Fazemos Bem

03/10/2016

Empresa portuense dá cartas nas redes sem fios em movimento

Veniam. Num mundo cada vez mais globalizado e onde as maiores distâncias tendem a ser encurtadas pela realidade virtual, a Internet é vista por muitos como sendo uma ferramenta imprescindível, funcionando quase enquanto bem de primeira necessidade nos chamados países desenvolvidos. Em Portugal, existe uma empresa que se vem destacando por prestar um contributo valioso a internautas e cidadãos em geral, ao apostar num serviço wi-fi, disponibilizado através de objetos em movimento, especialmente transportes públicos. Trata-se da Veniam, uma startup que tem o seu centro de operações a funcionar na UPTEC, no Porto.

A Veniam começou por ser um projeto que foi sendo solidificado dentro do âmbito universitário, mas com o tempo conseguiu desenvolver parcerias e transformou-se num negócio. João Barros, um dos fundadores e CEO desta startup, explica ao JN os passos dados desde a fase embrionária até ao estado pleno de maturação alcançado. “Como professor catedrático da FEUP, já trabalhava nesta tecnologia com alunos e colegas desde 2005. Realizámos uma série de protótipos que se destinavam a transformar veículos em hotspots. A certa altura, concluímos que era o momento de levar esta ideia para o mercado, o que aconteceu finalmente em março de 2012. A partir daí, tivemos a felicidade de reforçar os nossos quadros com imenso talento”.

Dar oportunidade a jovens qualificados, que se encontravam no desemprego e sem grandes perspetivas de fazer carreira no país, foi precisamente um dos principais desígnios da Veniam no início. Isto, como relata João Barros, sempre com uma missão interiorizada de criar conhecimento e contribuir para o progresso científico. “Quando a crise financeira atingiu Portugal, constatámos que muitos dos nossos mestres e doutorados não encontravam oportunidades à altura das qualificações que tinham. Uma das motivações para criarmos esta startup foi dar uma hipótese a esses jovens”.

A captação de investimento, imprescindível para o alavancar das ideias da startup, acabou por ser uma feliz consequência de todo o trabalho realizado: “Desde janeiro de 2013, atraímos quase 30 milhões de dólares de capital de risco, todo ele estrangeiro. Assim, foi possível arrancar com todas as atividades”, afirma o CEO da Veniam. No presente, a empresa tem na STCP, na Câmara Municipal do Porto ou na Vodafone parceiros essenciais para que a Invicta funcione como montra tecnológica capaz de atrair clientes estrangeiros.

Até dezembro próximo, o CEO da Veniam garante que serão anunciados outros destinos com vista à expansão de um negócio que conta, igualmente, com uma sede em Silicon Valley, nos Estados Unidos. Para já, Nova Iorque e Singapura são dois dos locais além-fronteiras onde os serviços da startup portuguesa conseguiram chegar e se encontram mais consolidados.

Refira-se que, no caso concreto da cidade-estado do sudeste asiático, os dispositivos da Veniam chegaram a abranger 75 mil utilizadores (utentes, na maioria, de uma rede de transportes universitária) em três meses, tendo sido aí fornecidas mais de dois milhões de sessões de Internet. No Porto, os números atingem uma média de 400 mil cibernautas (todos eles passageiros de autocarro) e cinco milhões de sessões de Internet nos últimos dois anos.

Em termos de empregabilidade, a Veniam conta com 46 funcionários espalhados por três países distintos. Destes, 80% estão a trabalhar em território português. João Barros acredita que, futuramente, por via da evolução da empresa em várias áreas, haja um aumento de empregados. “Contamos que o nosso número de colaboradores aumente muito no próximo ano, atendendo aos nossos objetivos e aos vários processos comerciais em curso. Estamos interessados em contratar, por cá, profissionais dos mais diversos campos, não só das engenharias”.

Muito do reconhecimento do trajeto bem sucedido da startup está patente nalguns prémios e menções que esta foi recebendo. Dentre eles, destaca-se a eleição de uma das 50 empresas mais disruptivas do Mundo, pela cadeia de televisão americana CNBC; o prémio de melhor produto na área da mobilidade, recebido em Detroit; ou o Building Global Innovators, conferido pelo ISCTE conjuntamente com o MIT Portugal.

Sobre o que há ainda para conquistar, o fundador da Veniam não esconde a intenção de concretizar um sonho muito particular. “Gostávamos muito de ver a nossa tecnologia espalhada em Nova Iorque. É o ponto de referência a nível mundial no que toca a transportes. É verdade que já lá conseguimos arrancar com um projeto, mas estamos apostados na expansão da nossa presença”. Para o mercado nacional, João Barros confessa que as atenções não estiveram, inicialmente, tão viradas como para outras latitudes. Porém, adianta que a empresa está agora “em conversações avançadas com outras cidades do país”.

Como cresceu durante a crise?

O cariz inovador dos serviços prestados a nível nacional, bem como a solidez e competência patenteadas internacionalmente nas suas tecnologias e no seu quadro de funcionários e colaboradores, fizeram com que a Veniam, na ótica de João Barros, se destacasse e atravessasse as agruras da crise com tranquilidade. “Há no Mundo uma enorme falta de talento nas áreas da informática e da engenharia. Quando os investidores olham para as empresas preferem as que atuam em mercados grandes, desenvolvem produtos vencedores e têm uma liderança capaz de superar as adversidades. No nosso caso, cumprimos com esses critérios”. O CEO da empresa salienta ainda as oportunidades existentes naquele que é um nicho de mercado com uma margem muito grande de penetração. “Se pensarmos que existem no Mundo 1200 milhões de veículos e apenas 5% deles se encontram ligados à Internet, rapidamente constatamos que há uma enorme oportunidade de negócio e de ter um impacto na qualidade de vida das pessoas”.

Duarte Pernes

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