Fazemos Bem

31/08/2015

Mestres a desvendar soluções na área dos moldes e plásticos

Era uma vez um pequeno negócio de dois trabalhadores que décadas mais tarde se tornou um conglomerado internacional de 12 empresas, dando emprego a 1500 pessoas. Parece ficção, mas esta é a real história do grupo Iberomoldes, que tem trilhado um caminho de êxito na área dos componentes em plástico e da engenharia de moldes e produtos. O setor automóvel é o seu principal cliente, mas são muitas as áreas de atividade em que está envolvido.

A Iberomoldes viu a luz do dia em setembro de 1975, em pleno período revolucionário. Criada por Joaquim Menezes e Henrique Neto (o atual candidato à Presidência da República vendeu a sua participação em 2009), a empresa contava apenas com os dois sócios fundadores nos quadros, mas rapidamente cresceu em função das encomendas recebidas e da participação no capital de outras empresas da área, como a Inamol.

Hoje, a Iberomoldes é uma verdadeira multinacional com uma dúzia de empresas localizadas em três países: Portugal (Marinha Grande, Pombal e Alcobaça), Brasil (São Paulo) e China (Ningbo). “Somos um cluster industrial que incorpora competências múltiplas e complementares, disponibilizando soluções desde a conceção e engenharia de produto, passando pelos moldes e ferramentas de apoio à industrialização, até à fabricação, acabamento, montagem e fornecimento de sistemas e componentes nos mais diferentes materiais termoplásticos”, explica o presidente Joaquim Menezes.

O grupo posiciona-se em duas grandes áreas: uma focada no desenvolvimento e produção de componentes e sistemas em plástico, responsável por dois terços da faturação, e outra centrada na engenharia, prototipagem e industrialização de produtos. Este trabalho tem como destinos os setores automóvel, aeroespacial, eletrónico e dispositivos médicos, entre outros.

Com um peso de 75% no volume de negócios, o setor automóvel assume lugar de destaque. “Estamos presentes em produtos que compõem o interior dos automóveis, como ventiladores ou frentes de rádio, que geram emoções e sensações. Um desafio, no desenvolvimento do produto, passa por consolidar a identidade de cada marca. Volkswagen, Lamborghini, Renault, Honda, Mercedes, Ford, BMW, Volvo, Bentley e McLaren são alguns dos clientes”.

Mas a empresa está longe de se dedicar só a componentes automóveis. O grupo contabiliza acima de 20 000 produtos em mais de 120 países. “Somos um fornecedor global de soluções em muitos produtos com matérias plásticas, dos simples aos mais sofisticados”, afirma Joaquim Menezes. As malas de viagem são exemplo, por força de uma parceria com a Samsonite. Muitos eletrodomésticos, como aspiradores da Electrolux e da Philips ou cafeteiras da Rowenta, passaram pelo grupo. E utilidades domésticas da Curver e Tupperware também.

No passado, o setor dos brinquedos também teve grande importância. A Abrantes, a mais antiga empresa nacional de moldes para plástico, que hoje integra o grupo, foi responsável por brinquedos emblemáticos das décadas de 60, 70 e 80, como kits de miniaturas de aviões e barcos para a Revell, brinquedos e acessórios para a Barbie, da Mattel, e o G.I. Joe, da Hasbro.

A faturação do grupo rondou os 90 milhões de euros em 2014. A exportação, por via direta e indireta, encontra-se acima dos 95%, sendo que os principais mercados são Alemanha, Espanha, Bélgica, Brasil e Israel. “A nossa atividade sempre se centrou na relação com o exterior, seja através do desenvolvimento, produção e exportação de produtos, ou investimento direto em outros países. Faz parte do nosso ADN”, frisa o administrador.

O Grupo Iberomoldes aposta forte na investigação e desenvolvimento de produtos, melhoria de processos e novas tecnologias. “O fator mais determinante para o sucesso está na proatividade e flexibilidade centradas na aplicação do conhecimento. E é igualmente importante a relação que temos cultivado com centros de excelência e saber nacionais e internacionais”, salienta o responsável.

A Iberomoldes integra consórcios inovadores como o inTRAIN, que pretende encontrar soluções da indústria nacional para interiores de comboios suburbanos. E está ainda noutro ligado ao setor aeronáutico, o NewFACE. “Pretende desenvolver novos conceitos para o futuro da aviação civil, com maiores eficiências a nível ambiental e energético, e aeronaves centradas no passageiro. Foram criados três conceitos de aeronave, para segmentos diferentes, num possível cenário para 2030”, revela.

Os próximos anos serão um desafio. “A mutação dos negócios e mercados é cada vez mais acelerada. Isso expõe-nos a elevados níveis de exigência e competitividade, exigindo monitorização no terreno, flexibilidade e velocidade na adaptação a novas tendências”. A pensar nisso, a empresa investiu em instalações, tecnologias e equipamentos nos últimos anos. O futuro é olhado com otimismo. “Sem moldes e engenharia avançada, não haverá desenvolvimento de qualquer economia. A vocação exportadora continuará a ser o motor dominante do nosso crescimento”.

Bruno Amorim