Fazemos Bem

01/06/2015

Castanha da Sortegel à conquista do mercado dos EUA e Japão

É uma das empresas mais conhecidas da região de Trás-os-Montes e muito provavelmente está no top das mais procuradas pelo agricultores. Compra uma boa parte da castanha transmontana e já entrou no mercado de outras regiões produtoras, tais como Minho, Marvão (Alentejo) e Viseu.

A verdade é que a produção local há muito deixou de ser suficiente para as necessidades da Sortegel. É mesmo considerada uma das maiores empresas no setor da castanha na Europa, sendo a “número um” em Portugal. Ainda assim, os projetos de expansão não estão parados e o objetivo é continuar a crescer.

A Sortegel, sediada na aldeia de Sortes, concelho de Bragança, optou por se instalar no coração da Terra Fria, em plena região produtora, logo desde a sua nascença, em 1992. É desta zona agreste, principalmente dos concelhos de Bragança e Vinhais, que todos os anos sai 80% da castanha produzida no país. “Foi uma estratégia”, revela Vasco Veiga, administrador desde 2002, que considera ainda uma “mais valia e um dos pontos fortes” a possibilidade de laborar no local onde se colhe o fruto. “É aqui que temos a matéria-prima, garantimos a qualidade. Não faria sentido ser de outra maneira”, acrescentou. A rapidez com que a castanha chega dos soutos à fábrica também é uma garantia de qualidade.

Por outro lado, o administrador destaca a importância que a empresa tem para Bragança, por comprar aqui o grosso da sua matéria-prima. “Nós transformamos uma boa parte da castanha que aqui se colhe. O lavrador não tem dificuldade de escoar o que produz. Até vendia mais se o tivesse”, realça. Assim é. Todos os outonos é um entra e sai de carrinhas e tratores carregados de castanha que cruzam os portões da Sortegel para deixar a colheita.

A sede na periferia, distante dos mercados e das grandes cidades, não se tem apresentado como obstáculo ao crescimento, à expansão, à fidelização de mercados e à conquista de novos. Mesmo quando as acessibilidades para o Litoral eram más e não existia autoestrada, a Sortegel não se deixou vencer pelas dificuldades e apostou na consolidação da empresa e dos seus mercados. “Neste momento, estamos a vender para os mercados tradicionais da Europa. Alemanha, Suíça e Áustria são bons mercados, assim como o Brasil, mas também conseguimos entrar nos Estados Unidos da América (EUA) e Canadá, para onde começámos a vender há 15 anos. Agora, estamos a reforçar a nossa posição e queremos aumentar. No Japão, estamos a começar a entrar “, refere Vasco Veiga. Aliás, estes mercados longínquos, ainda pouco expressivos na aquisição da castanha transmontana em grandes quantidades, estão a revelar-se “boas oportunidades” de negócio porque “pagam muito bem e valorizam o produto”, revelou.

A promoção dos produtos comercializados pela Sortegel é um aspeto que não é descurado. Letícia de Castro Pereira, diretora do Departamento de Vendas (na foto), destaca a importância destas ações e dá conta que é frequente a presença da empresa em feiras nacionais e internacionais, nomeadamente em França e Itália. Mesmo nos certames realizados em Bragança é frequente a presença daquela que é a maior unidade de transformação de castanha do país. A Sortegel tem a possibilidade de ter 300 hectares de produção própria, nomeadamente na Quinta de Arufe, no concelho de Bragança, local que também é usado para reforçar a imagem de qualidade sempre associada à natureza.

Letícia Castro Pereira explica que se a empresa procura atrair clientela, muitos potenciais compradores procuram eles próprios a Sortegel, atraídos pela imagem de qualidade. “A nossa castanha sativa é muito boa tanto em fresco como congelada. Atrevo-me a dizer que é a melhor do mundo”. Por outro lado, a empresa garante rapidez no fornecimento do produto. “As pessoas querem o fornecimento de castanha quando precisam e, normalmente, é sempre com urgência, principalmente quando de trata de castanha em fresco. Nós garantimos que a colocamos no local em tempo útil”. Nos últimos anos, a empresa passou de uma capacidade de embalamento de congelados de 800 quilos por hora para 5000 quilos. No que diz respeito ao embalamento em fresco, a duplicação de duas para quatro máquinas, “permitiu triplicar a capacidade”, acrescenta.

A castanha equivale a 90% da produção da Sortegel. Para diversificar a produção, estão a apostar na laboração de fruta, como o morango, figo e frutos vermelhos. Para já, trata-se de uma valência em crescimento que representa uma pequena fatia da atividade da empresa, porque a colheita da região é incipiente. “Laboramos mil toneladas de morango e os outros frutos representam 200 a 300 toneladas. O negócio da castanha é melhor”, adiantou Vasco Veiga.

A empresa está a investir na fábrica para a modernizar, nomeadamente no setor da conservação dos frescos e no embalamento. Há investimentos em curso, na ordem de 1,8 milhões de euros, para o alargamento da capacidade dos frescos, e de 1,5 milhões para o segmento dos congelados.

Glória Lopes