Fazemos Bem

19/10/2015

Negócio sobre rodas acelera pelas estradas da Europa e de África

É caso para dizer que há males que vêm por bem. Foi graças à forte crise que se alojou em Portugal entre 1983 e 1985, e que obrigou a que a então pequena Torrestir e os seus poucos camiões tivessem ficado parados durante meses, que levou a que este negócio de família tenha, por uma questão de sobrevivência, metido o turbo em direção à internacionalização e não mais parasse de crescer.

O pai de Fernando e Romeu Torres fundou o pequeno negócio de transportes, em Braga, corria o ano de 1962, mas cedo os filhos tomaram a condução da empresa. A idade avançada do progenitor, que tinha casado tarde e teve os filhos numa linha temporal igualmente um pouco mais avançada, esteve na origem da situação. “Eu comecei a trabalhar com o meu pai no dia 1 de setembro de 1970”, recorda Fernando, o filho mais velho e atual CEO do Grupo Torrestir. “Era muito jovem, tinha 16 anos e o universo dos transportes nesse tempo era extremamente diferente”, acrescenta.

“O meu pai casou-se muito tarde e já tinha uma idade. Por isso, tomei a rédea da empresa com 18 anos. Tinha na altura cinco viaturas e cinco colaboradores, para além de mim. Eu é que emitia as faturas, cobrava, pagava, fazia tudo”, conta. O negócio ia correndo paulatinamente bem, até que surgiu a grande crise de 1983 e 1985, “em que os transportes quase pararam totalmente porque não se faziam importações e as divisas estavam igualmente paradas”, contextualiza o empresário.

Mediante o problema, Fernando focou-se na solução. “Meti-me num carro e fui para Espanha e França e comecei a fazer contratos com esses países e foi aí que iniciámos os negócios fora do país”. Sem falsas modéstia garante: “Fui o impulsionador da internacionalização”. Dados os primeiros passos, foram pela Europa fora e o terceiro país com o qual iniciaram negociações foi a Alemanha, em 1987. Um mercado que é hoje de muita importância, sendo responsável por cerca de 30% da faturação.
A pequena Torrestir transformou-se, entretanto, num complexo grupo empresarial.

Os seus serviços estão divididos em seis áreas e respetivamente subdivididos: Distribuição, Soluções Logísticas, Transporte Rodoviário Internacional, Transporte Nacional Rodoviário, Transporte Aéreo e Marítimo e Torrespharma (serviço dedicado ao transporte de medicamentos), para além das empresas em Espanha e na Alemanha. Com uma carteira de mais de quatro mil clientes, hoje têm mais de 1000 viaturas e igual número de motoristas, que são os seus verdadeiros tesouros.

“Nunca temos um cliente que pese mais do que 10% na nossa faturação”, refere Fernando Torres, e “investimos três vezes mais do que a lei indica em formação aos nossos motoristas, sendo que a própria administração também a frequenta. É algo que fazemos há 30 anos. Estamos essencialmente muito atentos às formações que temos de fazer e que são importantes para os nossos clientes e penso que é isso que nos marca”, justifica o CEO.

O Grupo Torrestir faturou 166 milhões de euros em 2014. “Criámos 200 postos de trabalho em 2015, o que compõe, atualmente, 1600 trabalhadores”, refere Fernando Torres. “Vamos com um crescimento de 13%, só no primeiro semestre de 2015, e nos últimos 15 anos temos crescido sempre dois dígitos. Não é fácil mas temos conseguido”, acrescenta.

E a que se deve a boa prestação numa economia em recessão? “Este crescimento deveu-se ao aumento das exportações e à recuperação do poder de compra dos portugueses”, justifica o administrador. Outro modo de fintar a crise é diversificar destinos e reforçar a presença onde já se está: “Ao longos deste anos todos procurámos mercados novos como Angola e Moçambique, e temos tido um crescimento muito grande na Alemanha, onde estamos há 13 anos e temos uma empresa nossa lá, tal como em Espanha, há cerca de 15 anos”.

De um modo concreto, Fernando Torres explica que o grupo está “em toda a Europa, onde temos agentes a trabalhar connosco há muitos anos. Somos muito fortes em Itália, em Inglaterra, Bélgica, Alemanha e França. São estes os países que atualmente têm mais peso ao nível da faturação”, refere. “Queremos reforçar a presença nos países de Leste”, sublinha.

Assumindo que “agora é difícil fazer planos a longo prazo”, o CEO aponta que, ainda este ano, “será feito um investimento em duas novas plataformas, uma em Braga (um centro logístico com 100 mil metros) e outra em Matosinhos (com 50 mil metros). Em 2016, vamos construir uma nova plataforma em Albufeira e uma outra em Palmela”. Feitas as contas, vão conseguir conceder perto de 400 novos postos de trabalho.

Se lhe perguntam pelos motivos do sucesso, Fernando Torres elenca “o comando único e centralizado, o que permite reações rápidas em situações de emergência, a disponibilidade de recursos financeiros e administrativos para autofinanciamento obtido de poupança efetuada ao longo dos anos, as importantes relações comerciais decorrentes de um nome respeitado, a organização interna leal e dedicada, a forte valorização da confiança mútua independentemente do vínculo familiar e a formação de laços entre colaboradores antigos e os proprietários” como aspetos que têm um papel decisivo no desempenho da empresa.

Marta Araújo