Fazemos Bem

04/09/2017

A roupa interior portuguesa que trouxe ímpeto às exportações

Impetus. Exporta a quase totalidade dos milhares de peças de vestuário que produz diariamente, vai ao encontro dos gostos de miúdos e graúdos e até tem o ex-presidente da República Cavaco Silva como cliente e o guarda-redes do FC Porto Iker Casillas como embaixador. Estes são apenas alguns dos pontos em destaque na curiosa e imensa história da Impetus, um grupo empresarial nortenho que descobriu na roupa interior a sua especialidade e uma área de negócios lucrativa.

À frente dos destinos da Impetus está aquele que é também o seu fundador. Alberto Figueiredo inaugurou a empresa em dezembro de 1973 e, volvidos 44 anos, mantém-se na sua liderança, com o mesmo entusiasmo de antes e uma vontade inspiradora de continuar a progredir e a triunfar. “Começámos a trabalhar com apenas seis operários e fazíamos roupa interior masculina. Na altura, vendíamos para Inglaterra. A seguir ao 25 de abril, no entanto, cancelaram-nos as encomendas todas. A verdade é que ficámos com a mercadoria e acabámos por vendê-la aos ciganos por 80 mil contos”, explica o presidente do grupo. Os primeiros tempos após a Revolução dos Cravos foram férteis em vendas no mercado interno e, por isso, só por volta dos anos 80 a Impetus retomou a sua política externa de negócios.

Ainda hoje, a roupa interior masculina detém o protagonismo do trabalho desenvolvido nesta empresa que possui uma marca com o seu próprio nome, para lá da licença de produção e comercialização de duas outras insígnias: a italiana Replay e a francesa Eden Park. Não obstante, é o private label (designação dada ao modelo de terceirização de produção) para chancelas como a Tommy Hilfiger ou a Calvin Klein que ainda goza do centro das atenções da Impetus. A sua gama de oferta não está restringida aos bóxeres e slips, completando-se com propostas de pijamas, roupa de casa em geral e calções de praia. Da mesma forma, os segmentos de mulher e criança, apesar de terem um peso menor, constam do catálogo do grupo.

É na freguesia de Barqueiros (concelho de Barcelos) que a empresa está sediada, possuindo ainda mais três fábricas – uma delas em Cabo Verde. Do ponto de vista comercial, refira-se que a Impetus está presente em grandes centros e armazéns de referência, onde se destacam o El Corte Inglês e as galerias Lafayette. O grupo, de resto, tem perto de 3 mil lojistas a quem vende boa parte dos seus artigos, mas Alberto Figueiredo refere que a maior atenção está direcionada para aqueles que são, no fim de contas, os que utilizam os produtos e justificam o interesse dos comerciantes. “A nossa grande preocupação são os consumidores finais. Esses é que são essenciais. Verificamos que, às vezes, o retalho tem um comportamento e os clientes outro. Nós tentamos perceber o que é que as pessoas gostam e transmitimos esta informação aos retalhistas, pois ninguém compra aquilo que a seguir não se vende”.

Na lista de compradores finais há todo o tipo de indivíduos em termos etários: dos jovens aos mais maduros. Ainda assim, este é um vestuário que se encontra muito direcionado para executivos e personalidades com altos cargos de chefia. Desta lista consta, a título de curiosidade, o nome de Aníbal Cavaco Silva, que confessou a sua preferência pela marca, numa visita que realizou a uma das fábricas do grupo, em 2015, quando ainda era presidente da República. “Tenho sido surpreendido, em várias ocasiões, por muita gente que vou conhecendo e que me diz que é nossa cliente”, revela o dirigente máximo da Impetus.

Sobre os dados de faturação da empresa, foram averbados 53 milhões de euros no ano passado, provenientes das 20 mil peças que são, em média, produzidas por dia. Para 2017, Alberto Figueiredo acredita que o volume de negócios suba. A contribuir para todo este êxito de tesouraria estão 800 trabalhadores, com 600 deles a operar em território português.

O mercado externo assume uma predominância clara nos negócios realizados, detendo mais de 95% da fatia de transações. São, ao todo, cerca de 30 nações para as quais se têm vendido peças associadas à empresa, correspondendo a 15 mil pontos de venda. Entre elas, destaque para os Estados Unidos, França, Suíça e o México. Em Espanha, a Impetus reformulou o seu sistema de vendas, conseguindo deste modo ganhar uma força maior no país vizinho. Ter contado com Iker Casillas enquanto promotor da marca foi, segundo Alberto Figueiredo, um trunfo importante: “Veio dar-nos mais projeção no mercado espanhol, e não só. Quisemos levantar a cotação da marca e credibilizá-la pela associação à imagem do Casillas”.

Para terminar, o presidente da Impetus não esconde o desejo de, no futuro, continuar a fazer mais e melhor. “Queremos ser os melhores. Temos essa ambição. Só dessa forma é que a empresa se pode aguentar e eu quero que ela exista para além de mim próprio”.

Como exportou?

Como exportou cada vez mais? Alberto Figueiredo destaca o papel relevante que, em tempos, as feiras de negócios tiveram para que empresas como esta conseguissem penetrar nos mercados internacionais: “Feiras como aquelas que se faziam na Exponor tiveram um contributo importante. Vinham cá pessoas de todo o lado. Aliás, recordo-me que arranjei um cliente nos Estados Unidos e outro na Alemanha justamente através desta feira. Depois começámos a participar também em eventos do género lá fora”. Ao mesmo tempo, o presidente do grupo chama a atenção para os passos seguros e progressivos que foram dados na internacionalização: “Não é possível estarmos em todo o lado ao mesmo tempo. Não pretendemos estar bem em todos os países, queremos é estar bem em quatro ou cinco e só depois é que vamos para o sexto e para o sétimo. A nossa estratégia é apostar mercado a mercado, tornando-nos grandes em cada um deles”.

Duarte Pernes