Fazemos Bem

02/11/2015

Cruzeiros que trazem turistas de todo o Mundo à Invicta e ao Douro

Numa época em que o Porto estava longe de ter a dinamização turística que tem hoje, um jovem empreendedor de 25 anos decidiu arriscar e lançar um negócio de cruzeiros no rio Douro. Foi um trabalho de promoção a solo que, paulatinamente, começou a atrair o interesse de turistas dos mais variados cantos do Mundo. Hoje, passadas cerca de duas décadas, a Douro Azul transporta mais de 29 mil passageiros por ano e tem em marcha uma ambiciosa estratégia de expansão.

Os barcos da empresa entraram dentro de água pela primeira vez em 1993. Inicialmente, a aposta passou por cruzeiros diários. “Era uma vertente que incluía dormida num hotel da região duriense, o Palácio Solar da Rede ou o Vintage House Hotel”, recorda Mário Ferreira, presidente executivo da Mystic Invest, grupo que detém a Douro Azul. Mais tarde, a estratégia mudou. “Entendemos que havia espaço para crescer nos cruzeiros em navio-hotel, que são hoje a principal âncora do nosso negócio”.

Ao todo, a Douro Azul possui 10 navios-hotel, estando mais um em construção nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, que perfazem uma oferta de 1200 camas. A frota da empresa inclui ainda três barcos rabelo para passeios entre as pontes do Porto, dois iates de luxo e um navio, o Trafaria Praia, trabalhado pela artista Joana Vasconcelos para a Bienal de Veneza em 2013, dedicado a visitas e cruzeiros no rio Tejo, em Lisboa.

O programa com maior procura é o cruzeiro de uma semana. Um itinerário com partida do Porto e que sobe o rio Douro até ao cais de Vega Terrón, em Espanha, fazendo depois a viagem no sentido inverso. “Todos os dias paramos numa pequena localidade onde interagimos com a região duriense, visitando monumentos e experiências locais, como jantar no Mosteiro de Alpendorada, degustações vínicas no Pinhão ou almoçar em Salamanca”, conta Mário Ferreira.

A Douro Azul transportará 29 100 passageiros em 2015, número que cresce de ano para ano. Os seus principais turistas vêm de países como EUA, Reino Unido, Alemanha, Suíça, Áustria, Bélgica, Holanda, Luxemburgo e Austrália, sendo o mercado asiático um alvo futuro. “É algo que necessita de trabalho turístico, essencialmente de voos diretos. Seriam fundamentais e estamos a trabalhar na possibilidade pelo lado chinês”, revela.

Na cidade do Porto, o grupo possui ainda 10 autocarros turísticos (BlueBus), cuja procura duplicou em 2015, e dois helicópteros (com outro a caminho) para passeios aéreos (Helitours). Os projetos da Mystic Invest contemplam ainda outros investimentos, nomeadamente, na área da hotelaria. O antigo edifício do Café Monumental, na Avenida dos Aliados, será transformado num hotel de luxo, denominado Monumental Palace Hotel.

E outros projetos estarão a caminho. “A falta de dimensão tem feito com que os hotéis da região do Douro não tenham tido grande sucesso. É preciso criar massa crítica, e vamos contribuir para isso, podendo ter uma unidade com um número de quartos que possibilite criar eventos para colmatar dias de menor procura. Tem de existir uma unidade que atraia clientela para si e possivelmente outras em redor”, refere Mário Ferreira.

No ano passado foi também lançado o World of Discoveries, um museu dedicado aos Descobrimentos Portugueses, em Miragaia, no Porto. Para o administrador, todos estes investimentos “fazem parte de uma estratégia de diversificação da atividade turística, com serviços complementares, usando os canais de distribuição que nos estão acessíveis”.

Mário Ferreira entende que a Douro Azul contribuiu para a criação do Porto e Norte de Portugal como destino turístico. “Sem falsas modéstias, este negócio está nas bases do desenvolvimento turístico da região. Nos anos 90, as coisas eram muito diferentes. O importante foi começar. Criou-se um efeito bola de neve que resultou no movimento dos últimos cinco anos”.

Para o empresário, a promoção turística da região deve ser multifacetada. “Deve ser elitista e cultural para um nicho e popular para outro. Quanto mais organizada e abrangente for, maior será a quantidade e diversidade de turistas a receber, seja para dormirem num hostel em quartos com oito camas ou num hotel de cinco estrelas”.
Com cerca de 500 colaboradores, o volume de negócios da Douro Azul situou-se nos 31,5 milhões de euros em 2014 e este ano deverá crescer para os 36 milhões. Números que deverão triplicar em 2016, já que, depois da aquisição da empresa de cruzeiros alemã Nicko Cruises, a faturação acumulada deverá ser superior a 100 milhões de euros.

A Douro Azul caminha a passos largos para se tornar um operador global. Com a Nicko Cruises, os rios Sena, Ródano, Reno, Mosel, Danúbio, Elba, Volga, Nilo, Irauádi, Chindwin, Mekong, Yangtzé e Ganges, a costa da Croácia irão juntar-se ao rio Douro. “Com esta nova aquisição passamos a estar presentes em praticamente todo o Mundo”, conclui Mário Ferreira, que está também a criar de uma oferta de cruzeiros turísticos na Amazónia.

Bruno Amorim