Fazemos Bem

01/08/2016

Mobília de criação nacional faz furor entre as estrelas mundiais

Urbanmint. A Urbanmint é, mais do que um grupo empresarial propriamente dito, o polo convergente de duas marcas que se complementam e que tratam do design e da movimentação de peças de mobiliário. A Munna e a Ginger & Jagger são os dois nomes que dão corpo a um projeto cujo êxito tem sido galopante e não conhece fronteiras, nem tão pouco restrições nos estabelecimentos de referência onde chegam os seus produtos. O mérito de tal conquista deve-se a Paula Sousa: a diretora, a criadora e a principal pensadora e executora de tudo o que se prende com a Urbanmint.

As origens e a evolução da empresa são indissociáveis daquele que foi o trajeto académico e profissional da sua fundadora. Se é um facto que o ano de 2008 marcou – com o lançamento da Munna – o arranque desta aventura, Paula Sousa faz questão de explicar que as raízes do que viria a ser a Urbanmint começaram a germinar bem antes. “Sou formada em design de interiores e tive uma passagem por um gabinete de arquitetura em Milão, que é uma cidade de referência nesta área. Foi aí que tudo começou a surgir. Tinha uma enorme vontade de criar uma marca portuguesa de design, até porque não existia. Portugal era um país produtor neste ramo e eu queria ter o meu próprio negócio. Por isso, regressei e durante cinco anos fiz design de interiores, antes de me lançar sozinha com a minha empresa”.

Os objetivos iniciais foram claros e passaram pela divulgação da Munna, assim como pela exportação das suas peças de decoração. Para atingir esta meta, Paula Sousa afirma que foram dados passos no sentido de se “estar presente em feiras setoriais, em consórcio com outras marcas, conseguindo que houvesse uma partilha de custos. A presença inaugural ocorreu na London Design Festival”. A partir daqui, começaram a sair as primeiras publicações sobre a marca nalguma imprensa da especialidade.

Em 2012, Paula Sousa juntou então a Ginger & Jagger à Munna. Ambas operam no mesmo setor e são trabalhadas pela mesma equipa. Porém, enquanto a primeira explora os metais e oferece tapetes, aparadores, mesas de jantar ou estantes, a segunda é especializada em estofo, centrando essencialmente a sua oferta nas poltronas, sofás e biombos. Do ponto de vista estilístico, a diretora da Urbanmint esclarece que “a Munna é muito mais feminina e decorativa; a Ginger & Jagger assume uma estética natural, experimental e disruptiva”.

Como modelo de negócio adotado, a empresa vem seguindo o sistema “business-to-business”. Ou seja, tem enveredado por uma corrente negocial virada para as transações efetuadas com outras empresas ou espaços comerciais e não tanto com o grande público, de modo direto. A propósito disto, a criadora da Munna e da Ginger & Jagger reconhece que “seria interessante evoluir para o ‘business-to-consumer’, uma vez que, em termos de marca, haveria uma maior visibilidade”. Todavia, acrescenta que “tudo será pensado e feito a seu tempo”, referindo também que o tipo de consumidor destes artigos se situa numa franja com “conhecimentos ligados à história de arte e com algum poder de compra”.

Na Maia, fica localizado o espaço de 500 metros quadrados destinado à criação das peças da empresa. Há igualmente um armazém, em Gondomar, onde se faz a receção dos produtos e que ocupa uma área de 800 metros quadrados. No total, a Urbanmint movimenta mais de 100 objetos por mês.

Em relação aos índices de empregabilidade, e olhando apenas aos recursos internos, a Urbanmint conta com 13 funcionários. Se forem contabilizados identicamente os que colaboram de maneira alargada, então são mais de 140 aqueles que trabalham na e com a empresa. Devido à sua ação, foi possível alcançar-se quase 3 milhões de faturação em 2015 e ter um crescimento de 20% este ano. Para isto, há que também mencionar o papel exportação, que ocupa 95% do volume de vendas do grupo e que fez com que os seus produtos pudessem estar espalhados por 40 países distintos.

Hoje, volvidos que estão oito anos desde o início desta carreira a solo, Paula Sousa pode orgulhar-se de ter trabalhado com alguns dos maiores ícones da esfera comercial (a Harrods ou a Dior são alguns dos exemplos). Outra curiosidade relevante está no facto de personalidades mundialmente conhecidas como Jeniffer Lopez, David Byrne ou Hilary Swank possuírem, em suas casas, objetos da Urbanmint.

Não admira, pois, que a empresa tenha visto já o seu nome em meios como o “Wall Street Journal” ou o “Yatzer” (um conhecido website dedicado ao design) e que tenha tido peças consideradas como as melhores na “Design Week”, em Milão. Brevemente, a posição da Urbanmint será solidificada, com a abertura de um showroom numa grande capital europeia.

Como cresceu durante a crise?

ise internacional se começou a fazer sentir nos mercados, seria expectável que a Urbanmint conhecesse obstáculos vários que impedissem o seu crescimento a ritmo acelerado. Ao invés, a empresa afirmou-se com rapidez e deu uma resposta assertiva aos múltiplos desafios que lhe foram colocados. Paula Sousa destaca a flexibilidade da estrutura e a estratégia seguida na exportação como razões fundamentais para um crescimento que se verificou apesar da crise: “Temos uma estrutura flexível e, além disso, diversificámos os mercados em que atuámos. Isso foi a chave. Neste momento, há mercados que estão em declínio, como o europeu, por isso decidimos ir para a Ásia, para o Médio Oriente e para os Estados Unidos. Ao não estarmos dependentes de um só mercado, conseguimos aumentar de ano para ano o volume de vendas e crescer exponencialmente. A crise existe, mas afeta as empresas que apostaram numa só direção”.

Duarte Pernes