Fazemos Bem

10/10/2016

Imperadores das grandes marcas de restauração focam-se nos clientes

Ibersol. A implantação e difusão, em Portugal, de algumas das cadeias alimentares mais reconhecidas internacionalmente estão a cargo da Ibersol – um grupo multimarca que direciona a sua linha condutora para o campo da restauração. Pizza Hut, Burger King, Pans & Company e KFC são os nomes sonantes e conhecidos do grande público cuja franquia pertence a esta empresa.

Foi em 1989 que a Ibersol se fundou e deu os primeiros passos, funcionando na altura como uma extensão da Sonae para a área do turismo. O objetivo inicial do grupo passava por desenvolver o negócio da Pizza Hut no espaço nacional, algo que se começou a materializar logo no início da década de 90, com a abertura do primeiro estabelecimento desta marca em Albufeira. Cinco anos depois, numa tentativa de alargar o leque de ofertas e diversificar os segmentos de mercado atingidos, foi englobada também a KFC. As franquias da Pans & Company e da Burger King chegariam nos anos de 1996 e 2001, respetivamente. Entretanto, em 1997, a Ibersol alcançava a sua emancipação plena, sendo adquirida por empresários que pertenciam aos quadros da Sonae e passando a operar de forma unilateral.

Alberto Teixeira e António Pinto de Sousa são dois dos administradores responsáveis por este grupo. Em declarações prestadas ao JN, ambos fazem questão de salientar as máximas que ainda hoje se constituem como norteadores da ação desta empresa. “Qualidade dos produtos, segurança alimentar e de ambiente, manter os recursos humanos altamente motivados e garantir retorno para os acionistas são os nossos princípios”. Como conta igualmente António Pinto de Sousa, a ideia que esteve na génese da Ibersol residiu em “ver o que se passava lá fora e entender que conceito de restauração é que tinha sucesso no estrangeiro. Essa avaliação foi feita e depois o modelo foi transportado para Portugal”.

De 1989 até ao presente, a empresa não só conseguiu estender os restaurantes franquiados a todo o país, como ainda se tornou detentora de marcas próprias (sempre ligadas à restauração), nas quais se podem destacar, por exemplo, a Pizza Móvil, o Pasta Caffé ou a Miit. Hoje, o grupo contempla já 377 estabelecimentos em operação direta, dos quais 303 se encontram em território luso. “Foi um crescimento exponencial”, refere Pinto de Sousa.

O crescimento da Ibersol não se restringiu, porém, às fronteiras portuguesas. Espanha e Angola são outras nações onde o grupo vem marcando e consolidando a sua presença. Sobre a estratégia de internacionalização adotada, Alberto Teixeira assume que, de momento, a prioridade passa por manter a atuação nos mercados em que a empresa se insere, crescendo o mais possível dentro deles. Isto sem que esteja, contudo, completamente descartada a hipótese de penetração noutras latitudes. O administrador destaca ainda a transversalidade de valores e normas de funcionamento, que foram incutidas em todo o grupo, enquanto segredo para o sucesso desta mesma estratégia. “O difícil é exportar o know-how ou seja, a nossa forma de trabalhar para outras partes. É isso que nós temos conseguido fazer”.

Outro dado, que ilustra bem a dimensão da empresa, prende-se com o número de funcionários que nela trabalham. Ao todo, contam-se mais de 6200 colaboradores. Alberto Teixeira exprime o seu regozijo por esta realidade e realça a importância dos trabalhadores para o grupo. “São eles o coração da Ibersol. Eles é que põem isto a funcionar”. Sem se comprometer com nada de definitivo nesta matéria, este administrador acredita que, em breve, poderá existir um acréscimo neste número, em conformidade com a expansão do negócio prevista.

No que respeita aos índices financeiros, a Ibersol apresentou um volume de negócios cifrado nos 214 milhões de euros no ano passado. Um aumento relativamente ao que sucedeu em 2014, onde a faturação era de 187 milhões. Também os resultados líquidos consolidados indicam uma evolução positiva do grupo; se há dois anos, os lucros chegaram aos 7,9 milhões, em 2015 alcançaram os 10,8.

Mais do que o agrado por prémios ganhos e distinções concedidas, Alberto Teixeira e António Pinto de Sousa congratulam-se pela confiança que os clientes vêm manifestando ao longo do tempo. “A satisfação dos consumidores, no dia-a-dia, é que conta. O que importa é saber que as pessoas, de uma maneira geral, respondem positivamente”. Para o futuro, os responsáveis da Ibersol mostram-se cautelosos quanto a revelar ideias e estratégias que estejam a ser gizadas. Contudo, não deixam de passar uma mensagem de confiança e otimismo. “A nossa capacidade permite-nos pensar sempre em crescendo. Temos pessoas que estão connosco há muitos anos e que são competentes. Queremos crescer e fazer bem, isso é o que nos preocupa e é esse o nosso desiderato”.

Como cresceu durante a crise?

O cenário desfavorável para a esfera empresarial dos últimos anos obrigou a que a Ibersol repensasse o seu modelo de negócio, de modo a manter a sustentabilidade que a caracteriza desde os seus inícios, em 1989. Isto mesmo é confirmado por Alberto Teixeira. “Olhámos para dentro e fomos capazes de reposicionar os negócios de acordo com uma nova realidade. Foi preciso dar atenção a outras áreas que, até aí, não eram tão relevantes, mas fundamentalmente houve um trabalho feito pela generalidade da nossa gente que foi decisivo. Ultrapassámos isto, criando novas formas de atuar e sendo mais competitivos”. A atenção constante dada ao público-alvo e às suas preferências foi, para o administrador da empresa, outro fator chave para que esta sobrevivesse à crise: “Percebemos os consumidores e respondemos na exata medida das suas necessidades. As equipas de cada uma das nossas marcas ajudaram a que isto fosse possível. Tudo foi reequacionado e fomos melhorando os nossos resultados”.

Duarte Pernes

Tags: