Fazemos Bem

25/07/2016

Construtora portuguesa ergue pontes para o futuro e aposta na engenharia

Conduril. Algumas das obras públicas e de engenharia civil, realizadas tanto em Portugal como em inúmeras zonas de África, são da responsabilidade da Conduril – um grupo empresarial português sediado em Ermesinde. A empresa, de índole familiar, conta com 57 anos de trabalho no ramo da construção e tem como missão criar valor e riqueza, procurando assegurar a satisfação daqueles com quem colabora.

A história da Conduril começou a desenhar-se em fevereiro de 1959, na cidade do Marco de Canavezes. Na altura, o grupo funcionava como uma sociedade por quotas. No ano de 1970 foi comprado pelos atuais acionistas de referência e depois, em 1976, transformou-se numa sociedade anónima. Os objetivos da empresa mantiveram-se intocáveis até aos dias de hoje, apoiados em duas grandes pedras basilares que assentam no crescimento em termos técnicos e económicos e, ao mesmo tempo, na contínua aposta na qualificação dos trabalhadores.

Benedita Amorim Martins, CEO da empresa e filha do engenheiro António Amorim Martins (presidente do grupo), explica o essencial d a atividade da Conduril. “Estamos vocacionados para as grandes obras públicas e estendemos a nossa atuação a todo o domínio da engenharia civil, nomeadamente pontes, barragens, obras hidráulicas, hospitais, hotéis ou escolas”.

Entre as principais construções nas quais a Conduril se envolveu estão, a título de exemplo, a Ponte do Rio Arade, em Portimão (a primeira do tipo atirantada em território português), a Ponte Salgueiro Maia, em Santarém, a Ponte do N’Zeto (cuja construção está a ser terminada e que será a maior de Angola), ou as barragens do Torrão e de Arcossó (em Alpendurada e Chaves, respetivamente). Todas elas correspondem a oportunidades que vão surgindo e se enquadram dentro do espírito da empresa, sendo posteriormente conquistadas através de concursos públicos.

“As razões de tal sucesso estiveram, em traços gerais, no trabalho e nalguma sorte”, revela Benedita Amorim Martins. Para além disso, a CEO da Conduril salienta a estabilidade e credibilidade da empresa no que diz respeito à sua forma de agir: “Mantemo-nos fiéis ao nosso produto, valores e maneira de ser. Não mudamos a nossa conduta conforme as marés. Temos a nossa forma de trabalhar, premiamos a meritocracia, cumprimos com os pedidos do cliente e respeitamos os prazos”.

É no estrangeiro que o grupo assume o principal foco de ação – de resto, 80% dos trabalhos da Conduril são efetuados no exterior. O início da expansão ocorreu em 1990, em Angola, país que tem uma enorme importância para a empresa. Seguiu-se Moçambique e, mais tarde, outros locais do continente africano. São eles o Botswana, o Malawi, a Zâmbia, o Senegal, o Gabão e Cabo Verde. Na Europa, a empresa opera em Espanha. Ao todo, contam-se nove nações estrangeiras onde a Conduril está presente. A CEO da empresa assegura ainda que a política externa em curso é para manter e acrescenta mesmo que é possível que haja lugar a uma abrangência superior, inclusive noutras regiões do globo: “Vamos continuar nesta linha, a expandir-nos. É natural avançarmos para a América do Sul ou para outros países de África, perto de onde já estamos”.

Com uma dimensão assinalável, e que se estende a múltiplos lugares, não espanta que o grupo tenha sob a sua alçada cerca de 2600 funcionários, estando 300 deles inseridos em Portugal. Importa referir, igualmente, o papel social desempenhado desde 2009 pela Conduril junto do seu pessoal, designadamente o de Angola. Graças à Conduril Academy, o analfabetismo no seio da sucursal angolana tem sido combatido e, até ao final do próximo ano, deverá ser erradicado. Levar esta academia a Moçambique será o passo seguinte de um projeto que, segundo Benedita Amorim Martins, “é único, pois não há mais ninguém que faça isto em Angola. Foram dadas à volta de 100 mil horas de formação e emitidos 158 certificados de alfabetização pelo Ministério da Educação angolano”.

Relativamente à faturação, os números ascenderam aos 200 milhões de euros no ano passado, extraindo-se desse valor perto de 6 milhões em lucros. Indicadores económico-financeiros como estes valeram à Conduril, por diversas ocasiões, o prémio de melhor empresa no setor da construção, atribuído pela revista Exame. “É o reconhecimento externo do que fazemos e é um motivo de orgulho para aqueles que aqui trabalham”.

Já no que confere à estratégia a adotar nos próximos tempos, a CEO esclarece que a ideia passa, sobretudo, por manter a filosofia vigente e por garantir o crescimento e a qualidade nos trabalhos que vão sendo desenvolvidos: “Queremos continuar a crescer de um modo orgânico com aquilo que vamos construindo. Investiremos no saber fazer bem e na formação, sempre com as atenções viradas para a engenharia civil”.

Como cresceu durante a crise?

Para a Conduril, a crise financeira internacional não teve o impacto negativo sentido noutras empresas. Benedita Amorim Martins explica ao JN o que levou a que o grupo se mantivesse dentro dos parâmetros de estabilidade e crescimento que nortearam a sua atividade desde 1959. “Desde logo, teve a ver basicamente com a internacionalização, que foi decisiva para nós. O mercado português da construção, por si só, é muito pequeno, quase não existe. Não havia mercado em Portugal que nos permitisse continuar a crescer e tivemos de ir para fora. Só crescemos porque nos internacionalizámos”. Uma vez iniciado este processo, foi necessário que a Conduril se estabelecesse com êxito nos países em que passou a trabalhar, logrando assim os resultados que lhe permitiram seguir no caminho do progresso: “o modo como nos expandimos ajudou. Replicamos o nosso modelo, que funcionava bem cá. Conservámos os mesmos procedimentos, com padrões de qualidade iguais”.

Duarte Pernes