Fazemos Bem

31/10/2016

Líderes hoteleiros na capital estendem cadeia para fora do país

SANA Hotels. Para que um país, como é o caso de Portugal, seja visto enquanto ponto turístico de referência não basta apenas ter para apresentar, como cartão de visita, monumentos arquitetónicos majestosos e repletos de história, ou praias e paisagens naturais arrebatadoras. A acompanhar aquele que é o património e a cultura de um local deverão, pois, estar uma série de infraestruturas que cativem as pessoas e as façam sentir-se confortáveis. Desde logo, unidades hoteleiras modernas e que consigam dar resposta na plenitude àquilo a que, hoje, os viajantes procuram.

A SANA Hotels – conjunto hoteleiro pertencente ao grupo Azinor – é um dos casos que ajuda a perceber o sucesso que o mercado nacional vem registando no ramo do turismo. A sua fundação data de 1999, muito embora a primeira unidade (o Capitol Hotel, em Lisboa) tenha sido erguida em 1983. O grupo detém um total de 16 hotéis, inseridos em Portugal, Angola e Alemanha. Neles estão subjacentes conceitos diferentes, tendo como objetivo primacial exatamente o de agradar aos variados públicos que os vão visitando.

É isto que Carlos Neves, administrador da SANA Hotels, começa por explicar em conversa com o JN. “Favorecemos conceitos distintos. Um deles é o Myriad, que se localiza na Torre Vasco da Gama. Trata-se de um ícone de Lisboa e nós aproveitamos e fizemos lá um hotel. É algo de completamente diferente. Depois, temos o Epic SANA, que representa os hotéis de 5 estrelas; o Excelence, ligado às nossas unidades de 4 estrelas; o Style, para os de 3 estrelas; o Residence, presente em Angola e Berlim, que foi idealizado para estadias de maior durabilidade; e o Evolution, virado para uma filosofia diferente do que há em Portugal e mesmo lá fora, privilegiando a alta tecnologia”. Importa acrescentar que dos 16 hotéis que o grupo SANA possui, 10 estão localizados em Lisboa, o que o torna no líder hoteleiro a operar na capital.

Além dos serviços mais usuais ligados à área, esta cadeia de hotéis procura, igualmente, destacar-se noutras vertentes, como a restauração, os spas ou através de espaços destinados a conferências. Carlos Neves advoga precisamente a necessidade dos hotéis evoluírem no sentido de passarem a contemplar outros recursos. “A visão do que é a hotelaria mudou. No presente, há outro tipo de componentes. Na SANA Hotels, quando idealizamos algo, pensamos nos clientes que vêm dormir, mas também naqueles que tomam as suas refeições em família”. De resto, o grupo conta com, aproximadamente, 20 restaurantes, mais de 25 bares, 4 spas e 3 centros de congressos.

Outro dado que comprova a vitalidade e o êxito desta empresa está na taxa média de ocupação dos seus hotéis que, no ano de 2015, foi de 75%, traduzindo-se esta percentagem em mais de 670 mil dormidas. Em 2016, tudo aponta, este índice chegará aos 76%. Na cidade de Lisboa, o grupo contabiliza um total de 1700 quartos e 3 mil camas.

De igual modo, a faturação tem estado em conformidade com o alto número de clientes recebidos. Em 2015, o volume de negócios da SANA Hotels ascendeu aos 125 milhões de euros. Para o ano corrente, a previsão é de um crescimento de 7%. A maioria dos hóspedes, refira-se, são oriundos de Portugal, França, Espanha, Brasil, Alemanha e Inglaterra.

Quanto a postos de trabalho, a empresa conta, neste momento, com cerca de 1300 colaboradores. Segundo Carlos Neves, contudo, a tendência será marcada por um aumento neste capítulo específico. “Vamos continuar a acreditar no país. Queremos crescer e criar mais emprego para as pessoas”.

Em termos de internacionalização, a SANA Hotels tem novas ideias na calha. Para lá das unidades criadas em Luanda e Berlim, está prevista para 2019 a inauguração de dois hotéis em Casablanca (Marrocos). Ambos terão, também neste caso, duas linhas conceptuais díspares entre si. Este será um investimento que rondará os 55 milhões de euros e que deverá criar perto de 410 novos empregos. O administrador do grupo não esconde o entusiasmo e a importância que este projeto representa: “Sem arrogância e até com alguma modéstia, julgo que vão ser os melhores hotéis de Casablanca e mesmo de Marrocos. Vai ser uma surpresa enorme”.

Na lista de prémios alcançados estão numerosas distinções, vindas de diversas instituições e órgãos de comunicação da especialidade. Carlos Neves mostra orgulho e regozijo por todas elas, mas prefere destacar aquilo que, na sua ótica, é o mais relevante: “O que me dá mais satisfação é sermos reconhecidos pelos nossos clientes e vermos comentários deles a dizer que nos querem”.

O administrador da SANA Hotels prefere, por fim, não revelar em concreto que mais passos serão dados. No entanto, adianta que “a intenção passa por manter o ADN de até aqui e progredir, mas sem que seja de uma forma desmesurada e não pensada. Tem de ser uma progressão que remeta para a excelência do que é oferecido. A internacionalização é fundamental e até em Portugal ainda há muito para fazer e descobrir”.

Como cresceu durante a crise?
No entender de Carlos Neves, um dos méritos que pode ser apontado à SANA Hotels reside no facto do grupo não ter mudado as suas estratégias, mantendo uma postura ambiciosa durante a crise. “Nesse período difícil que atravessámos em Portugal, fomos um exemplo de empresa que investiu fortemente. Houve cerca de 280 milhões de euros aplicados nessa altura. Havia projetos de hotéis que podiam ter sido parados ou nem sequer terem sido iniciados, mas nós continuamos, fomentamos o investimento e acreditámos que era possível dar a volta à situação. A nossa determinação em criar bons produtos fez com que possamos agora ser considerados como um grupo sustentável a muitos níveis”. O administrador do grupo elogia ainda a qualidade do setor turístico português. “As pessoas que vêm a Portugal ficam maravilhadas e querem voltar. Esse é o melhor barómetro de satisfação. O turismo tem todas as condições para continuar a crescer e ser talvez o principal ramo de exportação português daqui a 10 ou 15 anos”.

Duarte Pernes

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