhecido por ser uma espécie de ex-libris da indústria do calçado nacional, tão popular e apreciada no estrangeiro. Foi, precisamente, nessa cidade nortenha que a Mazoni encontrou o berço para começar a desenhar um percurso que levou a que, nos dias de hoje, os seus sapatos caminhassem por quase toda a Europa e por alguns dos mercados mais emergentes do globo. Imaginação, resiliência e irreverência estiveram na génese desta empresa, tendo arrancado com a atividade na qual se notabilizou, em 1993. De então para cá, tem sabido crescer de modo sustentado e conseguiu sobreviver com tranquilidade aos sobressaltos causados pelas agruras das crises que assolaram o setor.

A criação da Mazoni está umbilicalmente ligada ao seu fundador e atual presidente do conselho de administração. Trata-se de Fernando Sampaio, empresário com apetência pela liderança e natural de Felgueiras, algo que, como o próprio reconhece, ajudou na criação e implementação da empresa. “Sentia um bichinho que me dizia que eu tinha uma veia de líder. Depois, o ambiente também influenciou porque este concelho está rodeado desta vivência. Aqui há muitas coisas a girar à volta do calçado”.

Os sapatos concebidos destinam-se sobretudo aos homens, variando entre o estilo clássico (que marcou a tendência no decurso dos primeiros anos da empresa) e o casual. De resto, 80% da produção está dirigida para o calçado masculino. Fernando Sampaio explica que, por falta de tempo, o segmento dedicado às senhoras tem tido menor protagonismo, mas a ideia passa por inverter um pouco esta situação: “Para fazermos uma coleção de senhora, terá de ser algo com expressão ou então não vale a pena. De qualquer forma, ainda temos essa intenção”.

É no “private label”, desenvolvido para nomes de prestígio universal como a Gant, a Armani Jeans ou a Marco Polo, que residem as principais fontes de rendimento da Mazoni. Contudo, esta possui igualmente uma chancela chamada Dark Collection, que foi revitalizada e tem vindo a crescer muito graças à ação de Pedro Sampaio – gestor comercial e filho do fundador da empresa. “Esta marca é importantíssima para que possamos demonstrar aos clientes aquilo que somos capazes de fazer”, comenta o presidente do conselho de administração. A intenção, em cada uma das coleções lançadas, é seguir as inclinações e as necessidades que o mercado indica, construindo em simultâneo uma identidade própria.

Pese embora seja uma firma 100% nacional, a Mazoni encontrou na exportação a melhor solução para 97% daquilo que é por si produzido. Holanda, Reino Unido, França e Alemanha constituem-se como os pilares dominantes nas vendas da empresa, mas o calçado saído das instalações felgueirenses está presente também em mercados como o Canadá, Japão, África do Sul ou Austrália. Ao todo, são quase 25 países diferentes a fazer parte do lote de destinos finais destes sapatos.

Para conseguir chegar a lugares tão diversos e dispersos no mapa, foi necessário atingir um ritmo de produção tal que garante, hoje em dia, o fabrico de 200 mil pares de sapatos por ano. Como consequência deste feito, o espaço existente revela-se curto para tantas encomendas. Fernando Sampaio assume, sem nenhum tipo de rodeios, exatamente isso. “Esticámos até onde pudemos, mas estamos a rebentar pelas costuras. Por isso, não enjeitamos a possibilidade de crescer também do ponto de vista físico. A prioridade é manter o que temos, só que se as coisas continuarem assim, vamos precisar do dobro do espaço”.

Não é, portanto, de espantar que a empresa tenha averbado, no último ano, sete milhões de euros no que respeita ao volume de negócios. Em 2017, o presidente da Mazoni acredita que este número suba para perto dos oito milhões. Assinale-se que, nas últimas cinco primaveras, o crescimento médio foi de 10% ao ano. “O que alcançámos só é possível porque mantemos o padrão de qualidade a que habituamos os nossos clientes e cumprimos com os prazos de entrega escrupulosamente”, acrescenta Fernando Sampaio.

A dar corpo a toda esta empreitada estão à volta de uma centena de trabalhadores (excluindo aqui os que colaboram em sistema de subcontratação). É com a sua ajuda que Fernando Sampaio tenciona levar avante a empresa e, acima de qualquer outra ambição, mantê-la no rumo certo e com os pés bem assentes no chão. “Temos de fazer as coisas com cabeça porque a indústria do calçado tem muitos altos e baixos”.

Garantir uma maior penetração em mercados como o dos Estados Unidos, Rússia ou América Latina é outro dos objetivos futuros que a Mazoni pretende concretizar. Isto sem, contudo, retirar protagonismo aos compradores angariados até ao presente.

Como exportou?

Desde o primeiro dia de trabalho que a Mazoni se virou para os mercados externos. A experiência que Fernando Sampaio tinha já acumulada permitiu uma penetração imediata além-fronteiras: “O meu know-how de 12 anos na parte comercial de uma outra empresa de calçado deu-me conhecimentos na área, até porque passava muito tempo fora do país. Foi, aliás, nisso em que me apoiei quando começámos. A partir daí, fomos fazendo o nosso caminho”. Além disso, e de modo a manter um equilíbrio nos negócios e na saúde financeira da empresa, foi autoimposto um limite percentual que determina que cada país para onde esta exporta não pode assumir uma quota de mais de 20% das suas vendas. “Por vontade de alguns dos nossos clientes a fatia seria maior, mas nós não queremos fugir disso porque pretendemos não estar dependentes de ninguém. Se alguma coisa correr mal a um dos grandes compradores, ultrapassaremos a tempestade de modo suave”.

Duarte Pernes

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