Fazemos Bem

25/05/2015

Um dos melhores azeites vem da Quinta do Romeu

São rosas, senhores, são rosas, as que por esta altura oferecem cor e aroma ao Romeu, freguesia de Mirandela de onde sai um dos melhores azeites do Mundo, fruto da tradição aliada à modernidade e ao saber fazer passado de geração em geração. A comercialização de vinhos DOC Douro engarrafados ainda é recente, mas por lá, onde também a produção de cortiça teve sempre grande peso económico, acredita-se que virão a ocupar um lugar entre os melhores. O vinho do Porto continua a ser vendido a granel, mas há uma edição especial para conhecer em breve.

Na Quinta do Romeu a política é “fazer exclusivamente agricultura biológica certificada” e, respeitando as origens, “a cada ano que passa produzir melhor do que no ano anterior”, nota o diretor-geral João Menéres.

Sobe-se ao alto de um monte, espreita-se desde um santuário, para-se na berma da estrada e é como se fosse tudo do mesmo dono. São milhares de hectares de olivais, vinhas, sobreiros, entre outros, que se estendem por mais sete concelhos do distrito de Bragança, para além do de Mirandela.
Tudo começou quando, em 1874, Clemente Menéres chegou a Trás–os-Montes, em carro puxado por cavalos, para comprar sobreirais. Então com 31 anos, o empresário nascido na Vila da Feira já acumulava um vasto conhecimento do mercado internacional de vinhos, conservas e cortiça. Olhando aquelas terras não tardou a reconhecer-lhes potencial agrícola. Comprou o que pôde e fundou a Quinta do Romeu. Reconverteu as vinhas dizimadas pela filoxera e expandiu os olivais.

Em 1902, fundou, com os filhos, a atual Sociedade Clemente Menéres, que detém a quinta e tem escritórios e armazéns no Porto. Após a sua morte, os descendentes tomaram as rédeas da sociedade e, geração após geração, continuaram a aperfeiçoar a sua obra “com carinho, dedicação e muita persistência”, mantendo em atividade outros ícones da quinta, como o restaurante Maria Rita e o Museu de Curiosidades.

Atualmente, esta sociedade familiar é gerida por João Pedro Menéres, José Clemente Menéres e Manuel Menéres Sampaio, pertencentes à quarta geração. Todo o capital da empresa está em mãos de descendentes diretos do fundador, ultrapassando já as 80 pessoas.

“O meu trisavô foi um visionário, o que nos acrescenta responsabilidade. Criou a sociedade para ter a quinta, tinha como objetivo que durasse pelo menos 100 anos com a mesma configuração social e produzindo sempre a partir do que a terra dá no Romeu. Esse objetivo já está cumprido e o próximo é fazer com que dure mais 100”, diz João Menéres. Para o alcançar, o segredo será “manter a harmonia entre as pessoas, as culturas agrícolas, o ambiente e a economia, como se fosse música”. Acredita que “só assim a sua atividade vale a pena e os produtos poderão ter um caráter próprio e de excelência”.

A Sociedade Clemente Menéres atravessou épocas marcantes da História como as duas grandes guerras mundiais, os tempos da implantação da República Portuguesa, da revolução de Abril de 1974 e da integração europeia de Portugal. Agora, atua no palco global, com destaque para os continentes europeu, americano e asiático, com produtos cuja qualidade tem vindo a ser reconhecida.

O sucesso do azeite Quinta do Romeu – “provavelmente uma das primeiras marcas de azeite a surgir em Portugal”, diz João Menéres – é explicado com a produção biológica, mas também com o controlo total da qualidade, desde a oliveira até à garrafa. “A azeitona é colhida no ponto ótimo de maturação, começando geralmente nos últimos dias de outubro, e é processada no mesmo dia, extraindo o máximo das propriedades”. A estratégia passa por “apresentar ao consumidor um produto mais diferenciado em relação aos restantes”, já que a política da casa é a que sempre norteou a sociedade: “Qualidade em detrimento de quantidade”.

Os prémios que têm sido colecionados “são o reconhecimento deste trabalho”, mas João Menéres confessa que o que mais o toca é conhecer histórias, como aquela do avô que “ainda continua a oferecer aos netos azeite da Quinta do Romeu porque diz que é o melhor”. O mercado nacional absorve até 70% da produção. A exportação começou há cerca de 15 anos e atualmente já está consolidada em mercados como Alemanha, Áustria, Suíça, Bélgica, Japão, Hong Kong, Brasil e Estados Unidos da América.

A quinta sempre produziu vinhos de mesa e do Porto. O engarrafamento de vinhos DOC Douro é bastante recente e aconteceu na sequência da reconversão da vinha e da remodelação da adega. Foi lançada uma linha com a marca Quinta do Romeu que entrou no mercado à boleia da fama conquistada pelo azeite, como aconteceu nos Estados Unidos. Porém, João Menéres salienta que “cada um tem de vingar pela sua qualidade”.

Inglaterra, Alemanha e Dinamarca são outros países onde os vinhos estão a entrar bem. Uma pequena parte da produção de vinho do Porto, que sempre foi vendida a granel, está a ser envelhecida para, em breve, serem lançadas no mercado umas mil garrafas de Tawny 20 anos.

Eduardo Pinto