Fazemos Bem

09/11/2015

Projeto ambicioso dá saúde e faz crescer a oferta na região Norte

Se lhe perguntarem o que liga os hospitais privados à indústria têxtil, lembre-se que a resposta é a família Vila Nova – dona de marcas como Salsa e Tiffosi – e o Grupo Trofa Saúde. À partida é um casamento improvável, mas o tempo mostra que, apesar das muitas dificuldades e de um cenário de pré-falência, uma eficaz gestão financeira aplicada a uma causa na qual se acredita, dá saúde e faz crescer.

“O projeto nasceu há 26 anos com a Casa de Saúde da Trofa que era uma coisa pequena. Chamavam-lhe Casa da Saúde mas nem internamento tinha e, passados 10 anos, deu lugar ao Hospital Privado da Trofa. A ideia foi liderada por um médico, o doutor José Vila Nova, que alimentou o sonho de construir um hospital numa terra onde a oferta pública era muito má e deficiente”, explica Artur Osório, vice-presidente do grupo.

Com a ajuda dos empresários locais o sonho tornou-se real apesar de ter demorado algum tempo a ser construído. “Naquela época tinha já um modelo de funcionamento diferente daquilo que eram os hospitais públicos e mesmo privados. Uma estrutura moderna e muito voltada para o doente”, acrescenta o mesmo responsável. O ano de 2004 mostrou o êxito da ideia, uma vez que se registava uma elevada procura daquela unidade hospitalar.

O sinal positivo serviu de embalo para um plano de crescimento. “A administração da altura, já apoiada e alavancada com dinheiros da banca, lançou novos investimentos. Um foi o hospital da Boa Nova, em Matosinhos, fundado em 2009, seguido do hospital de Braga, em 2011”, conta Artur Osório. Pouco tempo depois, tinha sido dado início também à construção do hospital de Alfena, em Valongo.

“Muitos projetos ao mesmo tempo e muito endividamento” adicionado à “crise internacional e ao facto de a banca ter fechado a torneira” trouxe, diz o administrador, “muitas vicissitudes ao grupo”. Perante este prognóstico muito reservado, Artur Osório mostra com clareza a solução: “Foi necessário injetar dinheiro que veio da própria família Vila Nova, um grupo forte na área têxtil aqui no Norte”.

Feito o investimento “mudou-se para um modelo diferente de gestão, mais rigorosa, por objetivos e mais profissionalizada”, conta o vice-presidente. “Isto estava mesmo em pré-falência mas com as alterações de melhoria implementadas conseguimos pôr a funcionar como deve ser o hospital de Braga, da Boa Nova e, passado um ano, já estávamos a abrir o de Alfena. Sempre com algumas dificuldades iniciais mas os resultados começaram a subir”, admite.

Atualmente, o Grupo Trofa Saúde tem oito hospitais: um na Trofa, dois em Braga, um em Alfena, um em Matosinhos, um em Gaia, um na Maia e outro em Famalicão. O volume de faturação fala por si e mostra a recuperação da saúde financeira da empresa. “Este ano vamos atingir os 96 milhões de euros. No ano passado tínhamos chegado aos 77 milhões e em 2013 aos 69 milhões”, afirma.

No que aos postos de trabalho diz respeito, Artur Osório explica que diretos são 1300, mas “depois temos uma série de prestadores de serviço cuja maioria são médicos e enfermeiros”. No entanto, sublinha o administrador, a ideia passa por inverter a tendência: “De uma forma progressiva, o grupo vai tendo cada vez mais médicos no seu quadro. Neste momento, tem já à volta de 70 médicos no quadro e queremos aumentar”.

Questionado sobre a que se deve este pulo significativo no setor de saúde privada num país com grandes restrições económicas, Artur Osório responde prontamente que “o Grupo Trofa Saúde cresceu mais proporcionalmente, sendo hoje o quarto maior grupo, mas cresceram todos”. E porquê? “Porque o cidadão moderno, e o português em particular, é ávido por escolher. E também gosta de escolher na saúde e tem conhecimentos, ao contrário do que se pensa. E o Serviço Nacional de Saúde não se preparou para isso. Mantém os seus cidadãos sob tutela”.

O administrador reconhece que o investimento “não é do cidadão particular privado, do seu bolso direto, mas sim dos seguros, dos subsistemas de saúde e das empresas”. Um dos fatores de sucesso do grupo passa por “não ter hospitais grandes só no Porto ou em Braga. Nós preferimos estar próximos das pessoas e isso é extremamente valorizado por elas”, afirma.

Os números falam por si. “Em 2012, atendíamos na consulta externa 520 mil pessoas e hoje atendemos 831 mil. Só nas urgências recebemos, por ano, um milhão de utentes em todo o grupo. Agora, e progressivamente, estamos a aumentar o internamento onde se tem registado mais procura, nomeadamente para grandes cirurgias. Temos capacidade instalada de quase 500 camas”, enumera.

De olhos postos no futuro continua o crescimento a Norte, com uma nova unidade em Vila Real, bem como a abertura de algumas policlínicas e a remodelação do hospital de Gaia. “Está ainda nos nossos planos fazer em Alfena um centro oncológico privado com tudo integrado e a Sul temos previsto o investimento de uma unidade hospitalar na região de Lisboa”, revela Artur Osório. Angola está também no radar do grupo, mas “é preciso que o país estabilize política e socialmente”.

Marta Araújo