Fazemos Bem

28/08/2017

Promover as empresas exportadoras vai acelerar a economia

Os Prémios Fazemos Bem já retrataram seis empresas que se destacaram pelo seu contributo para a inovação, o primeiro ciclo da iniciativa do Jornal de Notícias (JN). A partir do dia 4 de setembro, as seis reportagens apresentadas ao leitor, sempre à segunda-feira, irão incidir sobre as empresas que dão um contributo significativo para as exportações.

De acordo com as previsões para a Economia Portuguesa do Plano de Estabilidade e Crescimento até 2021, caso se verifique um crescimento das exportações de 4,5% ao ano e uma curva ascendente progressiva do Produto Interno Bruto (PIB), as vendas ao exterior ultrapassariam a metade do PIB em 2021 (50,17%), conforme lembra um estudo recente da Iberinform sobre a evolução da economia portuguesa. A verificar-se este cenário, tratar-se-á de um autêntico salto quântico. Em 1996, o valor das exportações equivalia a apenas 18,6% do PIB e em 2016 ultrapassou a marca dos 40% (40,2%).

Fonte: Iberinform

As empresas com perfil exportador entre 2010 e 2015 eram, em média, 20 362 e representavam 5,6% do total de sociedades não financeiras, 32,6% do volume de negócios gerado e 21,5% do pessoal ao serviço, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE). Ora, a evolução do peso das exportações na economia prende-se muito com o tipo de novas empresas que vão surgindo no panorama nacional. As startups, por exemplo, têm vindo a acentuar o perfil exportador. Segundo o estudo “Empreendedorismo em Portugal”, produzido pela Informa D&B, 11,6% das novas empresas venderam para o exterior no primeiro ano de vida, número relativo a 2015 e que representa um crescimento de 4,4 pontos percentuais face a 2008, passando também as vendas para os mercados externos a representar mais de metade do seu volume de negócios.

Os Prémios Fazemos Bem, que estão agora na sua quinta edição, contam com o patrocínio da Exponor e ainda com os apoios da Associação Comercial do Porto e da Associação dos Industriais de Construção Civil e Obras Públicas. A Carmo & Cerqueira é parceira dos Prémios Fazemos Bem ao nível da auditoria, colaborando ativamente com o júri para a escolha das melhores empresas a distinguir. Sobre a iniciativa, José Carmo, partner da Carmo & Cerqueira (auditora já descrita no artigo de arranque da edição de 2017 e que pode ser revisto aqui), volta a enaltecer a contribuição desta na promoção e divulgação dos bons projetos empresariais do país. “Aqueles que são reconhecidos são estimulados a fazer melhor e os que esperam esse reconhecimento também se esforçarão para serem distinguidos em anos futuros. Acho que é sempre bom elogiar a superação e o trabalho das empresas. E é isso mesmo que o JN faz aqui”.

A edição deste ano conta com algumas novidades relativamente ao modelo que foi sendo seguido até aqui. Desta feita, serão apresentadas aos leitores as histórias de um total de dezoito empresas, distribuídas segundo três critérios de seleção essenciais e já definidos: inovação, exportação e crescimento. Por cada um dos tópicos, foram eleitas seis unidades empresariais que podem pertencer a qualquer um dos três setores de atividade (primário, secundário ou terciário). As seis primeiras já foram retratadas, tendo sido desvendados alguns dos segredos do sucesso da Livraria Lello, ERT, Dacsa Atlantic, Itec, Outsystems e Arsopi. As reportagens, que incluem vídeo, podem ser consultadas no site da iniciativa: “fazemosbem.jn.pt”. No final, em dezembro próximo, irão ser premiadas três empresas deste lote – uma por cada tópico.

