Fazemos Bem

31/07/2017

A empresa fiel amiga da indústria automóvel que cresce sem limites

Itec (Iberiana Tecnhical) é o nome de uma empresa de engenharia com berço bracarense, mas cuja expressão extravasou fronteiras regionais e nacionais, conseguindo destacar-se no comércio de equipamentos e serviços, em particular para a indústria eletrónica e de automóveis. Em concreto, a Itec opera na área de aparafusamento, doseamento de fluidos, proteção ESD, soldadura, automação e robótica. Para além disto, trabalha com marcas mundialmente famosas, como por exemplo a Bosch. A sua meta reside, entre outras coisas, em criar e manter parcerias duradouras com os clientes.

Um dos sócios-gerentes da Itec é Carlos Rodrigues, que chegou a esta firma logo no ano de arranque, em 2006, sendo um dos fundadores. A experiência já adquirida neste âmbito foi uma mais-valia para o desenvolvimento de um projeto que, como todos outros, conheceu uma fase embrionária: “Tinha trabalhado 9 anos numa outra empresa e entendi que devia fazer algo diferente, numa iniciativa própria. Foi então que – juntamente com outro sócio, chamado Pedro Iglésias – criei a Itec e começámos logo aí a fornecer as indústrias eletrónicas e de automóvel. A princípio exercíamos somente a atividade de trading”.

Dois anos após o nascimento da empresa, dá-se a entrada de mais dois associados com interferência na sua gestão: Valentino Pereira e Paulo Compadrinho. A partir daqui, a Itec criou novas unidades de negócio e abriu-se também ao campo da engenharia, através da construção de máquinas. “Daí para a frente fizemos dispositivos industriais e umas pequenas células, com pequenos robôs, e depois houve um crescimento natural para processos de complexidade maior”, explica Carlos Rodrigues.

No entanto, os primeiros tempos não se afiguraram fáceis, já que foram sentidas dificuldades em singrar no mercado. Carlos Rodrigues e Valentino Pereira contam o que aconteceu: “Numa fase inicial há sempre contratempos. Foi preciso partir muita pedra para conquistar clientes e já se sabe que os primeiros negócios, normalmente, são os que custam mais. Estamos a falar de multinacionais e para que elas aceitem e negoceiem com um fornecedor novo, tem de haver uma justificação. Ou seja, esse novo fornecedor tem de trazer algo de valor acrescentado. É preciso que haja alguma coisa diferenciadora”. A persistência dos que se associaram a este projeto esteve, portanto, na base da capacidade demonstrada para tornear um início que podia ter sido comprometedor.

Nos dias de hoje, a firma conta com um vasto leque de clientes onde constam, por exemplo, os nomes da Simoldes, da Vishay, da Kathrein, da Autoeuropa ou da Renault, além da Bosch, referida anteriormente. Os dados no que respeita à produção são incertos, até pela morosidade que representa a construção de certos aparelhos, mas Carlos Rodrigues assegura que o crescimento neste domínio tem sido considerável e prova-o com números: “Em termos de células robotizadas, este ano devemos fazer algumas centenas de máquinas. Se tivermos ideia que em 2008 fizemos três, tem havido um aumento acentuado”.

Para lá da atividade direcionada à indústria eletrónica e à indústria automóvel, a Itec opera com o ramo dos plásticos, da assemblagem geral e dos moldes. Contudo, são mesmo os carros a ter destacadamente a primazia das atenções da empresa, representando mais de 95% da sua fatia de vendas. Segundo os sócios-gerentes, trata-se de “um setor muito exigente” e que requer um tratamento permanente.

Os índices relativos à faturação estão em consonância com o desenvolvimento registado nos outros pontos, particularmente desde 2015 – ano que marcou um grande salto a este nível. Em 2016, a Itec faturou cerca de 9 milhões de euros. A estimativa para 2017 é de que se atinjam os 13 milhões, sendo possível inclusive que este valor seja superado. Para isto, muito concorrem as 40 pessoas que ali trabalham, das quais 30 estão integradas na divisão de engenharia.

Do ponto de vista da internacionalização, poder-se-á afirmar que, também aqui, a Itec tem estado atenta, procurando continuar a expandir-se e a vincar ainda mais a presença em mercados emergentes, como os da América Latina e da Ásia. De resto, a empresa pretende colocar um colaborador seu a operar, em permanência, na Malásia.

Como resultado de todo este processo evolutivo está previsto que, em 2018, haja uma mudança de instalações para um edifício três vezes maior, pois o espaço existente tornou-se curto para as encomendas. Valentino Pereira esclarece que “até já foi necessário alugar um pavilhão para fazer face às necessidades”, acrescentando que “os próprios clientes pedem que haja uma área maior, que permita mais capacidade de trabalho”.

Como inovou?

Manter-se permanentemente atualizada e apostar numa política virada para a inovação é uma das bandeiras da Itec. Carlos Rodrigues enaltece exatamente esta postura inconformista e de procura de conhecimento sobre as novas tendências: “Temos muito trabalho de inovação em tudo aquilo que fazemos. Vamos a diversas feiras e mantemos o nosso pessoal continuamente informado para estarmos à altura e respondermos às exigências”. Valentino Pereira, por outro lado, exalta o cariz vanguardista da empresa e a sua apetência para satisfazer os pedidos dos clientes, às vezes até perante situações novas e desconhecidas: “Em muitas ocasiões, temos de ser nós a descobrir soluções. Por exemplo, ainda há pouco tempo a Vishay nos deu alguns desafios que não existiam até agora, relacionados com os carros da nova geração. Porém, a nossa experiência, as nossas parcerias com alguns fornecedores e os nossos contactos com a universidade permitiram-nos fazer coisas que, pelo menos a nível de processo, eram inexistentes”.

Duarte Pernes