Fazemos Bem

23/05/2016

Cooperativa do Ribatejo lidera venda de milho em Portugal

Agromais. É na freguesia de Riachos, pertencente ao concelho ribatejano de Torres Novas, que se encontra localizada a sede da Agromais, um entreposto comercial agrário que tem conhecido uma evolução que a fez ganhar um estatuto de referência na agricultura nacional. De tal forma que se tornou na maior cooperativa de cereais do país, no final da década de 80.

Mas, o que é, afinal, a Agromais? E quando e como começou? É a estas perguntas que começa por dar resposta Luís Vasconcelos e Sousa, presidente da empresa (à esquerda na foto). “A Agromais surgiu em 1987 por um acordo de vários produtores que resolveram fazer uma cooperativa e quiseram juntar-se para melhor comercializarem o seu produto. Na altura, o produto era fundamentalmente o milho e foi nessa base que isto se organizou”.

De facto, como também confirma Jorge Neves, diretor-geral, “o milho é a cultura principal, representa mais de 70% do movimento. Depois, existe um grupo de culturas alternativas que vieram a ser introduzidas a partir dos anos 90”. Neste aspeto, o cardápio é variado e contempla, entre outros exemplos, a batata para fritura, a cebola para consumo em fresco, o alho, ou o tomate para transformação em concentrado. Isto além de um conjunto de culturas horto-industriais como o pimento, o brócolo, as ervilhas ou as beringelas.

Para lá da sede de Riachos, a Agromais possui ainda instalações em Odivelas (Ferreira do Alentejo), Alpiarça, Azinhaga e Chamusca. Em todas elas é utilizada uma tecnologia moderna e adequada às necessidades de exploração de cada cultivo. Ao todo, contam-se cerca de 10 mil hectares de explorações agrícolas associadas.
A dificultar a prosperidade e afirmação da variedade de produtos oferecidos estão, muitas vezes, obstáculos próprios e praticamente incontroláveis que interferem com a atividade ligada ao setor.

Fenómenos naturais adversos, como intempéries ou períodos longos de seca, afetam a ação dos agricultores e, por inerência, a empresa ressente-se. Um fator que, para agravar, não está circunscrito apenas ao que ocorre em solo português. “Estes fenómenos influenciam muitíssimo a nossa estratégia em termos comerciais. Uma coisa é contarmos com determinado enquadramento de mercado e outra é, de repente, as coisas alterarem-se e o mercado virar completamente. Uma tempestade na China pode afetar o preço mundial do tomate e pode afetar uma campanha de produção de tomate em Portugal. É a globalização no sentido total do seu termo”, explica o diretor-geral.

Apesar destas variáveis, os índices de empregabilidade têm-se mantido estáveis e, inclusive, conheceram um aumento de 23 empregados, em 2014, para cerca de 40 atualmente, sendo 80% deles técnicos. Esclareça-se, contudo, que estes são dados absolutos, na medida em que a Agromais abrange também alguns postos de trabalho indiretos e que operam em regime sazonal, podendo em determinadas fases atingir números bastante superiores.
Sobre a capacidade de produção relativa aos profissionais associados a esta empresa e a movimentação destes produtos por parte da mesma, Jorge Neves deixa alguns apontamentos que retratam, mais uma vez, a predominância do milho e a presença de hortaliças e plantas diversas: “Representamos quase um terço da quantidade total de milho que é produzida em Portugal e que depois entra nos circuitos comerciais. Só aqui são 130 mil toneladas movimentadas. Nas outras culturas, são praticamente 100 mil toneladas de tomate, 15 mil toneladas de cebola e de batata para indústria”.

Relativamente à faturação, os responsáveis da Agromais não avançam com detalhes sobre 2015, mas confessam que foi um ano proveitoso para a cultura do tomate e penalizador para o milho. Em 2014, os lucros rondaram os 100 mil euros e o volume de negócios situava-se nos 35 milhões. O mercado nacional tem a primazia e é ele que possibilita estes resultados, muito embora as exportações tragam igualmente dividendos, com o Reino Unido a ser a zona geográfica preferencial neste capítulo.

Ao mesmo tempo que funciona como um parceiro de relevo para os trabalhadores da agricultura, a Agromais exerce uma função social que se materializa por uma ligação estreita à região e ao país em que se insere. Segundo Luís Vasconcelos e Sousa, esta é uma prerrogativa que a empresa tem obrigação de manter: “temos esse ónus de gerar riqueza económica, mas também oportunidades para a comunidade em que nos inserimos. Ajudamos ONG, instituições desportivas e os melhores alunos de várias escolas. Faz parte daquilo que é gerar valor”.

Os prémios e menções honrosas recebidos (do clube de produtores da Sonae, por exemplo) servem de inspiração e motivação para projetos a longo prazo. Ideias que passam, nomeadamente, pela introdução de árvores de fruto, tendo em vista os mercados de exportação.

Como cresceu durante a crise?

A crise económica internacional não foi impedimento para que a Agromais se mantivesse estável e para que, apesar de tudo, os seus níveis de crescimento não ficassem comprometidos. Uma realidade que se explica, essencialmente, pela política de confiança e proximidade em relação à comunidade e aos consumidores em particular. Esta é, pelo menos, a visão de Luís Vasconcelos e Sousa: “A confiança que os nossos fornecedores e os nossos clientes vieram, cada vez mais, a ter em nós foi decisiva. Isto permitiu que aumentássemos quer o volume de compras quer o volume de vendas”. Outra justificação tem a ver com a tomada de consciência da relevância do setor agrícola na economia nacional. “A agricultura teve, nos últimos anos, uma circunstância especial. Ficou provado que era um setor com potencial de crescimento em Portugal, não só nos negócios mais tradicionais como em novas áreas geográficas do país, casos do Alqueva e de outras zonas de influência atlântica”, esclareceu o presidente da empresa.

Duarte Pernes