Fazemos Bem

11/09/2017

Liderança no vinho verde conquistada com esforço de cinco gerações

Aveleda. Portugal é um país vinícola por excelência, contando com uma tradição ancestral na produção e comercialização de vinhos de diversos estilos. A contribuir para a obtenção deste estatuto está a Aveleda, um dos nomes cimeiros do ramo da vinicultura a nível nacional e que ostenta uma longevidade admirável, tendo iniciado a atividade no início da década de 70 do século XIX. O negócio perdurou e proliferou até aos dias de hoje e a Aveleda atingiu mesmo a liderança no mercado da Região dos Vinhos Verdes. Perto de Penafiel está situada a antiga e deslumbrante quinta que serve de palco natural para que as suas vinhas frutifiquem.

Mas para abordar a vasta história da Aveleda é imprescindível que se destaque o papel da família Guedes, cujo trabalho é indissociável do progresso registado, já que foi ela a garantir sempre a gestão do grupo (condição que mantém há cinco gerações). Martim Guedes é quem, em conjunto com o primo António Guedes, está encarregado de governar os negócios que a Quinta da Aveleda desenvolve. Ao JN, o administrador da empresa começou por explicar, resumidamente, o momento que deu o mote para esta imensa trajetória: “A quinta já estava na nossa família no século XIV. De qualquer forma, o vinho em si começou a vender-se em 1870, graças a Manuel Pedro Guedes, meu trisavô. Em 1888 ganhámos duas medalhas de ouro, uma em Berlim e outra em Paris, o que demonstra que estávamos à frente do que se fazia na época”.

O passar do tempo significou uma evolução naquilo que a quinta produzia. Atualmente constam do seu catálogo vinhos de diferentes tipos, sendo que a empresa é ainda detentora da conhecida marca Casal Garcia. De igual modo, o grupo tem apostado na venda de aguardentes e de queijos. “É verdade que somos mais conhecidos pelos vinhos verdes, mas não paramos por aí. O Alvarinho tem sido um grande investimento nosso e, por isso, plantamos cerca de 60 hectares nos últimos cinco anos. Também fizemos vinho verde rosé e correu muito bem porque já vendemos mais de 1 milhão de garrafas. Além disto, e desde 1971, temos a aguardente, que representa um segmento pequeno, mas de muito prestígio. Finalmente, a partir de 1986, começamos a fazer queijo e, hoje em dia, vendemos 100 toneladas por ano”, esclareceu Martim Guedes.

Foi nas exportações que a Aveleda encontrou a sua principal fonte de receitas. Ao todo, o grupo exporta para perto de 70 países. Estados Unidos e Alemanha são os mercados mais importantes, ao representarem cerca de um terço das vendas totais. Para lá destes dois, há a realçar igualmente a França, o Canadá e o Brasil, onde aliás esta empresa iniciou a sua expansão negocial.

Os clientes das marcas que o grupo detém são também eles muito diferentes, algo que se deve ao facto da Aveleda procurar, de modo propositado, ir ao encontro de gostos distintos. Como referiu o administrador da empresa, “o objetivo é chegar a diversas pessoas. O Casal Garcia tende a estar presente em segmentos jovens. Já o Aveleda atinge consumidores mais maduros. Adega Velha ou Vale Dona Maria, por exemplo, são marcas premium e que se dirigem a enófilos, ou seja, a públicos conhecedores e experientes nestas matérias”.

No que respeita à produção, os 205 hectares de vinhas da Quinta da Aveleda asseguram à empresa um número que deve chegar aos 20 milhões de garrafas em 2020. Em termos de armazenamento, o espaço tem capacidade para 300 pipas de aguardente e 15 milhões de litros de vinho. Segundo Martim Guedes, o importante é conseguir superar os desafios que vão surgindo: “Vamos acompanhando a procura, tentando responder sempre com qualidade. A Região dos Vinhos Verdes é muito urbana e isso é difícil para a agricultura, portanto queremos encontrar boas parcelas de terreno para ter a certeza de que podemos dar uma resposta positiva. Neste momento, temos um plano que consiste em mais do que duplicar a nossa área de vinha nos próximos cinco anos”.

A colaborar com a Aveleda estão à volta de 130 funcionários. Aqui, a tendência aponta para um predomínio de profissionais qualificados devido à dureza que o trabalho neste ramo supõe. Seja como for, o administrador da empresa assegurou que, no futuro, é provável que haja um crescimento deste índice.
Relativamente ao volume de negócios averbado no ano transato, o grupo faturou 33 milhões de euros. Em 2017, estima-se que esta cifra ascenda aos 35 milhões. Note-se que a maior parte destas verbas são provenientes dos vinhos, com as marcas Casal Garcia e Aveleda a destacarem-se claramente.

Sobre aquilo que o médio e longo prazo poderão trazer, Martim Guedes não esconde o desejo de continuar a crescer lá fora, mas mantendo o cunho familiar preservado até agora: “O que há para fazer por esse Mundo fora é imenso”.

Como exportou?

Desde há bastante tempo que a Aveleda se habituou a trabalhar com os mercados externos e a direcionar parte significativa da sua produção para lá. No entender de Martim Guedes, o segredo para o triunfo do grupo no estrangeiro esteve na sua capacidade de adaptação às especificidades que cada lugar assume. “Os hábitos de consumo variam de país para país. Nós temos de chegar com propostas de valor e que sejam relevantes. A crítica internacional, felizmente, tem sempre pontuado bem os nossos vinhos e isso mostra aos clientes que temos traçado um caminho de qualidade”. Ao mesmo tempo, este administrador destacou a capacidade que a empresa mostrou em antever as oportunidades: “Os meus tios, há mais de 20 anos, contrataram uma pessoa só para trabalhar o mercado dos EUA, quando este era ainda muito incipiente e quase não existia. Conseguimos antecipar-nos e perceber onde é que estavam os mercados de futuro”.

Duarte Pernes

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