Fazemos Bem

18/09/2017

Grupo nacional cresce com forte aposta nos hotéis temáticos

Hoti. O turismo é, cada vez mais, um forte alicerce da economia portuguesa. De resto, segundo revelou ainda recentemente Ana Mendes Godinho – a secretária de Estado responsável por esta pasta – Portugal deverá acolher mesmo mais de 22 milhões de turistas no presente ano. Um número impressionante e para o qual concorrem também empresas como a Hoti, uma cadeia de hotéis de capital 100% nacional que conta com diversas unidades espalhadas pelo país que, por seu turno, têm hospedado várias pessoas de múltiplas nacionalidades.

A Hoti Hoteis (o nome original dispensa o acento de “hotéis”) foi fundada em 1979 e, volvidos 38 anos, continua a dedicar a sua atividade ao ramo hoteleiro através dos sistemas de propriedade, exploração, gestão ou franquia. Manuel Proença é o presidente do conselho de administração do grupo e conta em pormenor como se iniciou esta longa caminhada. “Começámos com a gestão do Hotel D. Henrique, no Porto. A partir daí, fomos incorporando vários hotéis, como o Grande Hotel do Porto e outros na Figueira da Foz. Esta primeira fase durou 20 anos e trabalhávamos com contratos de arrendamento ou de concessão. Depois passámos a construir hotéis e fizemos parcerias com marcas internacionais como a Meliá e a Tryp, o que nos fez alargar a nossa rede”.

Em paralelo, a empresa ergueu hotéis com marca própria e dirigidos a temas específicos. É o caso do Star Inn (em Lisboa e no Porto) e do Hotel da Música (onde decorreu esta reportagem do JN), situado em pleno Mercado do Bom Sucesso, na cidade Invicta cuja decoração original e a preceito vai, toda ela, ao encontro da temática que lhe deu o nome. Igual caso se verifica, por exemplo, numa unidade criada em Peniche, sendo que aí é o surf a servir de pano de fundo.

No presente momento, a Hoti Hoteis tem sob a sua alçada um total de 15 unidades hoteleiras espalhadas pelo país, de tal forma que é já o sétimo maior grupo hoteleiro com presença nacional. Porto, Lisboa, Aveiro, Peniche, Madeira, Leiria ou Castelo Branco são alguns dos locais onde esta empresa já chegou. Contudo, a ideia é prosseguir e não parar por aqui. Por isso mesmo, está prevista a inauguração de um primeiro empreendimento lá fora. “O nosso posicionamento aponta sempre ao crescimento contínuo. Vamos abrir um hotel em Maputo, no final do próximo mês de outubro. Trata-se de um estabelecimento de quatro estrelas”, revela Manuel Proença.

Os hotéis em si inserem-se, maioritariamente, nos segmentos de quatro e de cinco estrelas e localizam-se em áreas urbanas. Já o tipo de hóspedes que, em geral, procura alojamento nas unidades deste grupo corresponde, por inerência, a um estilo citadino e com interesses e finalidades que vão muito para lá do lazer. O presidente da Hoti Hoteis explica melhor esta realidade: “As pessoas deslocam-se sempre até às cidades, mesmo que existam problemas, como aconteceu em Barcelona. No lazer não é assim e isso viu-se nos casos da Tunísia ou do Egito. Há mais sensibilidade à instabilidade num resort do que num hotel urbano, até porque neste último há maior movimentação dos clientes e a procura pode estar ligada a fatores como os negócios ou outras necessidades. No nosso caso, nos últimos tempos, fizemos dois hotéis no aeroporto de Lisboa que têm uma boa taxa de ocupação e que são tipicamente urbanos”.

Refira-se que, para lá dos muitos portugueses que procuram os serviços da empresa, uma parte significativa destes hóspedes é proveniente do estrangeiro. Particularmente da Europa e da América do Sul, com franceses, alemães, ingleses, espanhóis e brasileiros a destacarem-se. Foram eles que, grosso modo, ocuparam os 2519 quatros e as mais de 5 mil camas que o grupo possuía em 2016. Até 2020, a perspetiva é de que, fruto dos planos de desenvolvimento existentes, se atinjam quase quatro mil quartos.

Na Hoti trabalham cerca de 800 funcionários, contabilizando os trabalhadores efetivos e os subcontratados. No que respeita ao volume de negócios, a empresa faturou mais de 60 milhões de euros em 2016. Nos próximos três anos, a esperança dos seus responsáveis é que este índice suba até aos 90 milhões. Para a consecução de tal desiderato, o grupo irá investir uma verba que deverá chegar a perto de 100 milhões de euros e que se irá materializar, entre outros aspetos, na construção de mais sete unidades hoteleiras.

Para fechar, e dentre os projetos a concretizar no curto prazo, Manuel Proença destaca a criação de um estabelecimento que terá como conceito a portugalidade. “É um projeto que resulta de uma parceria entre nós e a Feira Internacional de Lisboa e que visa promover produtos e marcas nacionais. Queremos fazer um hotel em Lisboa e outro no Porto só com produtos portugueses”.

Como exportou?

A exportação, no caso de empresas como a Hoti Hoteis, é mensurável sobretudo pelos turistas que, vindos de outros países, escolhem as unidades deste grupo para se hospedarem – e, como foi referido, eles são numerosos e oriundos de vários lugares. Manuel Correia justifica este fenómeno pela associação da Hoti a nomes conhecidos como a Tryp e a Meliá. “As parcerias com estas marcas foram essenciais porque estamos a falar de duas das maiores cadeias do Mundo. Isso fez com que atingíssemos uma grande dimensão mais rapidamente porque ficámos logo integrados numa rede global. Se, por outro lado, tivéssemos feito apenas uma aposta numa abordagem exclusivamente nacional, teríamos dificuldade em captar procura internacional”. O presidente do conselho de administração destaca ainda, nesta empresa, a existência daquela que considera ser “uma qualidade máxima, seja a que nível for da hotelaria”, ao mesmo tempo que exalta “os bons profissionais”.

Duarte Pernes

 

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