Fazemos Bem

11/07/2016

Sapatos que triunfaram em Portugal já caminham por toda a Europa

Procalçado. A indústria portuguesa do calçado constitui-se como área de negócio com uma história marcada pelo prestígio e qualidade. Na Procalçado, grupo familiar com sede em Vila Nova de Gaia, esta tradição vem sendo reforçada há 43 anos, alcançando mesmo um nível de internacionalização que lhe permitiu tornar-se numa referência, em termos europeus, neste setor.

Tudo começou, em 1973, com o fabrico de solas de sapato. Nessa altura, a empresa dava apenas pelo nome de For Ever, marca que ainda hoje se mantém ativa, e só onze anos mais tarde é que adquiriu a designação de Procalçado. José Pinto, o CEO do grupo, relata em pormenor como se iniciou e desenvolveu esta aventura. “A Procalçado começou como uma empresa comercial. O projeto passou, no princípio, pela criação e comercialização da marca For Ever, nos anos setenta. Na década de oitenta, houve lugar à industrialização porque era necessário criar algo que suportasse todo o processo à volta da tal comercialização. A partir dos anos noventa, avançámos para a internacionalização porque percebemos que havia um excedente e era preciso arranjar soluções que estavam, essencialmente, nos mercados externos”.

O virar do século trouxe, no entanto, desafios delicados para a o ramo, que se estenderam a todo o continente, e aos quais foi necessário dar resposta: “Entrámos aí numa nova fase porque houve uma série de questões sobre a indústria do calçado na Europa. Foram tempos conturbados”. Por isso, revela José Pinto, foi preciso encontrar-se alternativas. “Nessa altura, avançámos para o fortalecimento e criação de outras marcas, conseguindo assim diversificar a nossa atividade. Criámos produtos de valor acrescentado, utilizámos tecnologias novas para produzir e, com isso, conseguimos, a partir da nossa base portuguesa, vender para diversas nações”.

Para além da For Ever, a Procalçado tem no mercado mais dois nomes a si associados: a Wock e a Lemon Jelly. A Wock foi o primeiro a ser lançado e trata-se, nas palavras do CEO do grupo, de “uma marca direcionada para a secção da saúde, envolvendo o calçado profissional para pessoas que necessitam de um produto com características específicas”. Em 2013, fundou-se então a Lemon Jelly, que tem um conceito e um público-alvo centrado “num segmento médio/alto do calçado de moda para senhora”. Estas tipologias próprias de ambas as marcas foram ditadas por uma análise de mercado feita pela empresa, com a finalidade de entender onde existiam oportunidades a explorar.

É na cidade de Vila Nova de Gaia que está localizado “o centro de operações do grupo”, como o apelida José Pinto, e que conta com uma dimensão de exatamente 18 157 metros quadrados. Em São João da Madeira, situam-se as outras instalações da empresa que funcionam, igualmente, como unidades de produção.
As vendas dos produtos da Procalçado processam-se quer através de agentes e distribuidores quer de modo direto até ao consumidor final, por via de plataformas online. Os 23 milhões de euros de faturação, averbados em 2015, são reflexo não somente da procura dos consumidores como do volume de produção do grupo, que pode atingir, aproximadamente, seis milhões de pares, entre sapatos e solas, por ano.

Para chegar aos números que a empresa vem obtendo, é necessário o contributo de 350 trabalhadores e colaboradores diretos. Segundo o CEO da Procalçado, “o importante, a partir de agora, é a formação dos quadros. A intenção é que os recursos humanos atuais estejam preparados para os projetos que aí vêm”.

Pese embora o mercado nacional ter ultimamente vindo a ganhar maior expressão, são as exportações que continuam a predominar nos negócios do grupo. De resto, 80% da atividade da Procalçado encontra-se virada para a exportação. As declarações de José Pinto são elucidativas quanto a esta realidade. “Nós trabalhamos para a exportação. Apesar de termos a preocupação de criar valor não só para a região como para Portugal, este é um projeto eminentemente exportador. No presente, já estamos em mais de 60 países”. O grande foco desta política externa está centrado sobretudo na Europa.

Em simultâneo com a ação comercial retratada, a Procalçado não deixa de dar atenção a iniciativas de cariz social. Concretamente, através da criação do Pony Club do Porto, uma instituição que visa ajudar crianças, idosos e pessoas necessitadas e que, no entender de José Pinto, “é uma forma de retribuir à comunidade o que ela tem feito pela empresa”.

Nos próximos dez anos, a ideia passa por manter o grupo na vanguarda, estando na primeira linha da nova revolução industrial que, pelo que anuncia o CEO da Procalçado, “está a chegar”. As menções e distinções concedidas, por exemplo, pela Cotec (Associação empresarial para a Inovação) à Lemon Jelly e à Wock (em 2014 e 2015, respetivamente), ajudam a acreditar na consecução deste objetivo.

Como cresceu durante a crise?

A António Meireles apresenta um trajeto de vários anos no mercado, o que lhe permitiu ganhar a confiança dos consumidores. Contudo, o estatuto alcançado não impediu que os seus responsáveis tivessem a noção de que este, por si só, seria insuficiente para contornar os efeitos nocivos da crise internacional. Bernardino Meireles revela que a empresa não se conformou com o sucesso atingido e que vem procurando novas formas de atuação. “Temos estado atentos a todos os programas que nos podem ajudar a crescer, como é o caso do Portugal 2020, no qual apresentámos dois projetos que foram aprovados e que nos vão permitir fazer uma reestruturação em termos informáticos e de certificações de produto”. O presidente da Meireles acrescenta também que a empresa se tem procurado diferenciar da concorrência externa pela qualidade e pela diferença da sua produção: “procuramos uma customização que empresas de mercados como o Brasil, a Turquia ou a China não fazem. É aí que nós entramos e estamos a ter êxito”.

Duarte Pernes