Fazemos Bem

06/07/2015

Peritos em levar ao mundo soluções inovadoras de cortiça

O que une a indústria aeroespacial, marcas de moda como Yves Saint Laurent ou Dolce & Gabbana ou o conhecido surfista Garrett McNamara? A resposta tem um toque português: a cortiça. Estes são três exemplos de centenas de entidades empolgadas com as potencialidades desta matéria-prima. A Amorim Cork Composites (ACC), unidade de negócios da Corticeira Amorim, tem vindo a desenvolver múltiplas soluções para o mercado mundial.

Diz a sabedoria milenar que “todas as flores do futuro estão nas sementes de hoje”. Em meados da década de 60, essas sementes foram plantadas pela Corticeira Amorim. Uma visão a longo prazo, que pretendia tirar partido da cortiça e criar valor acrescentado em novos setores de atividade e não apenas de rolhas ou revestimentos. Foi assim que nasceu a Amorim Cork Composites. “A partir do momento em que esta unidade arrancou, abriu-se um novo capítulo e outras soluções começaram a ter origem em Portugal”, conta Carlos de Jesus, diretor de comunicação da Corticeira Amorim (na foto).

Para este responsável, esta indústria está longe de ser tradicional. “A cortiça portuguesa integra o programa espacial norte-americano desde o seu início nos anos 60. Alguém que venda para uma das indústrias mais exigentes em matéria de qualidade não pode ser tradicional. É um produto do futuro, que faz parte do trabalho de alguns dos melhores engenheiros, arquitetos e designers do mundo”, salienta.

Nos dias de hoje, a ACC está envolvida em centenas de projetos, seja na indústria aeroespacial (compósitos de cortiça incluídos em veículos espaciais), na construção de barragens e aeroportos, na energia eólica (onde a cortiça ajuda a minimizar a condensação nas pás e facilita a sua rotação) ou na indústria de transportes. “Os nossos materiais têm sido cada vez mais considerados pela sua performance técnica. No caso dos transportes, permitem baixar o peso de aviões, metros, automóveis ou até bicicletas, o que aumenta a eficiência dos motores e diminui a carga energética para movimentar os veículos”, explica Carlos de Jesus.

Há três critérios levados em linha de conta nesta unidade: projetos importantes que envolvem grandes volumes, aplicações que representam um grande empenho ao nível da inovação e criações que ajudam a uma imagem forte e positiva. Isto faz com que seja a unidade de negócios da Corticeira Amorim com mais marcas próprias, um total de 17 insígnias que cobre diversas áreas de atividade.

No seu conjunto, todos estes projetos, nos quais trabalham 500 pessoas, permitem obter uma faturação na ordem dos 90 milhões de euros, cerca de 15% do volume de negócios da Corticeira Amorim. “Pode não ser a principal unidade do grupo, mas é responsável por algumas das coisas mais entusiasmantes que estão a ser feitas com cortiça no mundo”.
A NASA definiu a cortiça como polímero da natureza, ao qual é possível rodear de tecnologia e criar uma solução ainda melhor do que era na origem. É este o desafio diário da ACC. As solicitações e necessidades do mercado são várias, motivos que levam a investir 7,5 milhões de euros anuais em investigação e desenvolvimento (I&D).

Em certos trabalhos realizados, a cortiça está lá e nem se vê. Com o Inspiro, metro de superfície mais leve do mundo, concebido pela Siemens, reduziram-se 18 toneladas de peso, menos 30% no peso total do veículo. Os caiaques da marca portuguesa Nelo também incorporam cortiça e foram os mais utilizados entre os medalhados dos Jogos Olímpicos de Pequim em 2008. Há soluções de isolamento acústico, térmico e vibrático para a construção, assim como revestimento de tetos, interiores, fachadas e coberturas. Nos EUA, a cadeia de ginásios da Reebok recorreu a uma solução da ACC para pavimentos desportivos.

De forma mais visível, algumas marcas de moda e luxo também se deixaram apaixonar. Há vários anos que Yves Saint Laurent, Stella McCartney, Dolce & Gabbana, Christian Louboutin, Jimmy Choo e Michael Kors, por exemplo, têm integrado cortiça nacional nas suas coleções de calçado. “É algo que se tem mantido de forma muito interessante, ao longo de várias estações, sobretudo por questões de estética e design”, realça Carlos de Jesus.
Outro projeto curioso, realizado em parceria com a Mercedes, a Polen Surfboards e Garrett McNamara, visou a criação de uma prancha de surf em cortiça, para que o surfista havaiano a utilizasse nas conhecidas ondas gigantes da Nazaré. E a coleção Materia, apresentada em 2011, em Milão, deu a conhecer ao mundo novas soluções de produtos de decoração concebidas por designers estrangeiros e nacionais.

A Amorim Cork Composites vende para 89 países e o peso da exportação na sua atividade cifra-se nos 93%. Para o futuro, a meta passa por crescer ainda mais e colher as flores semeadas atempadamente. “Esta aposta em I&D permite-nos olhar para a cortiça de forma diferente e identificar aplicações inovadoras. É um material para o futuro”.

Bruno Amorim