Fazemos Bem

16/11/2015

A tecnológica que mudou a forma como viajamos através dos aeroportos

Há cerca de uma década, uma empresa acreditou ser possível maximizar as potencialidades dos dados existentes no passaporte eletrónico. Daí até desenvolver uma tecnologia inovadora e 100% nacional, de controlo automatizado de fronteiras, foi um pequeno passo. Hoje, a Vision-Box, tem mais de 3000 soluções de gestão de identidade eletrónica e 1000 soluções de controlo automatizado de fronteiras em mais de 60 aeroportos internacionais. Portugal foi a rampa de lançamento para um negócio que se encontra em plena fase de expansão.

A empresa nasceu em 2001, com um grupo de investigadores do Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação (INETI) a trazer para o mercado parte das atividades de investigação que fazia há vários anos. “Eram tecnologias ligadas ao processamento de imagem e videovigilância digital, com projetos na área da defesa e setor aeroespacial. Foi a principal atividade nos primeiros quatro anos”, conta Bento Correia, chairman da Vision-Box (à esquerda na foto).

A partir de 2005, ocorre a entrada na área do reconhecimento biométrico, com o desenvolvimento do passaporte eletrónico e do cartão do cidadão português. “Este processo acabou por desencadear as tecnologias que criámos. Portugal foi um dos cinco primeiros países a aderir ao passaporte eletrónico e nós desenvolvemos a plataforma de captura de dados biométricos que são integrados dentro do chip incorporado nos documentos”, refere o presidente executivo (CEO), Miguel Leitmann (à direita na foto).

Este projeto abriu caminho para soluções baseadas em tecnologias de verificação da identidade que recorrem à biometria. E foi assim que surgiu o sistema controlo automatizado de fronteiras em aeroportos. O RAPID (Reconhecimento Automático de Passageiros Identificados Documentalmente), desenvolvido para o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), começou a ser testado em abril de 2007 no aeroporto de Faro. No mesmo ano, chegou a todos os aeroportos internacionais portugueses e, mais tarde, aos portos marítimos.

E como funciona? Na prática, quando um passageiro chega ao aeroporto e entra na zona de controlo fronteiriço, uma gate (porta eletrónica) da Vision-Box faz a autenticação do passaporte e, através de um sistema de reconhecimento facial, capta os dados do viajante e compara o seu rosto com a fotografia registada no chip do documento. Só depois de validado o processo de identificação, que inclui uma pesquisa em bases de dados internacionais (por exemplo, da Interpol), é que as portas se abrem e o passageiro é autorizado a prosseguir.

“As vantagens são evidentes. Além da comodidade dos passageiros, também a segurança é reforçada. Apenas com o reconhecimento facial, conseguimos ter desempenhos muito superiores aos conseguidos num controlo normal. O erro humano nestes casos ronda os 10%. Nos sistemas de reconhecimento automático estamos a falar de 0,01%”, explica Bento Correia.

O símbolo azul da Vision-Box já percorre o mundo e está presente em países como Reino Unido, Austrália, EUA, Qatar, Finlândia, Holanda, Suécia, Noruega, Brasil, Colômbia, Ruanda, ou Venezuela. “Com centenas de milhões de passageiros a viajar pelo mundo fora dispondo de um passaporte eletrónico, provámos que o reconhecimento facial era uma solução biométrica segura para o controlo automatizado de fronteiras. Hoje é desejável que o viajante não tenha mais de 45 minutos de estadia num aeroporto. Poupa-se tempo e as autoridades conseguem assim focar-se nos viajantes que precisam de uma atenção mais rigorosa”, diz Miguel Leitmann.

Em alguns países, a identificação de passageiros pode também ser feita através da leitura da íris ou de impressões digitais. Tudo depende da legislação existente em cada país. Ao todo, a Vision-Box tem instalados mais de 3000 sistemas de identificação eletrónicos nos cinco continentes. Bento Correia salienta que “as nossas máquinas fazem cerca de 80 milhões de controlos por ano. Somos líderes de mercado com uma quota de 90% na Europa e 30% a nível mundial. Em 2014, o nosso volume de negócios foi de 25 milhões de euros e vamos chegar aos 35 milhões em 2015. Concorremos com empresas que faturam biliões e é a esse campeonato que queremos chegar”.

O crescimento da empresa tem sido vertiginoso, o que obrigou a um processo de transformação interna, dada a expansão de mercados e recursos humanos. “Estamos em mais de 60 aeroportos internacionais e existem milhares no mundo sem esta tecnologia. O mercado que nos espera é enorme. E além da aviação, juntam-se as fronteiras terrestres e marítimas. O nosso desafio agora passa pela organização e estruturação da empresa. Fomos a PME portuguesa que mais pessoas recrutou em 2014. São boas dores de crescimento. Hoje temos 270 colaboradores e filiais em todos os continentes”.

Um ponto essencial do quotidiano da Vision-Box passa pela inovação. A flexibilidade e rapidez de resposta tem sido uma vantagem face à concorrência. Com a adesão de cada vez mais países ao passaporte eletrónico, a Vision-Box tem um mercado enorme por desbravar. E está a preparar a casa para poder dar esse salto de gigante.

Bruno Amorim