Fazemos Bem

20/07/2015

Têxteis inovadores a brilhar no mundo da moda e do desporto

Chegados às instalações da Petratex, em Paços de Ferreira, podemos observar na entrada pequenas estrelas suspensas no teto com o nome dos colaboradores. Aqui todos são importantes. Foi a aposta no capital humano que iluminou o caminho de uma empresa que contornou o problema da deslocalização das marcas para a Ásia e que encontrou no vestuário técnico para modalidades desportivas, assim como nas produções de luxo para a alta costura, o modelo ideal para colocar têxteis “Made in Portugal” nos cinco continentes.

Criada em 1989, a empresa enfrentou um grande desafio nos primeiros anos de vida. Na década de 90, perante a transferência da produção para o continente asiático da Nike, Adidas e Levi’s, marcas que compravam 85% da produção da Petratex, foi necessário avançar com uma nova estratégia. “Tivemos de inovar no produto, nos processos e na própria gestão da empresa”, sublinha o administrador Sérgio Neto (na foto), acrescentando que foi preciso começar a “ter uma oferta que os clientes não conseguissem encontrar na Ásia”.

A Petratex caminhou assim para duas áreas de especialização: o vestuário técnico ligado a desportos de alta competição e a confeção de alta costura. E os resultados apareceram. Em 2008, o nome da empresa saltou para a ribalta quando se ficou a saber que os fatos de banho da Speedo utilizados por Michael Phelps nos Jogos Olímpicos de Pequim, onde o nadador conquistou oito medalhas de ouro, eram fabricados em Portugal. “O projeto levou três anos a ficar pronto. Todos os pormenores contam na procura do máximo conforto em modalidades onde milésimos de segundo fazem a diferença. Este sucesso deu-nos bastante projeção e o vestuário técnico representa apenas 30% das nossas vendas”.

O desenvolvimento de produtos para marcas de moda da alta costura está em franco crescimento e é responsável pelo maior volume de trabalho. “Temos uma equipa totalmente dedicada a este segmento. Há marcas que antes produziam em França e Itália e passaram a colocar a etiqueta “Made in Portugal” pela primeira vez no seu produto. Conseguimos que isso acontecesse “, afirma Sérgio Neto.
Mais do que uma têxtil de transformação, a Petratex é também criadora e assume-se como empresa de desenvolvimentos e inovação de produto, vertente na qual é cada vez mais reconhecida. “Temos parcerias com algumas marcas para desenvolver novos conceitos que irão ter grande projeção internacional. São processos que levam quatro a seis anos a implementar. Foi assim que começamos a trabalhar com a Speedo há 10 anos. Os clientes pedem-nos para criar novos produtos e somos capazes de pegar nesse projeto e apresentar uma solução chave na mão, podendo o cliente depois produzir aqui ou em qualquer parte do mundo “, explica Sérgio Neto.

A Petratex é também responsável pela produção de um projeto na área da saúde, a Vital Jacket, camisola com tecnologia acoplada que permite medir os sinais vitais do utilizador. O produto está concluído e começou a ser usado em meios hospitalares, sendo que o próximo passo é chegar ao consumidor final.
Com cerca de 600 colaboradores diretos, a empresa gera ainda 1900 postos de trabalho através de subcontratação. Um total de 2500 empregos para dar resposta às encomendas de 145 clientes que distribuem o seu produto por uma centena de países. Além de Portugal, produz em Marrocos e na Tunísia, dando “resposta a um segmento de mercado que requer mão de obra barata e não é possível fazer em Portugal”.

No ano passado, o volume de negócios da Petratex fixou-se nos 70 milhões de euros, o que representou um crescimento de 6% face a 2013. Mais do que crescer nas vendas, a meta passa por um posicionamento diferenciador: “lutar para transformar a empresa o melhor local para trabalhar produto têxtil”. Tal desígnio passa pelo investimento no capital humano, o maior ativo da Petratex. “As pessoas são o que temos de mais importante. Máquinas toda a gente compra, mas é a nossa equipa que faz a diferença. E não há melhor retorno para quem gere um negócio do que valorizar os trabalhadores dentro da empresa”.

A Petratex disponibiliza escola de formação, refeitório e ginásio para os seus colaboradores e, além destas condições, olha também para o futuro. “Queremos formar as nossas pessoas, fomentar a boa convivência entre todos, mas também que os filhos dos nossos colaboradores vejam aqui uma oportunidade de se formarem e progredirem na carreira. É aí que reside a continuidade do nosso projeto”, assume Sérgio Neto.

Os trabalhadores são as estrelas da empresa. “Uma costureira é uma artista que faz uma peça para alguém se sentir bem. É como um pintor a pincelar um quadro. Não podemos desvalorizar a sua arte”. A aposta na competência deu frutos, focando-se num produto diferenciado e atraindo marcas de luxo. Sem o estigma de ser portuguesa, a Petratex “tornou-se uma imagem de marca no vestuário e aqueles que um dia partiram estão agora a bater-nos novamente à porta”. E, acrescente-se, há clientes em lista de espera.

Bruno Amorim