Fazemos Bem

08/08/2016

Uma têxtil que nasceu pequena e agora veste meio Mundo

Etfor. Forjães é uma pequena freguesia portuguesa, localizada no concelho de Esposende. Inversamente proporcional à sua abrangência geográfica, está uma unidade empresarial ligada à indústria dos têxteis que aí começou a gizar uma trajetória de sucesso crescente, mantendo sempre o vínculo familiar na sua administração. O nome com que foi batizada não poderia ser mais elucidativo quer das suas origens, quer da área na qual atua: Etfor – acrónimo de empresa têxtil de Forjães.

O início da atividade sucedeu no ano de 1988. “Começámos por ser uma empresa muito pequena e subcontratada. Fomos evoluindo de uma forma gradual”, explica em traços gerais Bruno Correia, diretor do departamento financeiro da Etfor. Lúcia Lages, atual administradora e mãe de Bruno Correia, foi quem esteve na génese da Etfor, tendo trabalhado vários anos como modista: “A minha mãe começou do zero. Tirou o curso de modista, trabalhou como costureira muito tempo e depois criou o seu próprio empreendimento”. Foi, de resto, nessa altura que foram angariados os primeiros clientes no exterior (provenientes de Holanda e França) e que permitiram o crescimento da empresa.

Nas malhas reside a matéria-prima essencial do trabalho que depois é levado a cabo na fábrica de Forjães. A finalidade é confecionar uma grande variedade de artigos – que passam por polos, t-shirts ou camisolas para miúdos e graúdos, sejam eles mulheres ou homens – para os vários compradores de que a empresa dispõe. Entre estes, destaca-se por exemplo a Inditex ( grupo empresarial espanhol que detém, entre outras marcas conhecidas, a Zara). A todos, segundo aponta Bruno Correia, procura oferecer-se uma capacidade de resposta eficaz, garantindo a sua satisfação e fidelização: “Temos uma organização que tem capacidade para trabalhar com qualquer cadeia do Mundo. Estamos preparados para cumprir com as exigências de todos os clientes, seja em termos de qualidade ou de rapidez”.

Além deste sistema de parcerias com outros homólogos do ramo têxtil, a Etfor possui uma insígnia exclusiva, chamada Play Up. Criada em 2004, a marca encontra-se direcionada para o vestuário infantil, englobando crianças com idades compreendidas entre os 3 meses e os 14 anos. Na opinião do diretor financeiro da empresa, este foi mais um passo inovador que fez a Etfor diferenciar-se da concorrência e destacar-se: “O facto de produzirmos muito para crianças acabou por nos distinguir bastante, até porque são poucos os que o fazem. Apostamos muito nessa vertente há algum tempo”. A Play Up conta com três lojas próprias, duas em Viana do Castelo e uma em Braga.

Quem visita as instalações de Forjães, pode constatar a azáfama e o ritmo enérgico vividos na empresa. As encomendas são inúmeras e os 3 mil metros quadrados que a unidade ocupa parecem ter-se tornado pequenos. Uma perceção confirmada por Bruno Correia, que aproveitou para revelar que já há planos definidos com o intuito de aumentar o espaço existente, dentro de um ano: “O objetivo é avançar de imediato para a ampliação porque temos uma quantidade de trabalho desajustada em relação ao nosso tamanho. Atualmente temos cerca de 3 mil metros, mas, a seguir ao alargamento, vamos ficar com 14 500 metros quadrados. Trata-se de um projeto que já está aprovado pela Câmara de Esposende e que estamos a ultimar”.

A este cenário de vários requisitos e solicitações, corresponde um nível produtivo que chegou aos 3 milhões de peças no ano passado. O responsável financeiro da Etfor afirma que “o crescimento do volume de produção vem sendo progressivo e isso exige uma permanente readaptação da estrutura à realidade que se vai vivendo”. Em conformidade com esta subida de dimensão deverá estar o número de funcionários. Neste momento, há 92 pessoas empregadas na empresa. A breve trecho, é provável que se empreguem mais trabalhadores.

Também os dados financeiros espelham o que tem sido o percurso da Etfor. Em 2015, os índices de faturação atingiram quase 21 milhões de euros, dos quais se contam 3,5 milhões de euros de lucro. No ano em curso, registou-se um incremento de 40%. As exportações tiveram aqui um papel fulcral, com um peso de 98% nas vendas. Neste ponto, os mercados de Espanha, França e Alemanha constituem-se como as principais referências de atuação, mas os horizontes têm sido alargados aos EUA, México e a diversas partes da Ásia.

Dentre as honrarias recebidas pela empresa está o prémio revelação, atribuído pelo Conselho Empresarial da Região do Ave e Cávado na categoria de indústria, e várias distinções no âmbito das PME: Líder e Excelência. Manter os indicadores de competência que motivaram estes galardões, preservando os mesmos parceiros comerciais, é uma das maiores ambições da Etfor.

Como cresceu durante a crise?

Foi sem alarmismos e com confiança no trabalho desenvolvido que a Etfor enfrentou os tempos de crise que marcaram, indelevelmente, a economia portuguesa. Bruno Correia garante que, no caso desta unidade têxtil, a vontade de singrar no universo dos negócios e o sentimento de pertença em relação à empresa fizeram a diferença: “Temos uma organização própria e muito forte, até porque alguns de nós nascemos com a empresa e crescemos com ela. Além disso, nunca deixámos de ter uma enorme ambição”. O diretor financeiro da Etfor vai mais longe e afirma que a recessão e o retrocesso económico vividos um pouco por todo o lado, não contagiaram nem prejudicaram, de todo, os planos que foram delineados: “De uma forma geral, nós não sentimos a crise. Ela nunca foi um entrave à relação com os nossos clientes. Fomo-nos adaptando e reestruturando internamente e mantivemo-nos competitivos e eficazes. Por isso, apresentamos indicadores de crescimento fabulosos ao longo dos últimos anos”.

Duarte Pernes