Fazemos Bem

04/07/2016

Reis do fogão nos lares portugueses apostam na qualidade e inovação

Meireles. Na maioria das grandes superfícies comerciais espalhadas por Portugal, onde existem espaços dedicados à venda de eletrodomésticos, estão presentes produtos de uma marca portuguesa que tem um grande historial na criação e no fabrico de equipamentos de cozinha. Trata-se da António Meireles S.A., uma empresa sediada em Paredes e que tem nos fogões domésticos o seu principal núcleo de negócio.

Foi há 85 anos que António Meireles, entretanto falecido, fundou a empresa à qual deu o nome e o apelido, realçando assim um caráter familiar que ainda é patente – a administração da Meireles chegou já à quarta geração. Bernardino Meireles, neto de António e atual presidente, conta como tudo se iniciou. “A Meireles começou com o fabrico artesanal de pequenos instrumentos de ferro e evoluiu para o fogão de lenha. De seguida, introduzimos a construção de fogões elétricos até que, na década de sessenta, passámos então a construir fogões a gás”.

O fogão doméstico de livre instalação representa 65% da atividade da Meireles. Depois há um naipe diversificado de ofertas relacionadas com a cozinha e os seus constituintes. Concretamente, placas e fornos de encastrar, máquinas de lavar roupa e louça, frigoríficos, arcas congeladoras e equipamentos profissionais utilizados sobretudo na hotelaria. Estes produtos são escoados para quatro canais de vendas: o da distribuição moderna, o dos grupos de compras, o dos hipermercados e o dos especialistas de cozinha.

No que respeita a instalações, a sede de Paredes ocupa uma área útil de 10 mil metros quadrados. A juntar a esta, há ainda uma unidade de subcontratação para a parte do esmalte, a Copesmal, localizada em Rio Tinto e uma outra, chamada Generations, que opera na própria sede e que presta serviços vários à Meireles. Além disto, foi criada em 2015 uma filial em Madrid. Algo que, segundo Bernardino Meireles, foi necessário pois “a empresa tem uma posição muito forte no mercado espanhol e assim fica facilitado chegar a um cliente mais pequeno ou que recorra a compras online. De outro modo, os custos de transporte seriam elevadíssimos”.

Em todas as áreas referidas, somam-se 224 trabalhadores. O presidente da empresa confessa, no entanto, que este número poderá sofrer uma redução no futuro devido ao processo de automatização na produção que estará, cada vez mais, dependente das tecnologias. De resto, o investimento em tecnologia tem sido um fator transversal a toda a história da Meireles e a ideia é seguir no mesmo caminho: “Queremos colocar a empresa toda a falar a mesma linguagem tecnológica. O comboio está em andamento e é preciso acompanhá-lo”, defende o presidente da António Meireles.

Neste momento, a empresa fabrica 100 mil peças por ano. Bernardino Meireles justifica este ritmo produtivo pela competência e ajuste a um estilo específico de consumidor: “Fazemos bem, com um binómio de qualidade/competitividade em termos de preço, e sabemos onde nos devemos situar em termos estratégicos. Temos vindo a desenvolver artigos de alta gama porque assim atingimos um segmento de mercado que está disposto a pagar melhor por uma coisa que também tem melhor qualidade”.

A exportação é uma das grandes apostas da Meireles e representa 40% do seu volume de transações. Nos próximos três anos, a meta será atingir os 50% de vendas e equilibrar a balança com o mercado nacional. Espanha, por si só, representa atualmente metade das exportações efetuadas. Porém, a empresa tem aumentado o seu raio de influência no globo e já vende em Inglaterra, França, Alemanha e Itália. Fora da Europa, países como a Arábia Saudita, o Bahrein, a Austrália, a África do Sul, o Chile ou a Índia são outros dos locais que têm visto chegar os produtos com a chancela Meireles.

Totalizando as quantias conseguidas, quer através das exportações quer daquilo que provém do mercado português, a empresa alcançou, durante o último ano, uma faturação na ordem dos 22 milhões de euros. Deste número, a Meireles extraiu 3% para si, o que significa que os resultados líquidos da empresa chegaram perto dos 660 mil euros no referido período.

Como forma de reconhecimento pela longevidade e trajetória granjeadas, a António Meireles S.A. recebeu, em 2010, a medalha de ouro da Câmara Municipal de Paredes. Ao longo dos últimos anos tem arrecadado prémios no âmbito das PME Líder e PME Excelência. “São prémios de trabalho e dedicação que interessam e agradam”, afirma o presidente da Meireles.

Relativamente ao que os próximos tempos trarão, os objetivos passam por manter a empresa na rota que tem seguido. Seja como for, Bernardino Meireles desvenda uma das iniciativas previstas a breve trecho: “Estamos a construir um tipo de fogão novo que será revolucionário e que apresentaremos em janeiro, numa feira internacional, em Colónia”.

Como cresceu durante a crise?

A António Meireles apresenta um trajeto de vários anos no mercado, o que lhe permitiu ganhar a confiança dos consumidores. Contudo, o estatuto alcançado não impediu que os seus responsáveis tivessem a noção de que este, por si só, seria insuficiente para contornar os efeitos nocivos da crise internacional. Bernardino Meireles revela que a empresa não se conformou com o sucesso atingido e que vem procurando novas formas de atuação. “Temos estado atentos a todos os programas que nos podem ajudar a crescer, como é o caso do Portugal 2020, no qual apresentámos dois projetos que foram aprovados e que nos vão permitir fazer uma reestruturação em termos informáticos e de certificações de produto”. O presidente da Meireles acrescenta também que a empresa se tem procurado diferenciar da concorrência externa pela qualidade e pela diferença da sua produção: “procuramos uma customização que empresas de mercados como o Brasil, a Turquia ou a China não fazem. É aí que nós entramos e estamos a ter êxito”.

Duarte Pernes