Fazemos Bem

27/07/2015

Especialistas no têxtil lar topo de gama vendem para mais de 30 países

Garantem que a qualidade dos lençóis influencia a eficácia do sono, e sabem bem do que falam. É desta empresa de têxteis lar, sediada em Pevidém, no concelho de Guimarães, que é fabricada, por exemplo, a roupa de cama para hotéis de renome internacional e nacional, tais como o Ritz, Marriot, Sheraton, InterContinental, Troia Resort ou mesmo para os quartos dos barcos da Douro Azul. Chama-se Lameirinho, existe há 67 anos, exporta para 33 países e fatura mais de 50 milhões de euros.

Apresenta-se no mercado através de marcas de referência internacional em regime de private label (a Zara Home, do grupo Inditex, é apenas uma delas), marcas próprias (Lameirinho, Home Attitude, Asa e Hierb) e licenciadas (Agatha Ruiz De La Prada, Purificación Garcia, Antonio Miro e Namorar Portugal), via online e plataformas como a La Redoute e a Amazon.

“Em dezembro de 2014, fechámos o exercício de faturação na ordem dos 52 milhões de euros. Houve um crescimento significativo nos últimos anos, nomeadamente em 2013 e 2014, tendência esta que se vai continuar a verificar em 2015. Podemos afirmar, com muita proximidade, que este ano iremos faturar perto dos 55 milhões”, afirma Paulo Coelho Lima, administrador da empresa e neto do fundador.

O caminho da exportação foi tomado pela Lameirinho já no início da década de 70. Atualmente, representa 90% da produção, mais concretamente no que ao segmento cama e mesa diz respeito. Os seus produtos chegam a mais de três dezenas de países em todo o mundo, mas os EUA são o peso pesado, já que representam 50% do que sai do país. Para fazer face a este volume de trabalho, a capacidade de confeção é de cinco milhões de peças por ano.

A fidelização da carteira de clientes é vincada, em alguns casos ultrapassando mesmo os 40 anos. “Somos reconhecidos não só pela qualidade do produto que apresentamos ao mercado, mas também pelo serviço que prestamos ao nosso cliente. Ele já nos vê como um parceiro de negócio”, assegura Paulo Coelho Lima. De acordo com o mesmo responsável, há uns anos, o cliente chegava à Lameirinho e dizia exatamente o que pretendia. “Hoje em dia, vem à procura de novidades e pergunta-nos o que temos para apresentar. Esta nova abordagem é para nós um desafio constante. Temos que estar sempre a surpreender o nosso cliente”.

Mas o que tem esta empresa do Vale do Ave de tão especial? “Onde a Lameirinho se diferencia é precisamente pelo tipo de produto topo de gama que vende e pela consistência do serviço, quer no prazo de entregas como ao nível do preço que, para o cliente, é considerado razoável”, aponta o administrador. Do ponto de vista técnico, “os acabamentos são o segredo do negócio e onde nos diferenciamos vincadamente da concorrência”, explica.

Os números falam por si. A fábrica em Pevidém está preparada, ao nível da tecelagem, com 151 teares com capacidade produtiva de 25 km/dia; na área da estamparia tradicional de 20 km/dia; e no ex-líbris do processo – os acabamentos – a capacidade é de 80 km/dia. Os acabamentos podem ser normais, com toque suave, com aloé vera, antimicrobiano, anti-ácaros, “easy care” ou “non iron” e são, em muitos casos, o rosto da inovação fruto do departamento de investigação e desenvolvimento (I&D) da empresa.

“Em termos de novidades e inovação, procuramos estar sempre atentos às necessidades do consumidor, não só através de novos acabamentos ou tipos de tecido, mas também através da funcionalidade do produto”, refere Paulo Coelho Lima. O foco, assegura, passa por apostar em “em inovações que ajudam o consumidor no seu dia a dia”.

O lençol de linho lavado, com um enrugamento natural, diz o administrador, “já virou moda”. “Ter roupa de cama que não necessita de passar a ferro é o sonho de qualquer dona de casa. O efeito enrugado que apresenta este conceito é visualmente agradável e trendy. Sai do estendal ou da máquina de secar e vai diretamente para a cama”, explica. O edredão com um acabamento antimicrobiano, que proporciona sensação de bem-estar, frescura e proteção, é outras das inovações implementadas.

Consciente que há ainda um vasto caminho a percorrer ao nível de I&D em áreas multidisciplinares – como a nanotecnologia, polímeros e outras -, a Lameirinho está a avançar com um conjunto de parcerias com instituições de ensino superior e centros de investigação.

Paulo Coelho Lima sublinha que a empresa está agora “focada em continuar a surpreender os mercados onde opera”. Um desses caminhos passa, precisamente, por “estreitar a ligação com as universidades para tecnicamente melhorar as valências do nosso produto e de alguma forma melhorar a qualidade de vida do utilizador”.

De olhos postos no futuro, e apesar da já forte presença internacional, o objetivo desta empresa familiar passa por “alargar a presença territorial”, estando, para o efeito,”a fazer esforços comerciais para surpreender novos mercados, nomeadamente o Oriente e América Latina”, conclui o administrador.

Marta Araújo