Fazemos Bem

07/09/2015

Bolachas da Vieira galgam fronteiras do Brasil ao Japão

O logótipo vermelho e amarelo é bem visível, mesmo ao longe, no complexo industrial de cor branca localizado na freguesia de Gavião, no concelho de Vila Nova de Famalicão. De imediato saltam à memória as bolachas Maria, as Água e Sal, as Torradas, os rebuçados Flocos de Neve ou mesmo as amêndoas Cláudias. Mas à medida que a proximidade do edifício é maior, o cheiro a framboesa desperta os sentidos. No momento da nossa visita, o aroma de um novo produto pairava pela fábrica. Uma novidade que chegará em breve ao mercado com a chancela da Vieira de Castro.

E o que estava então a apelar ao nosso olfato? Tratavam-se de wafers recheadas com pedaços de fruta que, não tarda, estarão nas prateleiras dos super e hipermercados portugueses. “Existem em cinco sabores: limão com pedaços de limão; baunilha com pedaços de framboesa; caramelo com pedaços de caramelo; chocolate com pedaços de stracciatella; e a outra variedade trata-se de uma wafer escura com recheio de baunilha”, explica Raquel Vieira de Castro, membro do conselho de administração da empresa.

Enquanto esta nova gama chega e não chega ao mercado português, “porque existe todo um processo normal de negociação”, certo é que estas wafers estão já a ser exportadas. “O Japão, por exemplo, foi o primeiro país a adquirir o produto, que já está a caminho. O mesmo acontece com o mercado brasileiro. São os dois grandes destinos que vão fazer um forte investimento nesta novidade”, acrescenta. 

Esta responsável pelo pelouro de marketing e área comercial refere que a marca tem “uma média de 30 produtos que estão em constante desenvolvimento”, sendo o reflexo da forte vertente de “inovação” levada a cabo pela empresa. A comprovar isso está o facto de terem já lançado cerca de 450 referências de produtos, das quais 200 referentes a bolachas, outras 200 a amêndoas e as restantes 50 relacionadas com rebuçados.

“Dentro de portas temos imensos projetos de desenvolvimento que estão na gaveta à espera do momento certo e do mercado adequado, porque para tudo é preciso que se conjuguem uma série de fatores para que as coisas funcionem. E, portanto, isso faz com que o nosso número de referências seja bastante alargado”, refere a administradora. “O fenómeno do aparecimento de marcas próprias também fez com que houvesse um aumento de referências da empresa”, acrescenta. Deste modo, a Vieira de Castro produz também em formato de “private label” (para outras marcas), uma área de negócio que representa 26% da faturação.

Os produtos desta empresa familiar portuguesa chegam já a 53 países e representam 51% do volume daquilo que é produzido. Ao nível europeu a Irlanda e a Itália são os destinos mais representativos. Cabo Verde, Angola e Japão, por motivos distintos, são também fulcrais para esta marca que exporta há mais de 20 anos.

“Em Cabo Verde e Angola, a marca Vieira de Castro é tão ou mais conhecida do que em Portugal. No caso de Cabo Verde, porque foi a primeira marca de bolachas portuguesas a entrar no mercado e também porque fizemos uma parceria muito interessante com um operador que se estava a instalar lá e com o qual até hoje trabalhamos. No caso de Angola, foi diferente, tratou-se de um processo muito mais longo porque já existiam outras marcas. Tivemos um trabalho minucioso de colocação dos produtos nos locais corretos, sempre no canal formal, de modo paciente e persistente”, explana a empresária.

Já no que concerne ao mercado japonês, um dos mais antigos na história de internacionalização da marca, tratou-se de um auto-teste no que à excelência diz respeito. “Sendo um dos mercados mais exigentes do mundo, a Vieira de Castro entendeu que o desafio era termos que ser muito bons e nada como começar pelo Japão, porque se esse país nos acolhesse e se conseguíssemos desenvolver esse mercado, estaríamos prontos para qualquer outro”, recorda Raquel Vieira de Castro. A prova foi superada com distinção.

“A exigência deles é tão grande que o envolvimento com o nosso parceiro chegou mesmo ao nível industrial, ou seja, eles vinham trabalhar connosco no desenvolvimento de ideias e de melhorias que podíamos implementar e que aumentassem a eficiência da operação e sucesso do produto”.

Volvidos 72 anos de atividade empresarial, a pergunta impõe-se à única empresa 100% portuguesa com tal longevidade que se dedica a este setor de atividade. Quais são os produtos mais vendidos? Raquel Vieira de Castro tem a resposta na ponta da língua: “Em Portugal, são as Bolachas Água e Sal e ao nível das amêndoas, as Cláudias são os best sellers”. Já no mercado internacional, “o Sortido Princesa e a Bolacha Maria”, são os mais destacados.

Questionada sobre o futuro, a administradora garante que a empresa será “diferente” e acredita que daqui a cinco anos “possa enveredar por outras áreas de negócio”. Em paralelo, acrescenta, “imagino que a Viera de Castro possa progredir no sentido de se instalar em alguns mercados internacionais de uma forma física, com atividade comercial, distribuição e logística. É este o caminho da internacionalização”, conclui.

Marta Araújo