Fazemos Bem

24/08/2015

Móveis artesanais à medida das lojas e hotéis de luxo

Esta é a história de uma pequena fábrica de móveis clássicos de Paços de Ferreira, fundada em 1962, que vendia ao público nas suas duas lojas existentes no concelho. Hoje, um dos espaços está transformado num mega-showroom, a empresa vende para 50 países, trabalha para grandes marcas de renome internacional e chega mesmo a mobilar hotéis de luxo em Miami com acabamentos em ouro. A AM Classic é uma espécie de conto de fadas em que um negócio de família levou o seu saber fazer artesanal para fora de portas e que até o tenista espanhol Rafael Nadal ou ao exército norte-americano conquistou como clientes.

E como não pode faltar um enredo que se preze, não será de estranhar se lhe dissermos que grande parte do salto desta empresa teve como trampolim a engenharia têxtil, um filho que não queria trabalhar na empresa de mobiliário e a força de quatro irmãos alocados a um forte vínculo familiar. “Nos anos 80 até 2000, o nosso principal negócio era a loja. Fabricávamos pouco, tínhamos 20 trabalhadores, mas vendíamos muito nas duas lojas”, explica Mário Silva, CEO da AM Classic. A crise nacional, que muito se repercutiu na forte queda da venda de móveis, e a sua entrada na empresa, em 1995, ditaram o início de um ciclo de mudanças.

“Quando vim trabalhar para os móveis com os meus irmãos, tinha 27 anos, a internacionalização era zero e a fábrica pequena”, recorda. “Trabalhei um ano, como estagiário, numa fábrica têxtil que tinha cerca de 500 pessoas e aprendi o que era uma empresa grande ao nível industrial. O setor têxtil, na altura, estava muito mais desenvolvido do que a indústria do mobiliário, que andaria cerca de 20 anos atrasada. Depois trabalhei quatro anos a vender equipamento para a indústria têxtil, percorri a Europa toda e essa empresa deu-me a oportunidade de conhecer o Mundo”, refere Mário Silva, em jeito de contextualização.

Chegado ao universo do mobiliário, trazia na mochila invisível de conhecimento “uma visão industrial completamente distinta daquela que existia e vinha também com uma perspetiva comercial totalmente diferente”, acrescenta o engenheiro têxtil. Nessa altura, traçaram um plano de internacionalização e começaram a vender móveis para Espanha. “A quota da área industrial foi crescendo cada vez mais. Com a crise nacional, e nomeadamente na área dos móveis, o negócio de loja praticamente desapareceu, e passámos a dedicar-nos ao negócio business to business (entre empresas) sempre com cunho artesanal e móveis feitos à medida”, aponta o CEO da empresa.

Atualmente, o negócio está alocado a três pilares: venda para lojas, para private label (fornecer para outras marcas) e hotelaria. A empresa vende para mais de 50 países, exporta 90% daquilo que produz, tem 172 trabalhadores e regista índices de crescimento, nos últimos cinco anos, na casa dos 20%. “A partir de 2013, entrámos na área da hotelaria e foi um “boom” importante. Mobilámos hotéis em Israel, Inglaterra e Rússia. Nos EUA vamos já no quinto hotel”, afirma Mário Silva.

No que diz respeito às vendas para lojas, que por sua vez depois vendem ao cliente final, os principais mercados são Espanha, Itália, Alemanha e Rússia. “Depois temos os móveis que fazemos para grupos com marca de outros, cujo principal mercado é a Alemanha”, refere. “Tudo no âmbito de móveis clássicos, tradicionais, estilo francês e com acabamento envelhecido”, diz o CEO desta empresa familiar, sublinhando, no entanto, que estão a trabalhar já outro tipo de mobiliário. “São móveis com um estilo mais contemporâneo em folhas nobres com embutidos, com menos madeira e mais folha, mas na mesma com uma forma tradicional. Agrada aos gostos mais atuais e é algo que nos interessa fazer. Aliás, o último hotel que fizemos nos EUA, em Miami, já é nesse sentido, com embutidos em inox e, neste caso em concreto, banhados a ouro”.

Questionado sobre como chegam a estes mercados e segmentos, Mário Silva aponta a presença em feiras internacionais como um dos caminhos. “Estamos, todos os anos, presentes na feira de Milão, Paris, Valência, de vez em quando fazemos outros mercados, como a feira de Bruxelas e de Moscovo”, sendo ali que angariam os clientes ou agentes. “Trabalhamos diretamente com o cliente de loja, mas temos um agente em cada mercado que intermedeia esta ligação e faz um acompanhamento permanente”, expõe o mesmo responsável.

Mas a fórmula mágica tem um outro ingrediente de peso. O engenheiro confessa que “há seis anos que fazemos um evento anual em que convidamos todos os nossos clientes a virem visitar-nos. Tudo com despesas pagas por nós, têm a oportunidade de ver um showroom montado, mais os móveis que se encontram no hotel onde os visitantes ficam hospedados. Oferecemos um dia livre para visitas e no outro dia também têm a oportunidade de visitar a fábrica”.

E por falar em fábrica, a AM Classic vai investir, nos próximos 2/3 anos, “perto de três milhões de euros no aumento de instalações, mudança de layout e novas máquinas”, remata Mário Silva.

Marta Araújo