Fazemos Bem

25/09/2017

Os mestres na arte de encaixilhar os vidros das nossas janelas

BBG. Por detrás de uma grande obra em vidro está sempre um sistema tecnológico sofisticado assente no alumínio ou no aço. Este bem poderia ser o lema de uma empresa com sede em Esposende que aproveitou uma oportunidade aberta há menos de dez anos para, hoje, abrir também ela múltiplas janelas por todo o Mundo. Foi batizada com o nome BBG (iniciais de Bruno Brás, presidente e fundador desta firma, e do apelido do seu sócio Fernando Gonçalves) é detentora de uma marca própria, atingindo já uma faturação que chega aos dois dígitos. Aqui fica espelhada uma história de persistência e trabalho que conduziu a um rumo que, por sua vez, parece só apontar na direção do progresso.

“Dedicamo-nos ao setor da serralharia pesada, aquela mais urbana e artesanal, assim como à execução de sistemas de caixilharia. Em suma, tudo aquilo que está ligado ao aço, ao alumínio e ao vidro é o que nós desenvolvemos cá”. É desta forma que Bruno Brás define a BBG.

De facto, a empresa tem vindo a notabilizar-se por oferecer um método moderno que permite que sejam os vidros – que podem funcionar como janelas, portas ou paredes – a deslizar pelos rolamentos metálicos (impercetíveis a quem vê apenas o resultado final da construção) que os sustentam. Bruno Brás explica que este “é um produto diferenciador que possibilita maximizar a área do vidro, fazendo coisas com dimensões impensáveis. É possível, por exemplo, estar no quarto e ter uma parede que, rapidamente, se desloca para o chão”. A Hyline – marca pertencente à BBG, registada em 2014 – é quem trata de trazer à luz esta inovação, cada vez mais solicitada por arquitetos e construtoras.

Tudo funciona de maneira prática, sendo o sistema acionado através do simples uso de um comando ou de forma manual, sem no entanto se tornar pesado e difícil de manusear. Outra das grandes vantagens é a de se tratar de uma engenharia moldável a cada pedido. “Fazemos um trabalho mais personalizado do que o que é normal encontrar. Podemos adequar o serviço à necessidade do projeto e esse é um dos nossos principais pontos fortes”, comenta o presidente da empresa.

A história da BBG é curta, já que foi fundada apenas em 2008, mas a sua ascensão no mercado tem sido meteórica. A responsabilidade de tal êxito, essa, deve ser endossada em grande medida a Bruno Brás – que chegou a ser ajudante de padeiro, antes de enveredar pelo caminho dos alumínios, enquanto comercial de uma firma ligada à especialidade. Contudo, o líder da empresa prefere não individualizar, destacando ao invés o trabalho realizado por todo o grupo que a compõe: “Temos uma equipa perfecionista, qualificada e motivada. Eu comecei do nada e sou o timoneiro, mas há muita gente aqui que rema no mesmo sentido”.

Os primeiros passos deram-se num pequeno espaço, em Viana do Castelo, de somente 80 metros quadrados. Na altura, segundo conta o máximo dirigente da BBG, “trabalhava-se sobretudo o aço”. Com o passar do tempo, a empresa adquiriu um cariz mais multifacetado e o protagonismo deste passou a repartir-se com o alumínio. Foi então que, em 2010, se fez a mudança para as instalações atuais, em Esposende, que ocupam 4 mil metros quadrados. Tal ficou a dever-se muito a uma primeira grande obra feita em conjunto com um gabinete de arquitetura do Porto para a adega da Quinta do Pessegueiro e que valeu mais de 1 milhão de euros, marcando aí um ponto de viragem.

Em termos de exportação, poder-se-á afirmar que os trabalhos realizados para o exterior foram sempre parte vital do modelo de negócio concebido. Tanto assim é que 99% das receitas provêm, atualmente, do estrangeiro. “Temos posto sempre os olhos mais lá fora do que cá dentro”, confessa Bruno Brás. Ao todo, a BBG vende para cerca de 20 países em todo o globo, com França, Reino Unido, Espanha, Brasil, Emirados Árabes, Estados Unidos, Índia e Marrocos a encabeçarem a lista. Além disto, há a registar a existência de uma sucursal em Paris e de um showroom em São Paulo.

Nesta empresa, trabalham à volta de 120 pessoas e a faturação, em 2016, situava-se nos dez milhões de euros. A breve trecho, as expectativas vão no sentido de um aumento em ambos os aspetos. Se no que toca a funcionários está prognosticada a inclusão de mais 20 trabalhadores até 2020, no que respeita ao volume de negócios prevê-se um crescimento na ordem dos 30% já em 2017.

Como corolário de todos os feitos atingidos estão nomeações para prémios ligados ao empreendedorismo. Isto ajuda a acreditar num futuro que, assegura Bruno Brás, passará pelo desenvolvimento de projetos e pela contínua aposta nas transações externas. “Vamos trabalhar numa ideia ligada à acústica na área da janela. Ao mesmo tempo, a nossa intenção continuará a ser penetrar em novos mercados a nível mundial”.

Como exportou?

Na BBG, as relações comerciais com os mercados estrangeiros foram quase uma obrigatoriedade, dado o cenário de crise profunda vivido em Portugal poucos anos após o seu arranque. Bruno Brás reconhece isto mesmo: “A nossa veia exportadora nasceu fruto da necessidade. No mercado interno não existia trabalho, tudo parou. Não havia investimento público, nem particular”. Por outro lado, a empresa procurou sempre pautar a ação por uma conduta de seriedade e competência. “As pessoas podem ter confiança em nós. Fornecemos o produto bem, com instalação feita e tudo entregue a tempo e horas”, garante o presidente. O resultado disto, segundo Bruno Brás, é a satisfação dos clientes, que não hesitam em recorrer a um sistema cada vez mais popular. “Somos como um cartão-de-visita para todos os arquitetos de referência. Eles gostam de recriar e encontram essa possibilidade aqui. Nas residências de luxo, o que se vê são produtos como o nosso, é o que está na moda”.

Duarte Pernes

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