Fazemos Bem

15/06/2015

Fazer tudo bem é lema que vale ouro para a Quinta do Vallado

No “portão” da Quinta do Vallado, está gravada uma inscrição. Um conceito curto mas dominador: “Fazer tudo bem”. Porque “num mundo tão competitivo só sobrevive quem faz tudo bem”. É o princípio do diretor-executivo, João Álvares Ribeiro, e do responsável agrícola e de produção, Francisco Spratley Ferreira, que gerem a empresa. Este último conta com o apoio do enólogo Francisco Olazabal, da Quinta do Vale Meão.

São todos tetranetos de dona Antónia Adelaide Ferreira, a “Ferreirinha da Régua”, que foi dona de uma das quintas mais antigas do vale do Douro, com origem em 1716. Apesar disso, não parou no tempo. A evolução nota-se na qualidade dos vinhos, cada vez mais reconhecidos nos mercados nacional e estrangeiro, mas também nos últimos investimentos no enoturismo.

Apesar de toda a história que envolve a quinta, não é esta a variável que determina o sucesso. João Álvares Ribeiro diz que “para além de ter um bom produto é preciso também fazer bem tudo o resto”, o que significa “conseguir ter boas uvas, capacidade de transformação, uma boa equipa comercial, criar uma marca, ter visibilidade e, sobretudo, uma empresa sólida financeiramente”.

Não será obra do acaso a presença assídua nos tops dos melhores vinhos do mundo, elaborados por revistas da especialidade tão conceituadas como a “Wine Spectator” e na que é dirigida pelo reputado crítico de vinhos Robert Parker. Nesta última, o vinho do Porto da Quinta do Vallado, “Adelaide Tributa” de 1866, conseguiu 99 pontos em 2013.

Francisco Spratley Ferreira considera que para conseguir boas classificações “tão importante como a qualidade é a consistência em toda a gama de vinhos, ao longo dos anos”. Por isso é que, nos últimos cinco, a Quinta do Vallado teve “24 vinhos na lista da ‘Wine Spectator’ com 90 ou mais pontos, seis dois quais com 95 ou mais pontos”.

Esta consistência traduz-se, na sua ótica, “em confiança para o consumidor” e deriva da “coragem” de quem decide, em anos menos bons, “reduzir a quantidade de vinho produzida ou, se for necessário, não produzir mesmo um determinado vinho por não ter a qualidade considerada suficiente”. Em suma, sublinha o enólogo: “Nunca produzimos um vinho se não tivermos a consciência tranquila em relação à sua qualidade. Temos de ter e certeza que é um vinho bom. Já é um parâmetro obrigatório da empresa”, reforça João Álvares Ribeiro.

Situada no concelho do Peso da Régua, nas imediações do local onde o afluente Corgo encontra o rio Douro, a Quinta do Vallado passou por diversas fases. Desde a origem até que a Casa Ferreira foi vendida à Sogrape, em 1987, a atividade resumiu-se à produção e vinificação de uvas destinadas a vinho do Porto, que era vendido a granel à Casa Ferreira. Durante a década de 1990, passou por um período de reestruturação da vinha, adaptação da adega para a produção de vinhos de mesa e o lançamento da marca Quinta do Vallado, que começou a ser desenvolvida com a entrada no novo milénio.

Há uma década iniciou o projeto de enoturismo, com a transformação da casa senhorial do século XVIII (construído em 1733) num hotel vínico de cinco quartos. Em 2012 reforçou a capacidade de alojamento com mais oito quartos no novo hotel rural. É um moderno edifício em que predomina o xisto e que foi projetado pelo arquiteto Francisco Vieira de Campos. Recentemente, abriu também um hotel rural com seis quartos na Quinta do Orgal, em Vila Nova de Foz Côa. “Esta aposta no enoturismo só nos pode ser útil se a fizermos com o mesmo nível de qualidade que temos nos vinhos”, acentua João Álvares Ribeiro.

A empresa, onde trabalham cerca de 50 pessoas, tem recebido várias distinções pela qualidade das suas instalações de alojamento turístico. Desde maio do ano passado que ostenta o Certificado de Excelência do TripAdvisor, que é dado apenas a estabelecimentos de alto nível em todo o mundo, que tenham perfis no site daquela entidade e que recebam constantemente as melhores avaliações dos viajantes.

Desde que abriu as portas ao turismo, a Quinta do Vallado tem vindo a disponibilizar atividades diversas, como passeios de barco ou canoas, passeios de todo-o-terreno, pesca, passeios de bicicleta, merendas no rio ou no alto das vinhas, entre outros. Proporciona provas de vinhos após visita à adega e caves, e sessões mais didáticas, nas áreas de viticultura, enologia e cozinha.

Segundo João Álvares Ribeiro, a quinta disponibiliza três visitas por dia, nomeadamente à adega e à loja de vinhos, rendendo “mais de 10 mil turistas por ano, que compram muito vinho aqui”, o que “chega a superar as exportações para os Estados Unidos”.

Em homenagem a dona Antónia Adelaide Ferreira, que sempre ajudou a região e os mais desfavorecidos, no Vallado mantém-se ativo o “Projeto Adelaide”. São convidadas 100 personalidades nacionais, que se notabilizam em diversas áreas da sociedade, para cada uma comprar duas garrafas de um vinho topo de gama “Adelaide” por 200 euros. O produto dessa venda reverte para a Via Nova, uma instituição de Vila Real que cuida de crianças abandonadas.

Eduardo Pinto