Algumas das empresas revelaram a explicação para o seu perfil inovador e, olhando para duas das seis eleitas pelo júri da iniciativa, percebe-se que o sucesso não é fruto do acaso. “Isso tem a ver também com a cultura da empresa, que promove e favorece a inovação que se dá de baixo para cima”, explicou Paulo Rosado, CEO da Outsystems. E há velhas fórmulas que permanecem inalteradas. “Costuma dizer-se que a fórmula é 95% de transpiração e 5% de inspiração”, recordou Luís Marques, CEO da Dacsa Atlantic.

Encarregado não só de escolher as referidas dezoito empresas a serem focadas pelo JN, como de premiar os vencedores, está um júri altamente qualificado nestas matérias e que é composto por António Fontainhas Fernandes, reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Paulo Nunes de Almeida, presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP), Ricardo Luz, administrador da Instituição Financeira de Desenvolvimento, Carlos Melo Brito, pró-reitor da Universidade do Porto, Pedro Araújo, editor do Dinheiro Vivo, e Fernando Alexandre, pró-reitor da Universidade do Minho.

Exponor

Aumento das exportações como objetivo principal

A Exponor associou o seu nome também a este segundo ciclo temático dos Prémios Fazemos Bem. Paulo Nunes de Almeida, presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP), defende que “os grandes motores do crescimento económico sustentável são o investimento e as exportações, onde o protagonismo das empresas é evidente”. Nunes de Almeida aproveita, igualmente, para salientar o contributo da Associação para o fomento da exportação: “A AEP continuará a desenvolver iniciativas de apoio aos processos de internacionalização das empresas portuguesas, no sentido de alargar a base exportadora e diversificar os mercados de destino”.

O presidente desta instituição refere ainda que “o aumento da capacidade exportadora deve continuar a constituir um desígnio nacional, pois essa será a forma mais sustentável de Portugal crescer”. Porém, acrescenta que tal passa “pela criação de um conjunto de condições favoráveis ao alcance desse desígnio, nomeadamente no que se refere ao financiamento de suporte à atividade e ao investimento empresarial”.

Associação Comercial do Porto

Região Norte com grande peso nos negócios internacionais

A Associação Comercial do Porto (ACP) é outra das parceiras deste segmento, ligado ao tema da exportação. Nuno Botelho, o seu presidente, realça o papel que as empresas de cariz exportador têm na economia portuguesa: “As empresas que se dedicam quase em exclusividade à exportação, dão um contributo direto e significativo para o superavit da balança comercial nacional”. O líder da ACP destaca, neste aspeto, o peso que a região nortenha tem assumido: “O Norte representa 40% das exportações do país, com várias empresas e setores do mercado que produzem sobretudo para exportação. Temos, na Associação Comercial do Porto, um conjunto vasto de associados e de parceiros que contribuem para este dado tão positivo”.

Sobre esta iniciativa do JN, Nuno Botelho acredita que “premiar o mérito das empresas exportadoras assegura uma boa visibilidade aos seus negócios e contribui para a promoção internacional”. Isto adquire particular relevância já que, segundo o mesmo, “as PME são um motor quase invisível das exportações nacionais”.

Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas

Empresas exportadoras prestam serviço público ao país

Tal como ocorreu anteriormente, a Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN) juntou-se a esta nova etapa dos Prémios Fazemos Bem. Manuel Reis Campos, que preside esta instituição, considera que as empresas eminentemente exportadoras prestam um serviço inestimável à sociedade, sob vários pontos de vista: “São extremamente relevantes. O seu dinamismo – como é o caso das empresas do setor da construção e do imobiliário, não apenas pelo que representam por si, mas também pelo efeito de arrastamento que exercem sobre outros setores – é fundamental”.

Em relação ao foco que será dado a essas empresas pelo JN, Reis Campos não tem dúvidas da sua pertinência, assim como do efeito impulsionador que este poderá ter noutros negócios. “A internacionalização da economia portuguesa é um propósito que tem de estar presente e ser alargado a um maior número de empresas nacionais, pelo que destacar PME’s que desenvolvem estratégias de sucesso no exterior é uma iniciativa que se reveste da maior importância”.

Duarte Pernes