Fazemos Bem

08/06/2015

Negócio dos frangos é mestre a vender e a empregar

Grão a grão enche a galinha o papo. Desde pequenos que ouvimos este provérbio popular, que nos ensina o valor da perseverança e também que é possível fazer muito com pouco. Esta é a história de como um pequeno negócio se tornou um gigante nacional na fileira avícola, gerador de quase 4000 empregos, exportador para 14 países e com um volume de negócios na ordem dos 345 milhões de euros. E o seu crescimento promete não ficar por aqui…

Foi pelas mãos de Avelino Gaspar, atual presidente da empresa, que a Lusiaves viu a luz do dia. O mundo da avicultura sempre o atraiu e, por isso, não foi surpresa que, ainda antes de constituir o seu próprio negócio e apenas com 18 anos, tenha tido uma pequena exploração de galinhas na parte de trás da casa dos pais. A vocação reacendeu-se 11 anos depois, em 1986, com a criação da Lusiaves, um negócio que começou com 20 colaboradores, um pequeno centro de abate de frangos e quatro centros de produção com capacidade para 43 500 frangos na Figueira da Foz. Hoje todos os pavilhões de criação de aves da empresa existentes no país ultrapassam uma extensão de 50 quilómetros.

O Grupo Lusiaves tem uma atividade diversificada, que inclui a produção de milho e rações para alimentar os animais, a recriação de galinhas reprodutoras, a produção de ovos e respetiva incubação para criar pintos, a criação de frangos, frangos do campo e perus, assim como o abate de aves e a sua transformação, distribuição e comercialização.

Para Nuno Maurício, administrador do Grupo Lusiaves, a estratégia de verticalização é vital para o sucesso, já que “reflete ganhos de competitividade e assegura a rastreabilidade dos produtos desde a origem até ao prato dos consumidores”. Para conseguir dar resposta a isso a Lusiaves conta, de norte a sul do país, com um universo de 20 empresas, 23 unidades de produção, quatro centros de abate, dois centros de incubação, 17 entrepostos, uma unidade de transformação de subprodutos e um centro de produção de alimentos compostos.

“Em todas as áreas procuramos fazer bem, investir com responsabilidade e ir de encontro ao que os consumidores procuram”, afirma Nuno Maurício, salientando o lema há muito adotado pela empresa: “Frangamente Bom”. O grupo distribui mais de 600 produtos no mercado através de quatro marcas: Lusiaves (carne de aves frescas e congeladas, frango e peru); Campoaves (carne de aves fresca, frango do campo); Campogrill (preparados de carne, produtos à base de carne e carne de suíno congelada) e Margrill (produtos do mar e da pesca congelados).

Inovar e diversificar são palavras de ordem na Lusiaves, motivos que levaram à aposta em produtos além da fileira avícola. “Fruto de um compromisso feliz entre o desejo de inúmeros parceiros, que procuram formas de distribuição dos seus produtos, e da existência de uma rede de distribuição e comercialização de produtos alimentares que o grupo possui em todo o território nacional, conseguimos oferecer uma gama de produtos mais variada”, explica.

A empresa tem nos colaboradores “um grande contributo para o seu êxito e estabilidade”. No total, falamos de 1852 funcionários e ainda mais de 2000 postos de trabalho indiretos, por via de parcerias estabelecidas com vários produtores avícolas. E sendo Portugal um dos maiores consumidores de aves da Europa (mais do dobro do consumo médio europeu), a meta passa por continuar a crescer e atingir os 400 milhões de euros de faturação em 2015.

A par da grande distribuição, onde coloca as suas marcas, o canal Horeca, que inclui churrasqueiras, restauração e hotelaria é também um importante veículo. É muito provável que já tenha comprado um frango assado criado pela empresa. Em todo o país, são abastecidos mais de 3500 espaços deste género, no qual as vendas só da marca “Lusiaves” superam os 25 milhões de euros.

Investir para poder ganhar dimensão é um desígnio. Daí que esta seja uma área de grande importância para a Lusiaves. Na tentativa de conseguir ser auto-suficiente, a empresa assumiu o desafio de produzir milho, possuindo duas produções em Soure e Porto Alto, tendo ainda vários parceiros a produzir cereais com a sua colaboração. Entre outros investimentos recentes, destaca-se a ampliação da rede de incubação de ovos (35 milhões de euros), que aumentou a produção em 33% e a capacidade para gerar 104 milhões de pintos por ano, assim como um centro de abate em Estarreja (12 milhões) e dois novos entrepostos, em Mangualde e Ponte de Lima, que servem de apoio às vendas para Espanha.

Além do país vizinho, o grupo comercializa os seus produtos em França, Luxemburgo, Bélgica, Alemanha, Reino Unido, Itália, Angola, São Tomé e Príncipe, Guiné Bissau, Libéria, Serra Leoa, Togo e Macau, mercados que representam perto de 10% do seu volume de negócios. Nuno Maurício refere que, futuramente, a curto e médio prazo, a estratégia internacional passa por “reforçar a presença nestes mercados”.

Bruno Amorim