Fazemos Bem

13/05/2015

Gigante português das saladas quer chegar ao Norte da Europa

Sabia que a alface consumida nos hambúrgueres e saladas dos restaurantes McDonald”s nacionais é vendida por uma empresa portuguesa? Esse é apenas um dos destinos dos produtos da Vitacress, que produz e comercializa agrião de água, folhas para saladas e ervas aromáticas, entre outros vegetais. Com presença forte em Portugal, Espanha e Reino Unido, este negócio prepara-se para conquistar mercados mais maduros.

As raízes da Vitacress levam-nos ao Reino Unido. Foi lá que, há mais de 60 anos, um produtor local de agrião de água criou o negócio. Impossibilitado de prolongar a atividade além de quatro meses por ano, este agricultor decidiu partir para outras geografias e encontrou em Portugal um local perfeito para produzir durante o ano todo.

A entrada no nosso país deu-se em 1980, na zona de Almancil, no Algarve, onde ainda hoje a Vitacress tem 20 hectares de terreno para as suas camas de agrião, na prática, reservatórios de água com gravilha no fundo, onde as sementes de agrião se desenvolvem com propriedades nutricionais e anticancerígenas únicas que estão a chamar a atenção de investigadores universitários.

Depois do Algarve, a Vitacress comprou propriedades em Odemira (Alentejo), acumulando ali cerca de 260 hectares de exploração agrícola. É neste local, onde se encontra a sua sede, que se produzem folhas-bebé para saladas prontas a comer. “É a nossa grande especialidade e foco. Uma atividade que nasceu com o criador e foi aprofundada após a compra da empresa pelo Grupo RAR em 2008″, explica o diretor-geral, Luís Mesquita Dias.

O Grupo RAR passou a ser o único acionista de um negócio com duas componentes: a Vitacress Portugal e a Vitacress Reino Unido, com explorações nestes países e também em Espanha. Uma verdadeira multinacional. “Partimos para este desafio com a ambição de criar e desenvolver a marca Vitacress e não ser apenas uma empresa agrícola a embalar para a distribuição”, refere.

Mas Luís Mesquita Dias quer mais. “A nossa meta passa por levar a marca ou os nossos produtos para o Norte da Europa. Temos uma presença interessante na Alemanha, começamos este ano na Polónia, há contactos em França e queremos chegar aos países escandinavos”. Angola também será um objetivo, a longo prazo.

Para se expandir, terá de competir com fornecedores italianos e espanhóis, presentes nestes países há mais de 15 anos. “Não é fácil conquistar mercado a empresas tão fortes, mas a verdade é que temos sido bem sucedidos“. Em função da qualidade do solo e clima, Portugal apresenta vantagens comparativas para a produção de frutas e legumes. “Está comprovado que a influência da brisa marítima atlântica é muito positiva. Além disso, temos um clima mais ameno e uma abundância de água de regadio que não existe na Andaluzia, uma região produtora concorrente”.

A Vitacress é a entidade privada que mais emprego gera no concelho de Odemira. São cerca de 300 (95% portugueses) os colaboradores que contribuem para que a empresa tenha uma quota de 42% no mercado nacional de saladas embaladas e de 35% nos vegetais embalados.

O aparecimento de hábitos de consumo mais saudáveis foi uma oportunidade para inovar e alargar a oferta. “É uma realidade a que tentamos dar resposta, acompanhando as tendências do consumidor e muitas vez até antecipá-las”, frisa o diretor-geral. Uma gama de saladas prontas e snacks pensada para pessoas que almoçam ou lancham no local de trabalho, a Vitaminute, foi aposta recente, incluindo embalagens de saladas prontas que servem de refeição ou copos práticos com cenouras-bebé.

Luís Mesquita Dias tem a consciência de que este passo levará alguns anos a consolidar. “Teremos de alargar a oferta e variar mais ingredientes, fazer outras misturas, juntar mais proteínas e hidratos de carbono. Há todo um desenvolvimento que se está a fazer nas saladas para que deixem de ser um mero acompanhamento de refeição”.

E outras soluções complementares podem estar a caminho. “Estamos a fazer experiências de combinações de vegetais com frutas.São produtos muito ricos nutricionalmente, baixos em calorias e com uma componente de sabor magnífica. Teremos de divulgar novas ementas e soluções saudáveis para que as pessoas possam ir adotando este novo hábito”. Trabalhando essencialmente com as principais cadeias de distribuição nos países onde se encontra, a restauração está a ter um peso crescente entre os clientes da empresa. É dentro deste âmbito que surgiu a parceria com a McDonald”s que, apostada em garantir mais produtores nacionais, recorreu à Vitacress para o fornecimento de saladas para os mais de 130 restaurantes que a cadeia tem em território luso.

E como a inovação é um trunfo para surpreender o mercado, a Vitacress Portugal trabalha de perto com entidades como o Instituto de Biologia Experimental Tecnológica, a Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica do Porto, o Instituto de Medicina Molecular, a Universidade de Reading e a Universidade de Southampton.

Bruno Amorim