Fazemos Bem

30/11/2015

Um gigante da hotelaria que já chegou ao Brasil e até vinhos sabe fazer

Quem entra nos escritórios centrais do grupo Vila Galé em Lisboa percebe o frenesim. Muita gente em movimento, ao telefone ou em reuniões, e muitos olhos focados nos computadores. O tempo não para e há imensas tarefas a cumprir. Afinal de contas, são já 27 as unidades que possui, em Portugal e no Brasil, e há um negócio de vinhos e azeite a ganhar dimensão. Nas paredes, vemos imagens de vários empreendimentos que o grupo gere de norte a sul do país e em terras de Vera Cruz. E alguns lemas que movem a empresa. Um deles: “encantar o cliente”.

A Vila Galé conta já com quase três décadas de existência. Em meados dos anos 80, Jorge Rebelo de Almeida, um advogado especializado em consultoria jurídica para o setor da construção civil e hotelaria, encontrou uma oportunidade e decidiu investir, com dois sócios, na compra de um terreno na praia da Galé (Albufeira), no Algarve. E avançou em 1986 com a construção do seu primeiro hotel, inaugurado dois anos depois.

Com o êxito do primeiro investimento, o grupo decidiu então expandir-se no Algarve e, entre 1990 e 1995, abriu quatro novas unidades hoteleiras em Albufeira e Armação de Pêra. “Todos os resultados do negócio foram sendo reinvestidos no crescimento da empresa”, explica o administrador Gonçalo Rebelo de Almeida. Esta filosofia permitiu implementar uma estratégia de crescimento à média de uma abertura por ano. De 1996 a 1999, além de um novo hotel em Vilamoura, dá-se o salto para outras regiões, com aberturas em Cascais, Estoril e Porto.

A internacionalização surgiu em 2001, ano da inauguração de um hotel em Fortaleza, no Brasil. “Entendemos que o Brasil não tinha muita oferta hoteleira e podia ser melhor explorado como destino turístico. Vimos aqui uma oportunidade, pelas excelentes condições naturais (tempo e praias), a componente cultural e gastronómica, e boas ligações aéreas”, sublinha.

Em território brasileiro, o grupo tem hoje sete unidades hoteleiras distribuídas por Rio de Janeiro, Fortaleza, Caucaia, Salvador, Guarajuba, Pernambuco e Angra dos Reis, sendo que quatro são hotéis de resorts. Em marcha está a criação de um novo projeto, no estado de Natal, que consistirá num resort com 500 quartos perto da praia, a concluir em finais de 2017 ou 2018.

Por seu lado, em Portugal, a rede de 20 hotéis estende-se por Algarve, Beja, Évora, Oeiras, Cascais, Ericeira, Estoril, Lisboa, Coimbra, Porto, Douro e Madeira. “As unidades do Douro e de Évora abriram este ano. Temos uma grande cobertura e estamos nas principais regiões turísticas nacionais. Teremos um novo hotel no Porto, na zona da Ribeira, que deverá abrir em 2017 e estamos a estudar oportunidades”. Os turistas portugueses valem 37% da ocupação dos hotéis nacionais, à frente de ingleses, alemães, espanhóis, franceses, holandeses, belgas e brasileiros.

Noutro plano, a abertura de um hotel rural em Beja, há mais de uma década, deu azo ao lançamento de uma marca de vinho regional alentejano e azeite de qualidade, de seu nome Santa Vitória, de modo a rentabilizar um terreno de 1620 hectares. “Pensámos em desenvolver atividades autossustentáveis que pudessem tirar partido da terra. Daí partimos para a plantação de 130 hectares de vinha e hoje produzimos perto de um milhão de garrafas de vinho anuais”, revela Gonçalo Rebelo de Almeida.

Os hotéis Vila Galé comercializam 15 a 20% dos vinhos Santa Vitória e a restante produção está presente em grandes superfícies, garrafeiras, restaurantes, outros hotéis e em canais de exportação, como Brasil, Angola, Norte da Europa, Luxemburgo, França, Alemanha e Canadá, que representam 25% das vendas. “A marca tem sido alvo de vários prémios e distinções. É um negócio que dentro do grupo já fatura 2,2 milhões de euros”.

Para além dos vinhos, o grupo possui ainda 150 hectares de olival e está a produzir azeite. Outra aposta recente é a produção de pera rocha. “Avançámos com uma exploração de 45 hectares e teremos este ano a primeira grande produção. O terreno e as condições climatéricas da região permitem que a pera saia um mês mais cedo para o mercado, o que poderá ser uma vantagem”, sustenta Gonçalo Rebelo de Almeida, que embora focado no negócio dos hotéis, não descarta a possibilidade de replicar o projeto agrícola na região do Douro.

Com um total de 2500 funcionários, a Vila Galé apresenta hoje uma oferta de 12 500 camas nos seus 27 hotéis. A estimativa de faturação em 2015 é de 150 milhões de euros. Quanto ao futuro, a expansão internacional é uma possibilidade. “Temos vindo a analisar mercados como Cuba, Cabo Verde, Espanha e Moçambique”, avança Gonçalo Rebelo de Almeida.

Para Cuba e Cabo Verde, os planos passam por uma oferta de resorts. Em Moçambique, a ideia seria abrir um hotel em Maputo. Quanto à ida para Espanha, cidades como Madrid ou Barcelona, a costa sul do país e as ilhas Canárias ou Baleares são alvos preferenciais. “Pretendemos continuar com o ritmo de uma abertura anual. Não queremos crescer demasiado, mas sim de forma sustentada”, conclui o administrador.

Bruno Amorim