Fazemos Bem

14/08/2017

Competência de aço leva negócio de raiz familiar a impor-se fora do país

Arsopi. Falar de metalurgia e da indústria que a suporta no contexto nacional implica, obrigatoriamente, mencionar a Arsopi, enquanto empresa de referência neste setor. Acrónimo de Arlindo Soares de Pinho – fundador do grupo que, até hoje, mantém o vínculo familiar na sua administração – a Arsopi dedica-se à conceção, produção e montagem de equipamentos em inúmeros materiais, tais como o aço inoxidável, aço carbono, aço duplex, titânio ou alumínio.

A criação desta metalúrgica recua ao início da década de 40 do século XX. Cerca de 10 anos após a sua fundação são inauguradas as atuais instalações, em Vale de Cambra, o que permitiu uma diversificação da produção. Jorge Pinho, administrador da Arsopi, recorda como tudo se iniciou e evoluiu até se chegar ao presente. “Surgimos em 1942 e começámos com uma pequena unidade fabril que fazia peças para a indústria de laticínios e reparações automóveis simples. Depois, fomos crescendo, passámos a fazer máquinas e a trabalhar para outros campos, como os vinhos e as bebidas, e mais recentemente as áreas da química, petroquímica e energia. Portanto, conseguimos crescer aceitando novos desafios e fazendo coisas novas. No final dos anos 60 começou a vender-se para o estrangeiro. Agora já estamos em mais de 100 países”.

O grupo tem, efetivamente, nas vertentes alimentares (laticínios, vinhos e outras bebidas), industriais (química, petroquímica, petróleo e gás, energia, etc.) e de fundição as suas maiores esferas de atuação, com predominância das duas primeiras. Nomes reconhecidos nos mercados como a Nestlé, Compal, Lactogal, Andritz, Galp, Shell ou Total figuram entre a clientela principal da Arsopi. Do ponto de vista da conceção dos produtos, a empresa segue uma matriz flexível e não estandardizada. “Somos uma espécie de alfaiate de equipamentos porque, de facto, fazemos tudo à medida do que nos é proposto”, refere Jorge Pinho.

Como referido, a Arsopi opera com um elevado manancial de materiais, mas é o ácido inoxidável que dá azo à maioria dos trabalhos, representando 60% do fabrico. Contudo, o administrador do grupo conta que um dos objetivos imediatos passa por uma abertura a outras especialidades: “Estamos a fazer materiais resistentes a altas temperaturas e que são usados na produção de fertilizantes. Trata-se de materiais que têm processos de soldadura muito complicados, tanto que só há três ou quatro empresas em toda a Europa a fazê-los”.

Importa destacar também uma iniciativa em desenvolvimento, na qual os dirigentes do grupo depositam esperanças, e que se prende com tecnologia de soldadura para equipamentos em materiais raros e caros – tântalo, nióbio e zircónio, usados na criação de ácidos. De resto, este projeto foi já apresentado no maior congresso europeu de equipamento sob pressão, que decorreu em Paris e que colheu a admiração e o louvor de todos os presentes.

Outro dos pilares da política levada a cabo pela Arsopi prende-se com uma crescente modernização nos níveis tecnológico e espacial. Jorge Pinho revela que, nos últimos cinco anos, a empresa investiu um número a rondar os 8 milhões de euros neste capítulo. Aliás, nesta altura, está a finalizar-se a construção de um pavilhão novo que irá permitir fazer uma separação eficaz entre o aço carbono e os outros materiais, indo desta forma ao encontro das exigências colocadas por alguns clientes. “Temos investido em instalações e feito uma aposta em máquinas mais eficientes e rigorosas”, afirma o administrador.

Além da sede de Vale de Cambra, a metalúrgica possui infraestruturas em Espanha e no Brasil. A trabalhar nela está um total de 480 funcionários, estando 380 deles a operar em Portugal. Mantê-los altamente motivados e qualificados, de modo a satisfazer as exigências dos que procuram os serviços da empresa, é um dos motivos para o seu êxito. Acrescente-se que a Arsopi já formou mais de 700 alunos – através do centro de educação profissional que detém – aos quais concede oportunidades de trabalho em função do aproveitamento. Jorge Pinho não esconde o regozijo e o orgulho pelos resultados alcançados neste aspeto: “Quando começam a trabalhar, estes jovens já estão bem preparados e produzem bastante”.

No que respeita à faturação relativa ao ano anterior, a empresa alcançou os 40 milhões de euros. Para 2017, é possível que se registe um aumento de perto de 5% neste índice. Estas verbas, assegura o administrador, justificam-se pela “qualidade do que é feito e pelo facto de não existir receio de inovar, havendo ao mesmo tempo a consciência de que não se deve arriscar demasiado”.

Seguir as tendências e os requisitos do que se vai vendo no âmbito metalúrgico e fazer aquilo que poucos fazem é o trilho que a Arsopi planeia seguir no futuro. Tudo isto sem perder de vista as suas origens e tradições familiares.

Como inovou?

A inovação manteve-se sempre como vetor fulcral na ação desenvolvida pela Arsopi ao longo do seu historial. O facto de fornecer múltiplas empresas ajudou esta metalúrgica a estar preparada para dar resposta a situações que obrigam a um trabalho diversificado. “Como trabalhamos por projeto e diretamente com os nossos clientes para lhes oferecer soluções novas e à medida, temos inúmeros desafios diferentes”, esclarece Jorge Pinho. O administrador do grupo volta, além disso, a frisar a importância deste se dedicar a vertentes em que poucos incidem. “Cada vez mais, na área industrial, operamos com materiais sofisticados e de maior valor acrescentado, mas que são difíceis de trabalhar porque têm imensos requisitos. Aqui há pouca concorrência e nós queremos posicionar-nos exatamente como fabricantes de equipamentos especiais”. A sua ida até ao Brasil justifica-se por se tratar de um grande mercado, onde há ainda muito por fazer no setor.

Duarte Pernes

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