Fazemos Bem

06/06/2016

Laticínios produzidos na Península Ibérica chegam aos quatro cantos

Lactogal. Marcas como a Agros, a Castelões, a Mimosa, a Matinal, a Adagio, entre várias outras são nomes familiares e fazem parte dos hábitos de consumo de muitos portugueses. Em comum têm o facto de pertencerem ao Grupo Lactogal, uma empresa nacional especializada em laticínios e derivados. Além deles, a Lactogal detém igualmente a Fresky, Gresso, Castelinhos, Pleno, Milhafre dos Açores, Primor, Vigor, Serra da Penha e Serra Dourada. No total, são 14 as marcas que dão corpo a uma referências do setor leiteiro em Portugal.

Corria o ano de 1996 quando o grupo foi fundado, mas as bases que o suportaram e permitiram a sua afirmação e crescimento no ramo agroalimentar vinham de trás, graças às empresas que o vieram a compor e que já existiam antes. Foram os casos da Cooperativa Agros, Cooperativa Lacticoop e Proleite/Mimosa S.A. José Passinhas, administrador delegado da Lactogal, explica que “a razão de ser da empresa foi industrializar, comercializar e dar valor à matéria-prima que é produzida em Portugal, de modo a que os consumidores sejam felizes e tenham saúde”.

Atualmente, o grupo possui sete unidades fabris que se encontram repartidas por diferentes pontos da Península Ibérica. Todas elas estão certificadas pelo Instituto Português de Qualidade e gozam de uma tecnologia moderna e avançada que permite um embalamento correto, garantindo a manutenção adequada do leite. Estas instalações possibilitam que a empresa trabalhe, segundo José Passinhas, uma média de “mais de 900 milhões de litros de leite no continente, com mais 160 milhões nos Açores. O grupo todo recebe cerca de 1500 milhões de litros para trabalhar industrialmente”. Depois é feito o tratamento devido, sempre com a garantia de escoamento dos produtos.

O desenvolvimento da Lactogal passou, em grande medida, pela expansão fronteiriça das suas ofertas, assumindo no presente um volume de exportação que alcança quatro continentes distintos, num total de 22 nações. Só à custa desta política foi possível que, em 2015, o grupo tivesse vendas ao exterior na ordem dos 215 milhões de euros. Os países lusófonos (onde se destaca Angola), Espanha, Suíça ou Luxemburgo são os destinos preferenciais de uma aposta que começou na década de 90 e que se deveu, sobretudo, a uma particularidade explicada pelo administrador delegado da empresa: “havia uma quota de produção de leite, negociada na União Europeia, que Portugal ultrapassou. Isso obrigou-nos a procurar outros mercados para escoarmos o nosso excedente. Logo em 1997, abrimos uma sucursal em Espanha”.

Quanto ao emprego criado e sustentado, “trabalham na Lactogal mais de 1500 empregados e no grupo todo são à volta de 2200”, refere José Passinhas sobre o que considera ser “um dos principais ativos da empresa”. Terá sido, pois, muito por influência destes ativos que a média de vendas, nos últimos 20 anos, se situou nos 630 milhões de euros. Em 2015, olhando apenas ao território nacional, estes números ficaram perto dos 700 milhões.

Em simultâneo com a evolução registada, a Lactogal não vem deixando de manifestar preocupações ao nível do ambiente. O consumo de recursos naturais e de energia elétrica, assim como o tratamento e a reutilização de águas residuais e a diminuição de produção de resíduos são preocupações constantes naquela que é a sua atividade diária. José Passinhas assume esta responsabilidade: “reciclamos uma elevadíssima percentagem do material que produzimos e cumprimos as normas mais exigentes em matéria ambiental”.

De igual modo, o grupo vem apoiando famílias e indivíduos carenciados, através da distribuição de alimentos lácteos por mais de 67 instituições de caridade, e outras como fundações ligadas à cultura, à investigação e ao desporto. São mais de 6 milhões de euros em produtos doados desde o nascimento da empresa e que ajudam a perceber o envolvimento social da Lactogal.

Uma prova da competência e do esforço efetuado pelo grupo reside nas múltiplas distinções que este viu ser atribuídas às marcas que contempla. A Mimosa, por exemplo, foi reconhecida, em 2015, como a marca mais comprada pelas famílias em Portugal, resultado do primeiro Ranking das Marcas Globais de Grande Consumo, promovido pela Kantar Worldpanel. Ao mesmo tempo, a Adagio viu ser recompensado o seu empenho, com o título de vencedor do Master da Distribuição na categoria de laticínios, no ano de 2013.

“O futuro é composto por muitas mudanças e estamos num mundo em que não podemos deixar que os sonhos nos matem. Eu acho que a inovação não está morta e pode evoluir. Devemos buscar o caminho da simplicidade, é aí que encontraremos os pilares para inovar”, afirmou José Passinhas.

Como cresceu durante a crise?

A Lactogal foi um dos casos raros que conseguiu contrariar a tendência de crise global que enfraqueceu muitas empresas, levando algumas delas à bancarrota. No entanto, José Passinhas salienta que não foi fácil ultrapassar as adversidades: “a Lactogal tem crescido de forma continuada e sustentada, mas não tem estado isenta de porções de dor. A crise pode muito bem ser caracterizada como uma porção de dor que nos trouxe imensos desafios, com a agravante do setor lácteo não viver o seu melhor momento, desde que terminaram as quotas em 2015”. E para que estas pequenas dores sejam eliminadas, o administrador delegado do grupo traça um diagnóstico conciso: “agilidade, capacidade de tomar decisões em tempo útil, flexibilidade e respostas assertivas às necessidades que a conjuntura exige. É o que impera fazer”. Tudo isto a bem da tradição que a empresa vai consolidando e que é preciso manter. “Cabe-nos defender o legado que os trabalhadores e as marcas comerciais deixam”.

Duarte Pernes