Fazemos Bem

09/05/2016

Arroz português afirma-se nos quatro continentes

Legenda: André Coelho, diretor de marketing, Mário Coelho, presidente do Conselho de Administração, e Tiago Coelho, diretor de produção (da esquerda para a direita)


Novarroz. Empresa produtora de arroz, sediada em Oliveira de Azeméis, aposta forte na internacionalização. A crise financeira mundial e a pouca tradição de Portugal neste mercado, não parecem ser impedimentos. Os seus responsáveis sublinham a presença em 51 países, distribuídos por quatro continentes. Um dado que ilustra a dimensão global da empresa.

O arroz é um dos alimentos mais procurados e ingeridos pelos consumidores, pertençam eles ao estrato social a que pertencerem, em todo o Mundo. Na aldeia de Adães, concelho de Oliveira de Azeméis, existe uma empresa portuguesa cujo principal negócio se prende, justamente, com a produção deste tipo de cereal. Foi batizada com o nome de Novarroz e tem conhecido uma evolução que lhe permitiu não só estabelecer-se em Portugal, como chegar aos mercados internacionais.

A data de fundação oficial da Novarroz remonta ao ano de 1979, embora os seus proprietários tenham iniciado a atividade que lhe deu vida algumas décadas antes. Segundo conta Mário Coelho, presidente do Conselho de Administração, “o meu avô começou, nos anos 40, esta atividade com gente da terra, nos moinhos de água – o que representa um processo muito artesanal – e mais tarde, entre 1971 e 1972, criaram a primeira indústria. A Novarroz nasce em 1979, já com processos automatizados”.

De então para cá, a empresa foi crescendo paulatinamente, mantendo-se como um negócio familiar que vai já na quarta geração, no que respeita à sua estrutura diretiva. A aposta na modernização tecnológica e na qualificação dos recursos humanos ajuda a justificar o porquê do sucesso de um investimento que prima, entre outros aspetos, pela diversidade dos seus produtos. O arroz é o elemento transversal, mas a sua variedade preenche todos os gostos e estilos: desde o carolino ao agulha, passando pelo jasmim, basmati, entre outros.

Porém, nem tudo foi fácil e constante naquilo que marcou o crescimento e a afirmação da empresa. Sobretudo a partir de 2011, a Novarroz foi obrigada a reinventar-se e a modificar algumas lógicas que vinha a aplicar até então no panorama nacional, como refere André Coelho, diretor de marketing: “No mercado luso, tivemos que reforçar a identidade das submarcas que tínhamos, como por exemplo a Louro e a Oriente. Apostamos também nos produtos premium e de nicho, nomeadamente a gama de vácuo e os produtos novos de saltear e de natura”. Para além da Louro e Oriente, a Novarroz tem marcas como Cataplana, Cozinha Velha, D’El Rei, EasyRice, Paparoca, Loriza, Boa Nova, entre outras.

Outro caminho trilhado entre 2011 e 2015, e que se tem revelado fundamental, foi o da exportação. De tal modo que, hoje, “o grosso do crescimento vem dos investimentos feitos na internacionalização”, salienta André Coelho. Um rumo que obrigou, igualmente, à adaptação a uma nova realidade e a que fossem alterados determinados procedimentos: “a aposta na exportação forçou uma transformação significativa do tipo de vendas da empresa, que partiu, no último ano, de uma base de 5% para mais de 50%. Tudo isto levou a uma mudança interna da nossa organização e do nosso processo de fabrico. Isto porque os mercados em que entrámos têm exigências diferentes do produto português a vários níveis”, explica o diretor de marketing da Novarroz. Mário Coelho oferece uma visão complementar sobre esta matéria, assumindo que “Portugal, tradicionalmente, é uma nação importadora de arroz” e que o país não tinha, enquanto exportador, história neste campo.

Em termos de empregabilidade, a Novarroz conta, no presente, com 70 trabalhadores. A curto/médio prazo é provável que este número cresça. Esta é, pelo menos, a previsão de Mário Coelho: “Até final do ano, os quadros vão ter de aumentar. Isto é um processo gradual, mas a tendência aponta para o aumento do número de postos de trabalho”.

Já relativamente à faturação, em 2015 mantiveram-se os 34 milhões de euros apresentados um ano antes, mas os resultados líquidos cresceram quase 20%. Para 2016, a estimativa é de um crescimento de 4% ou 5% quer em resultados quer em volume de negócios. De resto, neste primeiro trimestre, a empresa conseguiu crescer em termos de volume, quando comparado ao que aconteceu, em igual período, no ano anterior.

A coroar esta trajetória ascendente da Novarroz está a presença (em Abu Dhabi, corria o ano de 2013) na fase final do “Inovation Award” promovido pela Sial, uma feira de referência do setor alimentar a nível global. Tudo graças ao “easy rice saltear”, que se caracteriza por ser uma receita já preparada e que se cozinha com rapidez.

De futuro, os responsáveis da empresa desejam manter e, se possível, melhorar os padrões apresentados até aqui, sabendo dos requisitos exigidos para o atingir. André Coelho mostra-se ciente do desafio e deixa a seguinte ideia: “o arroz é um produto ‘commodity’ e nós, para nos distinguirmos e conseguirmos ter uma presença duradoura nos mercados, temos não apenas de nos diferenciar, como de acrescentar valor aos produtos que comercializamos”.

Como cresceu durante a crise?

Apesar de todas as alterações ocorridas na empresa, a Novarroz conseguiu sobreviver à crise financeira internacional e continuar num bom ritmo de desenvolvimento e competitividade. Algo que, para Mário Coelho, se deve “a uma política rigorosa e estrita a nível de investimentos e de compra, para além da formação dos quadros e da realização de vários estudos de mercado, sendo possível assim responder às exigências que são colocadas em cada momento”.

André Coelho, por seu turno, justifica este facto com a solidez de consumo do produto associado ao “core business” da Novarroz: “o arroz é um produto de cabaz básico e portanto, mesmo em altura de crise, o consumo manteve-se bastante estável”. Ambos defendem, também neste capítulo, que a emancipação da empresa – devido à penetração desta nos mercados estrangeiros – se constituiu como uma espécie de tábua de salvação para ultrapassar os problemas que fustigaram a economia mundial e, muito em particular, a portuguesa.

Duarte Pernes