Fazemos Bem

24/07/2017

Lezírias ribatejanas acolhem empresa líder na venda de arroz e milho

Dacsa Atlantic. As belas e imensas lezírias ribatejanas constituem-se como parte inestimável dos patrimónios natural e paisagístico português. Quem as contempla está, pois, perante um quadro em que o caudal do rio Tejo se conjuga na perfeição com as planícies adjacentes, dando origem a espaços agrícolas férteis, logo ali às portas de Lisboa. Mas na região do Ribatejo há outra coisa a merecer destaque pelo caso de progresso em que se tornou: chama-se Dacsa Atlantic e é uma empresa especializada na secagem, armazenamento, processamento e comercialização de milho e arroz, sendo líder nacional nas vendas de ambos.

Sediada perto da vila de Coruche – município pertencente ao distrito de Santarém – a Dacsa Atlantic adquiriu este nome no ano de 2015 mas a sua trajetória começou a escrever-se bem antes. Em 1925, uma firma inglesa chamada Atlantic Company transformou, através de uma drenagem cuidada, aquilo que eram apenas terrenos pantanosos numa área ideal para a agricultura. O pontapé de saída estava dado.

Na década de 80, porém, registou-se uma grande crise nas cooperativas agrícolas de cereais, havendo uma discrepância entre a produção e a indústria. Assim, em 1996, aparece a Certejo, uma companhia que tinha por missão preencher o vazio deixado pela falência de boa parte destas cooperativas. No final do ano de 2005, dá-se a parceria entre a Certejo – que se havia fundido com a Portalimpex, uma empresa conhecida no ramo dos cereais – e a Herdade da Comporta, da posse do Grupo Espírito Santo (GES). É então que, no dia 1 de janeiro de 2006, é fundada a Atlantic Meals S. A.

Este negócio foi fundamental para o desenvolvimento da empresa. Quem o afirma é Luís Marques, CEO da Dacsa Atlantic. “Permitiu-nos progredir muito; o modelo negocial que propusemos aos clientes foi bem recebido e conseguimos cativá-los. No primeiro ano da fusão, o volume de negócios duplicou e o crescimento nos anos seguintes andava já nos dois dígitos altos”. A posterior falência do GES, em 2014, não afetou o funcionamento da Atlantic Meals e esta pôde prosseguir o seu caminho. Até que em maio do ano seguinte, a Dacsa – Maicerías Españolas adquire 50% do capital da empresa, ficando a outra metade na posse do Monte da Barca S.A. A designação passava então de Atlantic Meals para Dacsa Atlantic.

No presente, a Dacsa Atlantic possui quatro marcas de arroz (a Ceifeira, a Atlantic Le Chef, a Atlantic e a Sorraia), sendo líder de vendas deste produto no mercado nacional, com mais de 30 milhões de embalagens comercializadas anualmente. No milho, verifica-se a mesma realidade, assumindo a empresa uma quota de mercado a rondar os 55% e tendo na indústria cervejeira a sua principal compradora. De referir também o trabalho realizado no fornecimento de farinhas para comida de bebé, algo que valeu ao grupo bastantes negócios na área.

Luís Marques acredita que toda esta ascensão é fruto, para além da privilegiada localização da companhia, de “trabalho árduo e uma relação de estreita proximidade com os produtores. Começa tudo aí. De seguida, é preciso perceber o que é que os consumidores querem, o que é que estão disponíveis para comprar, e ser flexíveis para com eles”.

Fora de Portugal, o grupo possui instalações em Espanha (Valência, Sevilha e Zamora), Inglaterra e Polónia. Segundo conta o seu CEO, entre a sede de Coruche e uma outra unidade em Biscainho “há capacidade de armazenagem instantânea para um total de 70 mil toneladas de arroz e de milho”. A trabalhar na empresa estão perto de 85 funcionários.

Relativamente a dados financeiros, a Dacsa Atlantic teve um volume de negócios, em 2016, em torno dos 38 milhões de euros. Para este ano, é esperada uma ligeira subida, podendo o grupo chegar aos 40 milhões de euros. Luís Marques comenta da seguinte forma os resultados obtidos: “Os números são positivos porque o investimento tem sido forte nestes anos todos. Estamos a investir agora um valor a rondar os 1,5 milhões em equipamento, mas houve uma altura em que chegamos a injetar cerca de sete milhões de euros por ano”.

No que a prémios e galardões diz respeito, a empresa foi já distinguida em múltiplas ocasiões e nos mais variados âmbitos. “Em 2008 fomos eleitos a melhor PME pela revista Exame; temos uma série de certificados; ganhámos um prémio da EDP, a propósito da sustentabilidade e poupança de energia. Em suma, somos mais eficientes do que os outros”.

Seguir na senda do desenvolvimento e da inovação é a meta que a Dacsa Atlantic traçou para o médio/longo prazo. “Queremos continuar a fazer mais e melhor e marcar pela diferença e pela exigência. Por exemplo, arroz qualquer um faz, mas arroz 100 % saudável já não é tão fácil porque é precisa uma equipa multidisciplinar a trabalhar durante horas e horas”.

Como inovou?

A par de doses industriais de trabalho, que obrigaram todos os colaboradores a perder horas de sono e fins de semana a fio, o maior segredo para o facto de esta ser uma empresa inovadora tem sido o saber surpreender continuamente o público. “Costuma dizer-se que a fórmula é 95% de transpiração e 5% de inspiração. Até termos isto encarreirado, demorou muitos anos e puxámos bastante pela cabeça”, esclarece Luís Marques. Além disso, o CEO da Dacsa Atlantic exalta a capacidade desta “em melhorar o processo todos os anos, poupando tempo e energia e indo buscar novas variedades, através de uma seleção dos melhores campos de cultivo e das melhores sementes”. A companhia detém uma vasta gama de arroz, que passa pelos tradicionais carolino e agulha e chega a outros que, quando foram introduzidos no mercado por este grupo, eram praticamente desconhecidos por boa parte dos consumidores, casos do basmati, thai, integral, vaporizado ou selvagem.

Duarte Pernes