Fazemos Bem

17/07/2017

O alfaiate português de automóveis que cresceu e já alcançou sete países

ERT. Veste automóveis de marcas tão famosas como a Volkswagen, Maserati, Rolls Royce ou BMW. Para além de Portugal, está em sete países. Chama-se Empresa de Revestimentos Têxteis (ERT) e está sediada em São João da Madeira. Dedica, há já alguns anos, grande parte da atividade à produção de têxteis técnicos. O triunfo que vem registando nos mercados deve-se a uma relação de flexibilidade com os clientes, conseguindo com isso satisfazê-los e fidelizá-los; à criação de valor, pela contínua melhoria e aposta em inovação e investigação; ao respeito pelos preceitos sociais e ambientais; e à motivação das pessoas que trabalham no seu seio.

De facto, os têxteis técnicos constituem-se como o “core business” da empresa, divergindo no conceito dos mais tradicionais por se centrarem mais em aspetos de cariz utilitário e funcional e menos no lado estético e de conforto. Fernando Merino, diretor de inovação da ERT, explicou melhor como funcionam as orgânicas do grupo e onde centra ele exatamente a sua ação: “o nosso grande negócio são os revestimentos de têxteis para interiores de automóveis: tetos, pilares e revestimentos das portas e dos acentos. Depois, estamos presentes e temos interesse também em áreas distintas, como o calçado, a mobilidade elétrica, os triciclos, as bicicletas, indústrias criativas, entre outras”.

A fundação desta empresa remonta ao ano de 1992. Nessa altura, segundo conta Fernando Merino, “a ERT tinha um monoproduto e uma única tecnologia, que era uma máquina de colar por chama que servia para juntar espumas com têxteis técnicos. Esse material era destinado à indústria de calçado para revestimento”. De seguida, o grupo foi crescendo e alargando o seu leque de atuação para múltiplas vertentes, como por exemplo tábuas de passar a ferro ou para os campos do desporto e da puericultura, sempre na base da colagem de materiais flexíveis.

O ano de 2000 marcou uma etapa fundamental para a ERT, que foi o início da sua atividade no ramo automóvel. “Em 2000, começámos a espreitar as oportunidades neste setor porque os estofos do Chrysler Voyager precisavam de têxteis colados com espumas para revestir assentos. Foi aí que nos apercebemos de que tínhamos tecnologia que podia ser útil para produzir produtos neste âmbito e, hoje, é isso mesmo que fazemos”. Esta penetração numa nova esfera negocial obrigou a empresa a modernizar-se – tanto a nível tecnológico como de recursos humanos – e também a obter certificações que atestassem a sua capacidade.

Entretanto, o grupo transformou-se numa multinacional e expandiu-se para outros lugares do globo. Para lá da unidade de São João da Madeira, a ERT detém ainda sucursais em sete países estrangeiros. São eles a Roménia, República Checa, Espanha, Alemanha, Bélgica, Polónia e Turquia. Em Portugal, existe ainda um outro espaço, localizado em Felgueiras. “O objetivo com a internacionalização foi estar mais próximo dos grandes centros de produção automóvel, num ranking que é liderado pela Alemanha”, revela Fernando Merino.

No presente, a empresa trabalha diretamente para várias marcas de onde sobressaem, entre outros, os nomes da Volkswagen, Maserati, ou Rolls Royce. De resto, ainda recentemente, a ERT saiu vencedora de um projeto para o revestimento do BMW série 8 e que lhe irá permitir encaixar quase 40 milhões de euros.

Do ponto de vista da produção, Merino afirma que “são feitos componentes têxteis para 20 mil carros por dia”. Um número que ilustra bem o volume de trabalho do grupo e que contribui para um estado de ânimo favorável dos seus responsáveis: “O clima é de otimismo, sentimos que a produção tem crescido e as nossas estratégias estão assentes numa previsão de crescimento”, comenta o diretor de inovação.

Em termos de índices respeitantes à empregabilidade, a ERT tem a seu cargo 700 funcionários, espalhados pelos vários polos que detém. Já relativamente à faturação, os valores situaram-se, em 2016, nos 90 milhões de euros, estando aqui contabilizado também o grupo inteiro. Para este ano, é estimada uma verba a rondar os 105 milhões.

Dos galardões já conquistados, destaque para o Prémio Inovação, atribuído pela Cotec, em novembro do último ano.

Sobre o que está para vir, Fernando Merino realça a continuidade na aposta da expansão do grupo. A juntar às referidas nações onde a empresa já se inseriu, está a possibilidade de abertura de um espaço em Marrocos, no próximo mês de setembro, e no México. Estes são projetos ligados ao ramo automobilístico. O diretor de inovação levanta ainda a ponta do véu sobre novos projetos. “Estamos a preparar-nos para trabalhar com o veículo autónomo. Sabemos que, no futuro, os carros podem não ter volante e as pessoas poderão viajar de modo diferente. Ou seja, vai haver mais espaço para a criatividade”.

Como inovou?

O segredo do êxito reside numa incessante e persistente política de novidades e de adaptação às exigências dos clientes e das conjunturas tecnológicas. Fernando Merino salienta precisamente esta firme intenção do grupo em manter-se sempre na vanguarda. “Fomos capazes de reagir constantemente aos desafios colocados pelos nossos principais clientes – em especial os do setor automóvel – através da modernização tecnológica”. O ano de 2012 trouxe, neste capítulo da inovação, uma viragem acentuada, já que foi a partir daqui que se começou, em definitivo, a olhar com atenção para aquilo que o futuro iria exigir. Isto mesmo é explicado pelo responsável da ERT: “Deixámos de ser uma empresa meramente reativa e passamos a antecipar os acontecimentos, olhando para as tendências e começando a pensar ao nível daquilo que são as grandes marcas de carros. Além disso, o website foi completamente reformulado e passou a ser uma ferramenta de comunicação”.

Duarte Pernes

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