Fazemos Bem

13/05/2015

União faz a força de um serviço chave na mão para agricultores

É um dos alimentos que geralmente ingerimos logo pela manhã e nada nos faz crer que tão rico nutriente possa ter alguma relação com a Cooperativa Agrícola de Vila do Conde (CAVC). Não estranhe, por isso, se este nome não lhe for nada familiar, mas saiba que o leite que consumimos pode ter muito que ver com este organismo.

É que, por um lado, eles produzem a ração que as vacas comem e, por outro, recolhem o leite dos exploradores agrícolas e posteriormente distribuem-no à Agros-União das Cooperativas de Produtores de Leite de Entre Douro e Minho e Trás-os-Montes, e daí chega às prateleiras dos supermercados.

São quatro as funções que a CAVC assume junto dos seus 1400 associados: fornece tudo o que uma exploração agrícola precisa, desde os adubos até às rações; procede ao escoamento do leite e vende-o à união de cooperativas; faz o acompanhamento sanitário das explorações; e presta serviços de contabilidade, devidamente homologados pela Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas.

E por falar em contas, a fórmula é fácil de entender. No ano passado, a faturação da cooperativa atingiu os 75 milhões de euros. O seu presidente, Fernando Capela, explica as duas grandes áreas de negócio: “Em termos da secção de leite, que é a nossa principal atividade, estamos a falar de cerca de 140 milhões de litros, o que se traduz em 40 milhões de euros. Já a secção de compra e venda, faturou mais de 30 milhões de euros”.

Mas o que terá a secção de compra e venda de tão especial para apresentar resultados tão simpáticos? A resposta faz-nos recuar à década de 90, altura em que foi dado o grande passo rumo àquilo que o líder da CAVC chama “fatos à medida”. Pode parecer bizarro, mas o tipo de alimentação dos animais e, neste caso, sobretudo no que às vacas diz respeito, deve ser personalizado de acordo com as características do terreno e com os objetivos a atingir. É a customização das rações, algo em que até então ninguém tinha pensado.

“Há 15 ou 16 anos, vendíamos rações feitas pelas fábricas de rações normais. No fundo, só fazíamos o intercâmbio com os nossos produtores. A determinado momento, percebemos que havia necessidade de se começar a ter mais produtividade e rentabilidade nas explorações e que isso se poderia relacionar com o tipo e o preço das rações. Foi aí que juntámos um grupo de associados e avançámos com a construção do armazém de produção, em que fazemos nós a mistura de matérias-primas e os fatos à medida das necessidades de cada empresário”, refere Fernando Capela. Meia dúzia de anos depois, acrescenta, “a cooperativa lançou-se na produção industrial de ração granulada”, tendo igualmente conseguido intervir “ao nível da descida dos preços deste tipo de produtos”.

Durante 67 anos, a cooperativa foi ultrapassando desafios, cumprindo objetivos, aumentando o seu volume de negócios bem como o dos seus associados, mas neste momento há um tema em cima da mesa que promete alterar profundamente o modo de funcionamento do setor em que opera: o fim das quotas leiteiras.

“Nós tínhamos um regime de quotas, em termos da oferta e da procura, estabilizado. Acabando este efeito de regulação, é o mercado completamente livre a funcionar. Obviamente que isto vai pôr os preços em baixa e o nosso desafio passa por conseguirmos dar sustentabilidade à produção de leite no concelho e na região”, diagnostica Fernando Capela.

Mas o presidente da CAVC já tem uma solução para o problema, que passa pela criação de um novo serviço de acompanhamento à gestão dos associados. O projeto está prestes a ser integrado numa candidatura a fundos comunitários. “Queremos garantir que os produtores tenham alguém que os informe em termos de gestão da sua exploração, nomeadamente onde pode ganhar, de que forma deve investir e de que modo poderá ter maior rentabilidade”. O dirigente garante que tudo está idealizado, “incluindo uma técnica que teve formação específica para o efeito”.

O ponto final nas quotas leiteiras traz muitas dúvidas, mas Fernando Capela tem um desafio para apresentar à tutela nacional da agricultura e que pode permitir à CAVC e aos seus associados galgarem as margens do concelho e crescer. “Temos de ter ideias e projetos para que ganhemos dimensão, capacidade de negociação e aumento de rentabilidade. A nossa área geográfica não cresce, mas se olharmos para o interior do país, o que verificamos é que não falta área agrícola e muita dela até abandonada. Para crescermos, podemos produzir noutros lados onde há terra disponível ou, eventualmente, aliviar as explorações na alimentação que produzem para as vacas em produção. Precisamos de algumas decisões políticas que nos ajudem a formalizar isto”, frisa.

Para o presidente da Cooperativa Agrícola de Vila do Conde, “as pessoas que detêm estas terras, se não houver um agilizar de processos, provavelmente nem alugam nem estarão disponíveis para o fazer”. E conclui: “Se não temos terra, temos de a procurar onde ela exista”.

Marta Araújo