Fazemos Bem

12/10/2015

Acessórios de moda que conquistam as mulheres em mais de 50 países

Respira-se moda, vê-se muita cor, sentem-se diferentes texturas e materiais e é de tendências que se ouve falar, sempre num constante frenesim e corre corre próprio de um ambiente de constante criação. É no quartel-general da Parfois, no Porto, que todo o design é pensado e depois testado – num autêntico trabalho artesanal – e onde a criatividade não pode ter fronteiras. Afinal de contas, é para um mercado global que se trabalha.

“O normal, quando uma designer está a trabalhar, é pensar numa mulher que gosta de moda, que está informada sobre as tendências, que trabalha e é urbana”, explica Sérgio Marques, diretor-geral da empresa. “Se tivermos que definir uma faixa etária, estaríamos a falar de uma mulher entre os 25 e os 35 anos”, mas “não quer dizer que não tenhamos produtos dos 8 aos 80 anos”, sublinha.

Para o mesmo responsável, “qualquer mulher que entre nas nossas lojas vai encontrar alguma coisa de que goste”, até porque às vezes “as miúdas mais novas querem parecer mais velhas e também que já estão a trabalhar e, se calhar, as mulheres mais idosas querem-se rever numa figura mais nova”. Na prática, define Sérgio Marques, “hoje em dia uma mulher de 45 e uma de 25 podem perfeitamente usar a mesma coisa”.

Sendo certo que os clientes da marca são “99,9% mulheres”, a maioria dos homens que compra é, normalmente, para oferecer. “A Parfois é uma prenda fácil para o homem comprar porque se disser à colega que está na loja que tem um presente para oferecer a uma mulher com estas características, ela em dois minutos vai indicar as soluções certas”.

A empresa existe há 21 anos. E Sérgio Marques chegou há 11, numa altura em que tinha sido já dado o primeiro passo rumo à expansão do negócio. Corria o ano de 2002 e a Arábia Saudita foi o primeiro mercado fora de portas que a Parfois decidiu conquistar. Hoje, a insígnia marca presença em 52 países e desenvolve 3500 referências de produtos por estação. “Este ano, vamos transacionar, seguramente, mais de 20 milhões de peças”, refere.

A experiência vai ditando a entrada e saída de famílias de produtos. Artigos para criança e homem, por exemplo, deixaram de ser aposta, enquanto o calçado tem ganhado cada vez mais preponderância. “Ao longo do tempo fomos mudando a forma de observar o mercado. Do nosso lado, entendemos que devíamos ter um conceito que fosse claro para o cliente e que ele percebesse o que estamos a oferecer. E uma das coisas importantes foi focarmo-nos no que é que entendemos que são os acessórios de moda”.

Posto isto, diz Sérgio Marques, a Parfois procura “produtos que se enquadrem no conceito da marca e que o cliente fique contente de encontrar dentro da loja e que faça sentido no cômputo geral, sem esquecer que procuramos também surpreender quem nos visita”.

O ritmo de trabalho só pode ser acelerado. Senão vejamos: todas as semanas há novidades. “Para nós é algo fundamental. O produto tem um período de venda muito curto em loja. O normal de uma carteira é estar em loja seis semanas”, exemplifica o mesmo responsável, que vai mais longe ao afirmar não acreditar “que haja outra marca a fazer tantas carteiras diferentes como nós fazemos”.

Presente em países com acentuadas disparidades culturais e religiosas, quais são as diferenças ao nível da oferta? Sérgio Marques afirma que “são quase todos os mesmos produtos em todos os países. As adaptações que se fazem são por motivos religiosos – a Arábia Saudita não permite ter determinados produtos, como é o exemplo das cruzes – ou por razões atmosféricas”. E exemplifica: “Na Colômbia, em novembro e dezembro está calor e na coleção que vai para lá temos de reduzir a oferta de sapatos de inverno e fazer alguma coisa mais de calçado que se usa numa época quente do ano”.

Em 2014, a empresa registou um volume de vendas consolidado superior a 173 milhões de euros, mas não se pense que, pelo facto de estar presente em mais de 50 países, o mercado doméstico não é importante. Portugal representa 29% do negócio, seguido de Espanha com 27%.

E como se estrutura o modelo de negócio? Sérgio Marques explica que “há países em que fazemos uma exploração direta, ou seja, onde temos uma equipa nossa de gestão, como é o caso de Portugal, Espanha, França, Polónia, Alemanha e Itália. E nestes países podemos ter combinação de lojas próprias e de franchising”. Fora destes países, sublinha, “todos os outros são contratos em que o franchisado tem um território. É um parceiro privilegiado, que é o caso, por exemplo, dos Emirados Árabes Unidos”.

De olhos postos no futuro, o diretor-geral entende que “o mais importante é fazer bem e crescer nos países onde estamos”. Crescer na Europa, sobretudo em Espanha e França, onde a marca já está com presença forte, é um dos objetivos. Por seu lado, “Itália e Alemanha são mercados que estão muito no início, onde arrancámos há menos de um ano e ainda estamos a aprender bastante porque temos apenas quatro ou cinco lojas”, refere.

“O nosso sonho é sermos a melhor marca de acessórios onde quer que operemos. Portanto, nos próximos anos é por aí que vamos e tudo o resto vem atrás”, remata Sérgio Marques.

Marta Araújo