Fazemos Bem

18/07/2016

Líderes nacionais na cutelaria vestem as mesas em 65 países

Herdmar. A utilização de facas, garfos, ou colheres durante as refeições pode ser das coisas mais rotineiras do dia a dia do comum dos mortais – pelo menos, na maioria dos continentes. É algo de tão adquirido e usual que não será um grande risco afirmar-se que raros são aqueles que se interrogam, enquanto degustam um qualquer repasto, sobre de onde vieram, ou quem fez, estes utensílios. Em boa verdade, e como qualquer outra indústria, a cutelaria obedece a um método de fabrico que tem as suas regras e especificidades próprias.

Nas Caldas das Taipas, uma vila pertencente ao município de Guimarães, a Herdmar dedica-se à produção de talheres, dando resposta aos pedidos que lhe chegam de variados lugares e estabelecimentos. A sua história é longa, ou não se estivesse a falar de uma empresa centenária cuja fundação data de 1911, altura em que Manuel Marques (o mentor e fundador da Herdmar) iniciou a sua atividade empresarial. Na época, apenas eram produzidas facas.O cardápio foi, porém, aumentando com o passar do tempo até se chegar a todo um serviço que, como o slogan criado indica, “veste as mesas” de muitas famílias portuguesas, e não só.

Muito do crescimento da empresa passou por um processo de internacionalização que começou relativamente cedo e que se foi alargando até ao presente. Maria José Marques é a diretora de exportação e CEO da Herdmar e é também uma das prossecutoras deste projeto familiar. Ao JN, começa por contar de que forma se iniciou esta aposta no mercado estrangeiro e como foi ela sendo desenvolvida: “Começámos a exportar bastante, sobretudo para Angola e Moçambique. Com a guerra colonial, muitos trabalhadores emigraram para países europeus e mantiveram sempre um bom relacionamento connosco. Através deles, foi praticável criarmos relações comerciais com outros mercados. Nos anos 80, passámos a participar em feiras internacionais e foi aí que se deu a grande entrada no campo das vendas para o exterior”.

Hoje, as exportações assumem uma preponderância central, sendo “em Espanha, Inglaterra, Estados Unidos ou Austrália que estão alguns dos principais parceiros”, refere Maria José Marques. No total, são 65 as nações que acolhem os produtos da Herdmar e que representam 90% do seu volume de negócios anual. Isto numa empresa que é líder nacional da indústria da especialidade. Um dado que adquire uma relevância ainda maior se for tido em consideração o facto de Portugal ser o maior produtor de cutelaria na Europa.

A capacidade de produção é um dos maiores trunfos da Herdmar. Por dia, são fabricadas cerca de 100 mil peças. Números que resultam tanto do milhão de euros investido em automatismos de robotização como do crescente aumento de funcionários, que atualmente são 130 – contingente que, segundo os responsáveis da empresa, poderá até crescer em breve, levando talvez à abertura de uma sucursal noutras paragens.

Os talheres, sempre em aço inoxidável, são produzidos com base naquilo que é, de modo prévio, idealizado dentro da própria Herdmar ou através de parcerias com alguns designers nacionais e internacionais. A diretora de exportação da empresa enaltece a atenção dedicada ao design, conseguindo que os seus produtos não sejam somente algo de corriqueiro e primem pela diferença e pelo arrojo: “O talher deixou de ser um mero utensílio para as pessoas comerem e passou a ser um objeto decorativo. Esse é um ponto diferenciador em relação aos nossos concorrentes quer nacionais, quer estrangeiros e tem sido muito apreciado. O nosso propósito foi transformar os talheres num complemento de moda na mesa”.

Do ponto de vista do tipo de consumidores, a empresa tem nas cadeias de lojas e na hotelaria os seus clientes fundamentais. É destes dois campos que provém a maior parte das encomendas que, por sua vez, se materializaram em índices de faturação de 6 milhões de euros em 2015. Neste capítulo, houve inclusive um crescimento de 15 a 20% no primeiro trimestre do ano em vigência. A diretora de exportações da Herdmar revela mesmo que “já está praticamente tudo vendido até final de 2016”.

Quanto a galardões, o prémio If Design atribuído à empresa, em 2015, constitui-se como o marco mais importante. A juntar a isso há, todavia, outros feitos e curiosidades que Maria José Marques não deixa de fazer questão de referir: “Temos talheres na Casa Branca, no FBI, no comboio mais luxuoso do Mundo ou nas lojas Louis Vuitton. É um orgulho ver a Herdmar presente em sítios de renome”.

O reinvestimento no mercado nacional deverá ser o maior repto da Herdmar no futuro. Os seus dirigentes acreditam que os novos hábitos de consumo poderão ajudar à mudança de um paradigma, até há pouco tempo, marcado por algum tradicionalismo.

Maria José Marques salienta o realismo, que na sua ótica sempre caracterizou o modo de gestão da empresa, enquanto fator decisivo para que a Herdmar fosse conseguindo sobreviver e desenvolver-se de modo sustentável: “O mais importante foi crescer sempre de uma forma segura. Nunca demos passos maiores do que as pernas. Recorremos ao crédito bancário, mas com a certeza de que podíamos ressarcir esses financiamentos”. Ter variado o leque dos mercados exportadores foi, segundo a diretora de exportações da empresa, outro dos motivos que levaram a que os efeitos da crise não tivessem sido comprometedores: “O que temos feito é diversificar os mercados. Se, por acaso, algum falhar por qualquer razão económica ou política, há outros por onde podemos enveredar. Por exemplo, há trinta anos estávamos muito dependentes de Espanha. Se fosse hoje, com a crise que se tem passado lá, tínhamos fechado a fábrica, mas saltámos para várias zonas do globo e foi isso que nos permitiu contornar os problemas e até crescer”.

Como cresceu durante a crise?

Maria José Marques salienta o realismo, que na sua ótica sempre caracterizou o modo de gestão da empresa, enquanto fator decisivo para que a Herdmar fosse conseguindo sobreviver e desenvolver-se de modo sustentável: “O mais importante foi crescer sempre de uma forma segura. Nunca demos passos maiores do que as pernas. Recorremos ao crédito bancário, mas com a certeza de que podíamos ressarcir esses financiamentos”. Ter variado o leque dos mercados exportadores foi, segundo a diretora de exportações da empresa, outro dos motivos que levaram a que os efeitos da crise não tivessem sido comprometedores: “O que temos feito é diversificar os mercados. Se, por acaso, algum falhar por qualquer razão económica ou política, há outros por onde podemos enveredar. Por exemplo, há trinta anos estávamos muito dependentes de Espanha. Se fosse hoje, com a crise que se tem passado lá, tínhamos fechado a fábrica, mas saltámos para várias zonas do globo e foi isso que nos permitiu contornar os problemas e até crescer”.

Duarte Pernes