Fazemos Bem

13/07/2015

Talento e engenho ajudam a levar autoclismos a 60 países

“Inspirados pela água”. Este é o lema da Oliveira & Irmão. Numa sociedade em que o conforto e a eficiência hídrica são cada vez mais requisitos obrigatórios dos consumidores, esta empresa de Esgueira, em Aveiro, tem-se desdobrado em soluções inovadoras para a casa de banho, através da produção de autoclismos. Depois de consolidar a presença no mercado europeu, está agora a apostar em novos destinos.

As raízes deste negócio remontam a 1954. Na altura, a empresa comercializava produtos de fundição, evoluindo depois a oferta para materiais de canalização. Só em 1980, em conjunto com um parceiro italiano, é que a Oliveira & Irmão se dedicou à produção de autoclismos. “Começámos numa pequena fábrica, com três máquinas e seis operários, produzindo para o mercado português”, recorda António Oliveira, presidente da empresa.

A atividade ganhou dimensão e, em meados da década de 90, surgiram as primeiras encomendas para o estrangeiro e parcerias com empresas da indústria cerâmica. “Neste período, o desenvolvimento de uma válvula de dupla descarga para um cliente francês veio alterar os padrões do mercado e levou mesmo à massificação do produto, que é hoje padrão em toda a Europa e na maioria dos mercados mundiais”, explica.

Estava dado o ponto de partida para um negócio exportador. A Oliveira & Irmão passou então a desenvolver novas soluções e a introduzi-las no mercado. “O mercado português, por si só, é muito pequeno. Temos de tentar estar sempre à frente dos concorrentes. Nos dois últimos anos, fomos a empresa portuguesa que apresentou mais pedidos no Instituto Europeu de Patentes. É um trabalho contínuo”.

Para António Oliveira, hoje existe uma maior atenção do mercado para o uso regrado da água, assim como para produtos mais silenciosos que evitem o barulho nas idas noturnas à casa de banho. “São preocupações que passam despercebidas ao utilizador comum, mas que fazem parte do nosso trabalho, na tentativa de acrescentar valor”.
O conforto é outras das metas e, nesse sentido, a Oliveira & Irmão tem também vindo a trabalhar em soluções para pessoas com problemas de mobilidade. “Estes produtos têm bastante procura no mercado escandinavo e acreditamos que o mesmo acontecerá a médio prazo em Portugal. Para nós é importante adquirir competências em diferentes áreas para dar resposta ao mercado”, aponta.

Para este trabalho de inovação contínua, a empresa tem 20 pessoas inteiramente dedicadas à investigação e desenvolvimento (I&D) de novos produtos. “Nos últimos cinco anos investimos cerca de 10 milhões de euros em I&D e é este ritmo que marca o nosso quotidiano”, frisa António Oliveira.

Neste momento, a empresa possui 5000 referências de produtos à venda no mercado através da marca OLI. Estamos a falar em gamas de autoclismos exteriores, que se vendem sobretudo em Portugal, Alemanha, Itália e Médio Oriente; de autoclismos interiores, comercializados na Europa, mas cuja tendência se está a alastrar a outros destinos; e ainda de componentes para serem incorporados por outras indústrias, como a cerâmica.

A exportação tem um peso de 80% na atividade da Oliveira & Irmão. A Europa é o mercado mais representativo, com Itália, França, Alemanha e Escandinávia a serem os principais destinos das vendas. Com a crise que afetou o mercado europeu, a OLI apontou direções à América do Sul e ao Médio Oriente. “A experiência adquirida ao longo dos últimos anos na Europa acabou por ser crucial para encararmos com relativa facilidade esses novos mercados”.

Com produtos em 60 países, a OLI dá resposta a todas as solicitações a partir da fábrica em Aveiro, que produz cerca de 7800 autoclismos por dia, o que equivale a quase dois milhões de equipamentos anuais. Em termos de componentes para fornecer à indústria, os volumes também andam da casa dos dois milhões por ano. Ali trabalha-se 24 horas por dia e sete dias por semana, pelo que a mão de obra é um pilar importantíssimo. “Temos cerca de 350 colaboradores e indiretamente mil famílias a trabalhar connosco. E há uma maioria de mulheres nos quadros, tanto na produção como nas chefias. É uma tradição da empresa”, sublinha António Oliveira.

Envolvida em algumas obras de referência, a Oliveira & Irmão participou na reabilitação da Torre dos Clérigos, no Porto, na futura sede da EDP, em Lisboa, na nova Basílica do Santuário de Fátima e, a nível internacional, no equipamento dos hotéis Carlton (no Dubai) e Hilton (na Nova Zelândia).

Em 2014, o volume de negócios da empresa foi de 43 milhões de euros, o que representou um aumento de 6% em relação ao ano anterior. Para 2015, o objetivo deste negócio familiar, liderado por António Oliveira e o irmão, é crescer 10%. A aposta passa por “consolidar os mercados internacionais em que estamos presentes e sobretudo o nosso posicionamento pela notoriedade, valor e diferenciação positiva dos produtos”.

Bruno Amorim