Fazemos Bem

07/08/2017

Tecnológica arrancou em garagem mas cedo conquistou a liderança

Outsystems. Exaltar o que se faz bem em Portugal é abordar também a área da informática e das novas tecnologias. E é justamente neste âmbito que se tem destacado o grupo Outsystems, uma empresa nacional que é líder no desenvolvimento e oferta de plataformas low-code (também conhecidas como agile software) que por sua vez se caracterizam, em traços gerais, por permitir uma rápida criação de aplicações empresariais, móveis e de web com custos baixos e em todos os dispositivos. Por outras palavras, o que esta tecnológica veio fazer foi simplificar processos, dando assim a hipótese das empresas conseguirem desenvolver mais rapidamente as suas aplicações e, com isso, melhorarem a sua capacidade negocial.

Aquilo que a princípio podia parecer um pormenor, veio ajudar a solucionar os problemas de muitas entidades e permitiu que a Outsystems crescesse e se lançasse com celeridade à conquista do Mundo. Paulo Rosado é o CEO do grupo e ao JN começa por contar o que levou a que a empresa fosse criada: “Havia um problema endémico dos departamentos de informática, que tinham uma dificuldade descomunal em entregar as coisas a tempo e horas. O que nós fizemos foi perceber porque é que havia esse problema e criámos um produto que o resolve. Com o nosso produto, os projetos que são feitos dentro destes departamentos são sempre finalizados dentro do prazo. No fundo, resolvemos um problema muito grande, que toda a gente julgava impossível de resolver, e por isso é que estamos a crescer tanto”.

Se é certo que, no presente, este grupo se encontra na vanguarda da engenharia informática e assume uma pujança visível e mensurável por diversos fatores, os seus primeiros passos não podiam ter sido mais tradicionais em termos de espaço. Quando em 2001 foi fundada, a Outsystems operava a partir de uma garagem antiga, mudando-se depois para uma moradia que também estava longe de satisfazer os preceitos e ambições dos seus responsáveis. Uma história similar à da Google e que, tal como a gigante norte-americana, viria a conhecer uma rápida e enorme transformação. De tal forma que, hoje, a empresa possui uma sede de grandes dimensões, no edifício do Central Park, em Linda-a-Velha.

Em 2003, a Fortune – uma revista americana de renome na especialidade dos negócios – publicou um artigo sobre a Outsystems, em que não lhe poupava elogios. Isto contribuiu para a que a sua imagem internacional saísse reforçada, contando então com perto de 30 clientes. Importa, contudo, esclarecer que a tecnológica começou a internacionalizar-se logo em 2001, chegando aos mercados holandês e espanhol. Segundo Paulo Rosado, a empresa demonstrou visão e esse foi um dos motivos para o sucesso atingido. “Nós sabíamos que isto era algo de interessante. Quando começamos, não tínhamos rivais e ainda hoje não temos”.

A carteira de clientes deste grupo é variada. No total, contam-se 180 parceiros, provenientes de mais de 20 indústrias diferentes. Em Portugal, a Outsystems fechou acordos com instituições como o BPI, a EDP ou a Fidelidade. Fora do país, tem clientes em 43 nações. A juntar a isto, está a presença no Reino Unido, Irlanda, Holanda, Finlândia, Brasil, Japão, África do Sul, entre outros, com escritórios próprios ou através de parceiros. “Os mercados são todos importantes. Agora estamos a centrar-nos, em termos de investimento, nos Estados Unidos porque é um mercado que se mexe com rapidez, mas temos vendas em todo lado”, comenta o CEO da empresa.

No ano passado, a Outsystems averbou mais de 100 milhões de dólares (mais de 84 milhões de euros) em vendas. Um número que vem na linha do crescimento anual de 60%, registado nas suas receitas de software. Para 2017, Paulo Rosado prefere não avançar com nenhuma previsão, mas afirma que deve haver uma ligeira subida nesta percentagem. Já sobre postos de trabalho, o índice é igualmente clarificador da dimensão do grupo: ao todo, contam-se mais de 550 funcionários (em Portugal são mais de 340, incluindo os polos existentes em Braga e Proença-a-Nova). Refira-se que, há alguns anos, não eram mais de 20 os que trabalhavam na tecnológica.

Ao longo de toda a sua trajetória, os prémios acumulados pela empresa foram inúmeros. De destacar os galardões de “Melhor Plataforma de Desenvolvimento de Aplicações Móveis” e “Melhor Plataforma Cloud como Serviço”, atribuídos ambos nos CODiE Awards. Realce também para o facto de ter sido considerada “líder” pela Forrester e “visionária” pela Gartner – duas prestigiadas analistas do segmento das tecnologias de informação.

Por fim, Paulo Rosado deixa uma mensagem de otimismo para o que aí vem: “Somos líderes nesta categoria, estamos a crescer a uma velocidade impressionante e, portanto, temos um caminho muito bom pela frente. Queremos tornar as operações mais eficientes, de modo a comprimir os ciclos de venda e satisfazer a procura que cada vez é maior”.

Como inovou?

A Outsystems trouxe uma plataforma que, por si mesma, já se constitui como algo de inovador e útil. “O nosso produto é tão disruptivo e distinto que, durante 11 ou 12 anos, estivemos a vender algo que não tinha comparação. Andámos a criar o mercado porque vendemos um produto diferente”, explica o CEO do grupo. Para além disto, e como também salienta Paulo Rosado, esta tecnológica procura tirar proveito daquilo que o seu próprio ambiente interno oferece, fomentando e premiando o esforço e a inspiração dos seus funcionários. “Nós somos extraordinariamente diferenciadores em todos os aspetos. Isso tem a ver também com a cultura da empresa, que promove e favorece a inovação que se dá de baixo para cima. Ou seja, começa nas periferias e depois as boas ideias são aproveitadas, transformando-se frequentemente em programas estratégicos que nós usamos. A maioria dessas ideias vem de pessoas que estão no terreno e dos colaboradores que desempenham as mais diversas funções”.

Duarte Pernes

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